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A subida ininterrupta do preço do petróleo assume-se como a maior ameaça sobre a economia mundial. Nos Estados Unidos, todavia, a economia continua a crescer de forma vigorosa e o impacto do furacão Katrina deverá ser limitado. Na zona euro, as perspectivas de crescimento são menos optimistas. Contudo, apesar das diferenças, os resultados semestrais das empresas foram, em termos gerais, melhores que o previsto.
- Rendimento Garantido: taxa base dos Certificados mantém-se
As taxas dos depósitos a prazo continuam baixas e sem alterações significativas. Também a taxa base dos Certificados de Aforro se mantém em 1,5% desde Junho. Continua a ser a aplicação sem risco mais adequada para o médio prazo! - Câmbios, Inflação e Taxas de Juro: euro continua estável
O euro permaneceu estável face às principais divisas mundiais. Nos Estados Unidos, com um cenário económico mais dinâmico, a Reserva Federal prosseguiu a subida gradual das taxas directoras. Confrontadas com o marasmo económico, as autoridades europeias mantêm as taxas em 2%. - Mercados bolsistas: Lisboa avança 2,9% em Agosto
Em Agosto, a Euronext Lisboa esteve em plano de evidência ao avançar 2,9%, suportada sobretudo pelas subidas da Brisa e da Sonae e voltou a ficar com um saldo positivo desde o início do ano.
1. Rendimento Garantido:
Taxas dos depósitos
Na passada semana, o Banco Central Europeu manteve inalterada a taxa de juro directora da zona euro nos 2%. Este valor mantém-se desde Julho de 2003. Também desde essa altura, as taxas dos depósitos permanecem baixas. Actualmente, a taxa média de um depósito de 5000 euros a um ano é de 1% líquida, um valor muito abaixo da taxa de inflação esperada para este ano: 2,3%, segundo a mais recente previsão do Banco de Portugal. Aquém deste valor, o melhor depósito a um ano é o BCAGlob@l (1,9%). Para o próximo ano a mesma instituição prevê uma inflação de 3%, o que nos leva a concluir que, caso as taxas dos depósitos se mantenham nos níveis actuais, os rendimentos reais destas aplicações em 2006 serão, mais uma vez, negativos!
Acima da taxa de inflação esperada para 2006, não há nenhum depósito a um ano. E acima dos 2,3% previstos para este ano, só a conta BPN Global 3%, que rende 2,4% líquidos, mas para quem disponha de montantes superiores a 50 000 euros (para aplicar por 6 e 12 meses). O Super Depósito da Bigonline (3 meses) rende 3% líquidos, mas apenas nos primeiros três meses; após esse período é remunerado à taxa Euribor a 3 meses (actualmente de 2,16%).
Certificados de Aforro
As novas subscrições e renovações de Certificados de Aforro que ocorram durante o mês de Setembro serão efectuadas à taxa base de 1,5% líquida. Esta taxa mantém-se já desde Junho. Apesar da baixa rentabilidade, este produto continua a ser o mais adequado para quem pretenda aplicar as poupanças sem risco, especialmente a médio prazo, já que beneficia do prémio de permanência semestral de 0,2% líquido até ao máximo de 1,6%, atingido no início do quinto ano. Nos últimos meses têm surgido várias aplicações (depósitos e obrigações de caixa) com juros a taxa crescente. Mas, na maioria dos casos, os Certificados levam vantagem.
A taxa base dos Certificados de Aforro é revista mensalmente e calculada com base nas últimas vinte observações da Euribor a três e doze mês, do mês anterior.
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Certificados de Aforro |
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Taxa base (1) |
Prémio de permanência (2) |
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1,5% |
0,2% |
Fonte: Poupança Quinze (1) Taxa anual nominal líquida garantida por três meses, para os Certificados subscritos em Setembro de 2005 ou que iniciem um novo período de contagem de juros. (2) Taxa anual líquida a adicionar, por cada semestre decorrido, à taxa base, com início no segundo semestre e até um máximo de 1,6%.
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Depósitos a um ano (1) |
|
Taxa média (2) |
Melhor taxa (3) |
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1% |
1,9% |
Fonte: Poupança Quinze (1) Taxas anuais nominais líquidas para remunerar um depósito de 5 000 euros a um ano. (2) Média das taxas indicativas praticadas pelos bancos em 02/09/05. (3) Imoprazo (BNC) e BCAGlob@l (BCA).
2. Câmbios, Inflação e Taxas de Juro
As informações estatísticas não trouxeram novidades sobre a situação económica mundial e, no mercado dos câmbios, o euro manteve-se estável face à maior parte das divisas mundiais.
Nos Estados Unidos, a economia mantém-se bastante dinâmica. No segundo trimestre, a actividade progrediu 3,3% em termos anuais. E os últimos indicadores apontam para uma possível aceleração do crescimento neste trimestre, mas para o final do ano deverá abrandar porque o aumento da factura energética pesará inevitavelmente nas despesas do consumo das famílias americanas. Porém, a progressão de emprego e dos salários tornam pouco provável o cenário de um abrandamento acentuado. Tanto mais que a confiança dos empresários mantém-se elevada, o que sustenta as despesas de investimento. Assim, e para evitar uma aceleração excessiva da economia, a Reserva Federal continua a subir gradualmente as suas taxas directoras. Na reunião de 9 de Agosto, a taxa de juro passou de 3,25% para 3,5%.
A situação é claramente menos brilhante na zona euro. No segundo trimestre, o PIB aumentou apenas 0,3% relativamente aos três primeiros meses do ano e o crescimento anual foi somente de 1,1%. E embora os indicadores avançados deixem antever uma retoma no terceiro trimestre, esta antevê-se modesta. A subida brusca do preço do petróleo (+18,4%) afecta os consumidores que, à excepção das compras de imóveis, reduzem as despesas. Neste contexto, e apesar das pressões inflacionistas terem aumentado, o Banco Central Europeu mantém a sua taxa directora em 2%.
Nos mercados obrigacionistas, as taxas a longo prazo apresentam-se excessivamente baixas: perto de 3%, na zona euro, e 4% nos Estados Unidos. O acesso bastante fácil ao crédito preocupa os bancos centrais, que se mostram mais atentos às bolhas especulativas no sector imobiliário.
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Câmbios em 31/08/05 |
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Cód. ISO |
Moeda |
Câmbio
em euros |
Variação face ao euro
% |
Flutuações |
Perspectivas (1) |
|
1 mês |
1 ano |
1 ano |
Longo prazo |
|
GBP |
Libra esterlina |
1,4624
|
0,9 |
-1,2
|
Moderadas |
= |
- |
|
CHF |
Franco suíço |
0,6461
|
0,9
|
-0,4
|
Moderadas |
= |
+ |
|
DKK |
Coroa dinamarquesa |
0,1341
|
0,0
|
-2,6
|
Reduzidas |
= |
= |
|
SEK |
Coroa sueca |
0,1071
|
0,9
|
-2,2
|
Moderadas |
+ |
++ |
|
NOK |
Coroa norueguesa |
0,1273
|
0,2
|
6,9
|
Moderadas |
- |
-- |
|
USD |
Dólar americano |
0,8131
|
-1,2
|
-1,2
|
Elevadas |
+ |
= |
|
CAD |
Dólar canadiano |
0,6844
|
1,9
|
9,6
|
Elevadas |
+ |
+ |
|
AUD |
Dólar australiano |
0,6108
|
-2,4
|
5,1
|
Elevadas |
+ |
= |
|
JPY |
Iene japonês (100) |
0,7316 |
-0,4 |
-2,4 |
Elevadas |
= |
++ |
Fonte: Poupança Quinze (1) -- forte depreciação; - ligeira depreciação; = estável; + ligeira apreciação; ++ forte apreciação.
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Taxas em 31/08/05 |
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Cód. ISO |
Inflação (1) |
Taxas de juro a 3 meses |
Taxas de juro a 10 anos |
|
(%) |
Mês |
Valor em (%) |
Tendência (2) |
Valor em (%) |
Tendência (2) |
|
EUR |
2,2
|
Jul
|
2,13
|
= |
3,05
|
+ |
|
GBP |
2,3
|
Jul
|
4,53
|
= |
4,14
|
+ |
|
CHF |
1,2
|
Jul
|
0,73
|
+ |
1,76
|
+ |
|
USD |
3,2
|
Jul
|
3,84
|
+ |
4,00
|
+ |
|
CAD |
1,7
|
Jun
|
2,81
|
+ |
3,72
|
+ |
|
AUD |
2,5
|
Jun
|
5,76
|
= |
5,04
|
+ |
|
JPY |
-0,2 |
Jul |
0,02 |
= |
1,20 |
= |
Fonte: Poupança Quinze (1) Variação dos preços face ao mesmo mês do ano anterior. (2) - diminuição; = estável; + subida.
3. Mercados bolsistas
Em Agosto, as principais Bolsas mundiais evoluíram sem um rumo definido. Na Europa, Lisboa (+2,9%) e Londres (+1,7%) estiveram em alta, enquanto Amesterdão, Madrid e Paris terminaram no vermelho. Nos Estados Unidos, Nova Iorque encerrou negativa ao recuar 2,2%, medida em euros. A condicionar a evolução dos mercados esteve a escalada do preço do barril de petróleo que atingiu novo máximo histórico, com repercussões negativas sobre as expectativas para o crescimento económico mundial. Todavia, a saída de resultados trimestrais das empresas acima do esperado e, sobretudo, o lançamento de diversas operações públicas de aquisição trouxeram ânimo aos mercados. Com efeito, durante o Verão várias empresas de renome lançaram-se em processos de aquisição (Pernord Ricard sobre a Allied Domecq, a Suez sobre a Electrabel, a Adidas sobre Reebok, etc). Por acréscimo, outras empresas foram alvo de rumores e especulações (Danone, Commerzbank, etc.), o que também conferiu alguma sustentabilidade às cotações.
Por sectores, a distribuição alimentar esteve pressionada pelo aumento da concorrência, que deteriora as margens de lucro, e pela possível retracção do consumo por parte das famílias, confrontadas com o aumento dos preços energéticos. Ao invés, o sector alimentar europeu tirou partido dos rumores da venda da Danone e das boas notícias relativas à Nestlé, cujos resultados demonstram a boa reorientação estratégica. Por sua vez, o novo recorde alcançado pelo preço do barril de petróleo reflectiu-se de forma favorável nas acções petrolíferas. Neste sector, continuamos a recomendar a BP. Realce ainda para a evolução positiva do sector automóvel europeu, liderado pela DaimlerChrysler e pela Fiat. Por fim, o sector dos seguros não está a sofrer, pelo menos na Europa, as consequências do furacão no Golfo do México. Apenas as seguradoras americanas devem ser afectadas. Junto dos resseguradores o impacto é ainda incerto tendo em conta o provável aumento dos danos inicialmente estimados.
Por cá, entre os principais títulos do PSI-20, realce para a subida de 8,7% da Brisa, que beneficiou de uma melhoria das expectativas para o tráfego e de 8,6% da Sonae, ajudada pela possível alienação do negócio de distribuição no Brasil e pela melhoria dos resultados da Sonae Indústria. Pela negativa, o grupo PT foi a principal desilusão, com o mercado a antecipar a divulgação de resultados semestrais pouco animadores, a meio de Setembro. Face ao esperado aumento de concorrência na televisão por subscrição e na Internet de banda larga, alterámos o nosso conselho para a PT Multimedia de compra para manter.
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Bolsas em 31/08/05 |
|
Bolsa (1) |
Evolução no último mês (2) |
Evolução nos últimos doze meses (2) |
Índice de sobre/sub valorização (3) |
Price/Earnings médio do último exercício (4) |
Price/Earnings médio do exercício em curso (4) |
|
Euronext Lisboa |
2,9%
|
9,9%
|
-0,6
|
16,9
|
15,3
|
|
Eurnonext Amesterdão |
-1,7%
|
23,8%
|
0,3
|
12,8
|
11,3
|
|
Euronext Bruxelas |
1,1%
|
41,3%
|
-0,1
|
12,8
|
11,9
|
|
Euronext Paris |
-0,4%
|
27,9%
|
0,5
|
19,7
|
12,9
|
|
Frankfurt |
0,0%
|
24,1%
|
0,9
|
19,4
|
12,9
|
|
Londres |
1,7%
|
21,6%
|
-0,7
|
21,3
|
12,9
|
|
Madrid |
-0,7%
|
30,8%
|
0,0
|
16,6
|
14,2
|
|
Milão |
0,3%
|
30,0%
|
0,0
|
19,9
|
14,0
|
|
Nova Iorque |
-2,2%
|
12,4%
|
0,1
|
19,2
|
15,6
|
|
Sidney |
-0,8%
|
36,8%
|
-0,7
|
n.d.
|
n.d.
|
|
Tóquio |
5,1%
|
10,8%
|
1,2
|
n.d.
|
n.d.
|
|
Zurique |
0,1% |
21,1% |
0,0 |
19,1 |
15,3 |
Fonte: Poupança Acções (1) Índices Datastream, excepto Lisboa (PSI-20). (2) Em euros. (3) Um valor do índice inferior a -0,5 indica que a bolsa está subvalorizada, entre -0,5 e 0,5 que está a um nível correcto e mais de 0,5 que está sobrevalorizada. Este índice considera as taxas de juro de longo prazo, a taxa de câmbio e o risco associado a cada Bolsa. (4) Cotação/Lucros correntes (sem elementos excepcionais). n.d. = não disponível.
12.09.2005
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