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da DECO PROTESTE


Descida nas taxas de juro?

A aparente mudança na retórica do BCE provocou a depreciação do euro face às principais divisas. Mas só um crescimento muito débil no primeiro trimestre poderá levar as autoridades monetárias europeias a procederem a um corte das taxas directoras da zona euro. Os bancos é que não esperaram e alguns diminuíram já as taxas dos depósitos, antecipando esse eventual ajuste das taxas directoras. A Euribor também desceu e arrastou consigo a taxa base dos Certificados de Aforro, que atingiu, este mês, o valor mais baixo da sua história: 1,4% líquido.

Rendimento Garantido: Certificados em mínimo histórico! Alguns bancos recomeçaram a cortar nas taxas dos depósitos, antecipando um eventual ajuste na taxa directora da zona euro. A descida da Euribor arrastou consigo a taxa base dos Certificados de Aforro, que atingiu, este mês, o valor mais baixo da sua história: 1,4% líquido.

Taxas de câmbio: euro recua. A aparente mudança na retórica do BCE, que manteve inalteradas as taxas de referência mas não afastou possíveis ajustamentos em baixa, provocou a depreciação do euro face às principais divisas. Contudo, só um crescimento económico muito débil no primeiro trimestre poderá levar as autoridades monetárias europeias a procederem a um corte das taxas directoras.

Mercados bolsistas: Bolsas no vermelho. Março interrompeu o ciclo de subidas de 2004. As incertezas em torno da retoma económica e os atentados em Madrid levaram os investidores, na primeira metade do mês, a realizarem mais-valias. Contudo, a saída de dados económicos favoráveis nos Estados Unidos, já na recta final de Março, permitiu às Bolsas limitarem as perdas. Por cá, a agenda foi dominada pela divulgação dos resultados de 2003 e ainda pela introdução em Bolsa da Media Capital.

 

Rendimento Garantido

Depósitos novamente a descer... No dia 1 de Abril, o Banco Central Europeu manteve a taxa de juro directora da zona euro nos 2%. Porém, a Euribor a um ano não parou ainda de descer, arrastando consigo o rendimento dos produtos que lhe estão indexados. É o caso dos depósitos da Bigonline e CaixaGalicia. Também o rendimento do NetPrazo (depósito a um mês do Banco Nacional de Crédito) está dependente da Euribor, mas recentemente o banco adicionou-lhe um "bónus" de 0,5% brutos sobre a taxa Euribor a um mês.

Além disso, alguns bancos recomeçaram a descer as taxas dos seus depósitos até um ano, antecipando as expectativas de um corte na taxa base da zona euro. Foi o caso do Montepio Geral, com descidas até 0,15%, ou da CaixaGalicia que procedeu a pequenos ajustes (cortando até 0,1%). A maior parte dos depósitos proporciona um rendimento inferior à taxa de inflação estimada para 2004 pela OCDE (2,1%).

É na banca online que consegue as melhores remunerações para depósitos de prazo até seis meses. O BNC NetPrazo proporciona 2% para um depósitos de um mês; para aplicações a três meses, o Bigonline remunera a 3%; para seis meses opte pelo DP Interactivo do BPN, que oferece 2,2%. Para depósitos a um ano, a banca tradicional apresenta a melhor proposta: 1,9% com a conta Imoprazo do BNC.

Certificados de Aforro no mínimo! A taxa base dos Certificados de Aforro atingiu, em Abril, o valor mais baixo da sua história. A taxa base é calculada todos os meses com base nas últimas vinte observações da Euribor a três e doze meses do mês anterior. As subscrições de Certificados, a efectuar durante o mês de Abril, serão remuneradas a uma taxa líquida anual de 1,4% . A vantagem, face aos depósitos, é o prémio de permanência semestral líquido de 0,2%, após os primeiros seis meses, até ao máximo de 1,6%, atingido no início do quinto ano de aplicação. Desta forma, os Certificados que tenham sido subscritos há quatro ou mais anos usufruem no trimestre iniciado em Abril de uma remuneração anual líquida de 3%.

Certificados de Aforro

Taxa base (1)

Prémio de permanência (2)

1,4 %

0,2 %

Fonte: Poupança Quinze (1) Taxa anual nominal líquida garantida por três meses, para os Certificados subscritos em Abril de 2004 ou que iniciem um novo período de contagem de juros. (2) Taxa anual líquida a adicionar, por cada semestre decorrido, à taxa base, com início no segundo semestre e até um máximo de 1,6%.

Depósitos a Prazo (1)

Taxa média (2)

Melhor taxa (3)

1 %

1,9 %

Fonte: Poupança Quinze (1) Taxas anuais nominais líquidas para remunerar um depósito de 5 000 euros a um ano. (2) Média das taxas indicativas praticadas pelos bancos em 31/03/04. (3) BNC (Imoprazo).

 

Câmbios, Inflação e Taxas de Juro

O Banco Central Europeu parece ter revisto em baixa as estimativas de crescimento. O seu presidente, J.C. Trichet, evocou a possibilidade de um ajustamento da política monetária se os desenvolvimentos económicos no seio da zona euro continuarem a decepcionar. Esta alteração de postura por parte das autoridades monetárias não significa forçosamente que irão descer as taxas. Ao acenar com essa possibilidade, o BCE pretende provavelmente enfraquecer o euro. Se for esse o objectivo, a manobra até foi bem sucedida. A moeda europeia depreciou-se efectivamente. As quedas maiores registaram-se face ao dólar canadiano e ao iene japonês. As boas perspectivas económicas do Canadá favoreceram a sua moeda. O iene beneficiou, por seu lado, do repatriamento de fundos com o fechar do ano fiscal japonês. Contudo, um discurso de intenções parece insuficiente para influenciar o mercado de forma duradoura. Já em Abril, o BCE decidiu manter as taxas e, segundo a Poupança Quinze , excepto se o crescimento do primeiro trimestre for débil, deverá prosseguir esta política nos próximos meses.

Nos mercados de obrigações, uma certa tensão é perceptível. As taxas de longo prazo têm estado particularmente voláteis nas últimas semanas. Os investidores aguardam com ansiedade o sinal que marcará o início de uma fase de subida. As taxas estão a níveis historicamente muito baixos e são incompatíveis com a performance económica, sobretudo dos Estados Unidos. O risco de subida das taxas é grande e deve ser considerado por quem investe no mercado obrigacionista.

 Câmbios em 31/03/04

Cód. ISO

Moeda

Câmbio
em euros

Variação face ao euro
(em %)
Flutuações
Perspectivas (1)

1 mês

1 ano

1 ano

Longo prazo

GBP

Libra esterlina

1.4955

0.1

3.3

Moderadas

-

-

CHF

Franco suíço

0.6423

1.4

-5.3

Reduzidas

=

+

DKK

Coroa dinamarquesa

0.1343

0.1

-0.3

Reduzidas

=

=

SEK

Coroa sueca

0.1079

-0.2

-0.2

Moderadas

+

++

NOK

Coroa norueguesa

0.1185

3.7

-6.2

Moderadas

=

-

USD

Dólar americano

0.8137

1.1

-11.2

Elevadas

+

+
CAD

Dólar canadiano

0.6192

3.2

-0.6

Elevadas

+

++

AUD

Dólar australiano

0.6213

0.1

12.2

Elevadas

+

=

JPY

Iene japonês (100)

0.7822

6.2

1.2

Elevadas

=

+

Fonte: Poupança Quinze
(1) -- forte depreciação; - ligeira depreciação; = estável; + ligeira apreciação; ++ forte apreciação.

 Taxas em 31/03/04

 

Cód. ISO

Inflação (1)

Taxas de juro a 3 meses

Taxas de juro a 10 anos

(%)

Mês

Valor em (%)

Tendência (2)

Valor em (%)

Tendência (2)

EUR

1.6

Fev

1.96

=

3.81

+

GBP

2.3

Fev

4.33

+

4.71

+

CHF

0.1

Fev

0.23

=

2.30

=

USD

1.7

Fev

1.06

=

3.68

+

CAD

1.1

Fev

2.08

-

4.18

=

AUD

2.4

Dez

5.67

+

5.47

+

JPY

0.0

Fev

-0.06

=

1.18

=

Fonte: Poupança Quinze (1) Variação dos preços face ao mesmo mês do ano anterior. (2) - diminuição; = estável; + subida.

 

Mercados bolsistas

Depois das subidas verificadas nos últimos meses, em Março, as principais Bolsas mundiais fecharam quase todas negativas. Amesterdão e Frankfurt foram as mais penalizadas com perdas de respectivamente, 3,1 e 3%. Com efeito, e sobretudo na primeira metade do mês, as Bolsas foram alvo da tomada de mais-valias, dada a incerteza em torno de uma retoma económica e ainda pelos atentados terroristas em Madrid que abalaram novamente a confiança dos consumidores. Todavia, a saída de dados económicos acima do esperado nos Estados Unidos na recta final do mês, trouxe algum ânimo de volta aos mercados que recuperaram parte das perdas iniciais. Indiferente a esta conjuntura parece ter estado a Bolsa de Tóquio que galgou 16%, a antecipar, muito possivelmente, uma nítida melhoria dos resultados trimestrais das empresas nipónicas.

Por cá, a Euronext Lisboa recuou 1,2%, num mês marcado pela divulgação dos resultados de 2003 que, de forma geral, não decepcionaram. A EDP foi um dos destaques, depois de ter anunciado lucros acima das nossas previsões e assinado, mais recentemente, os acordos com vista à aquisição do controlo do negócio de gás natural detido pela Galp. No grupo PT, os resultados da maior operadora nacional de telecomunicações não trouxeram surpresas, mas os lucros da PT Multimedia superaram o esperado, impulsionados pela TV Cabo. Já no universo Sonae, os resultados da holding ficaram abaixo das expectativas devido à fraca prestação da Indústria, enquanto a SonaeCom e a Modelo Continente registaram performances em linha com o que prevíamos. Por fim, a Jerónimo Martins regressou aos lucros, mas o anúncio de um aumento de capital penalizou a acção.

Além dos resultados, outros dois temas mereceram a atenção dos investidores: a privatização da Portucel e a Oferta Pública de Venda da Media Capital. Em relação ao primeiro, está para breve o anúncio do vencedor do concurso, estando a Semapa na linha da frente. Quanto à entrada em Bolsa do grupo de media, o preço ficou nos 4,35 euros, perto do valor mínimo do intervalo de preços previamente definido (4,25 a 5,65 euros). Fique a par dos nossos conselhos e avaliações para estas e outras acções no boletim financeiro Poupança Acções.

 Bolsas em 31/03/04

Bolsa (1)

Evolução no último mês (2)

Evolução nos últimos doze meses (2)

Índice de sobre/sub valorização (3)

Price/Earnings médio do último exercício (4)

Price/Earnings médio do exercício em curso (4)

Euronext Lisboa

-1.2%

42.1%

-0.3

22.4

17.1

Eurnonext Amesterdão

-3.1%

32.7%

0.1

16.9

12.5

Euronext Bruxelas

-2.7%

51.0%

-0.3

14.2

11.6

Euronext Paris

-2.1%

45.3%

0.7

20.4

16.7

Frankfurt

-3.0%

52.1%

1.0

32.7

17.6

Londres

-1.6%

35.7%

-0.5

30.4

19.5

Madrid

-2.5%

40.7%

-0.1

17.8

15.4

Milão

-1.6%

31.9%

0.0

20.9

17.0

Nova Iorque

-0.1%

21.5%

0.3

21.5

18.7

Sidney

-1.5%

37.0%

-0.4

n.d.

n.d.

Tóquio

16.0%

54.1%

1.7

n.d.

n.d.

Zurique

-1.2%

34.6%

-0.1

19.3

15.6

Fonte: Poupança Acções (1) Índices Datastream, excepto Lisboa (PSI-20). (2) Em euros. (3) Um valor do índice inferior a –0,5 indica que a bolsa está subvalorizada, entre –0,5 e 0,5 que está a um nível correcto e mais de 0,5 que está sobrevalorizada. Este índice considera as taxas de juro de longo prazo, a taxa de câmbio e o risco associado a cada Bolsa. (4) Cotação/Lucros correntes (sem elementos excepcionais). n.d. = não disponível.

08.04.2004

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