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da DECO PROTESTE


Bolsas sobem, euro cai

Os principais mercados accionistas  evoluíram em alta, beneficiando dos bons dados  da economia americana e do anúncio  de resultados trimestrais favoráveis  por parte  das empresas. Lisboa, todavia, registou uma perda de 1,1%, condicionada pelas medidas restritivas avançadas pelo Governo. Por sua vez, o euro atingiu novos mínimos, penalizado pelo fraco crescimento da zona euro e pelo "Não" francês à constituição europeia.

  1. Rendimento Garantido: taxa base dos Certificados desceu!
    Em virtude da descida da Euribor, a taxa base dos Certificados de Aforro recuou para 1,5% líquida. Também os depósitos continuam sem dar sinais de recuperação.
  2. Câmbios, Inflação e Taxas de Juro: euro recua
    NO débil desempenho económico da zona euro, conjugado com a rejeição da Constituição Europeia pelos franceses, provocaram a depreciação da moeda única europeia face às principais divisas mundiais.
  3. Mercados bolsistas: Lisboa em contra-ciclo
    As principais praças financeiras mundiais registaram ganhos importantes em Maio, beneficiando dos dados favoráveis divulgados sobre a economia americana e pelo anúncio de resultados empresariais positivos. Por cá, a Euronext Lisboa foi excepção e recuou 1,1%, condicionada pelas medidas restritivas avançadas pelo novo Governo.

 

1. Rendimento Garantido:

Taxa dos Certificados recuou para 1,5%
Há praticamente dois anos que a taxa base líquida dos Certificados de Aforro varia entre 1,4% e 1,6%. Desde Outubro último que se mantinha em 1,6%, devido à estabilidade da Euribor, da qual depende o seu cálculo. Mas, no último mês, a descida desta taxa em vários prazos empurrou a taxa base dos Certificados de Junho para 1,5%.

Apesar do nível reduzido da taxa base, esta aplicação continua a ser interessante para quem queira aplicar a médio prazo, sem risco e com elevada liquidez. O prémio de permanência semestral de 0,2% líquido após os primeiros seis meses, até ao máximo de 1,6%, é a principal vantagem desta tradicional aplicação de aforro.

Tem sido frequente o lançamento de produtos de aforro com taxa crescente, sob a forma de depósito ou obrigação de caixa. Contudo, na maioria dos casos, proporcionam rendimento inferior aos dos Certificados, como o demonstram as análises da Poupança Quinze , e têm maiores restrições de liquidez.

Maioria dos depósitos com rendimento real negativo
TTendo em conta que a Comissão Europeia prevê, para Portugal, uma inflação de 2,3%, em 2005, são poucos os depósitos que proporcionam um rendimento real positivo. As excepções são o Super Depósito da Bigonline, que rende 3%, mas apenas para os primeiros três meses, e o BPN Global 3% , que proporciona 2,4% para depósitos a seis e doze meses, mas de montante igual ou superior a 50.000 euros. Se, para um depósito a um ano, não tiver um montante suficiente para aplicar no BPN Global 3%, o BCAGlob@l e o Imoprazo do BNC rendem 1,9%.

Também abaixo da inflação, mas com a melhor taxa, o NetPrazo do BNC proporciona 2,1% a um mês. Para prazos de seis meses, as contas BCAGlob@l, Banif@st, Banco Best e DP Interactivo do BPN rendem 1,8%.

As contas à ordem na banca online são uma alternativa às contas a prazo: na Bigonline à taxa anual líquida é de 1,8% e no Banco Best de 1,6%.

Certificados de Aforro

Taxa base (1)

Prémio de permanência (2)

1,5%

0,2%

Fonte: Poupança Quinze (1) Taxa anual nominal líquida garantida por três meses, para os Certificados subscritos em Junho de 2005 ou que iniciem um novo período de contagem de juros. (2) Taxa anual líquida a adicionar, por cada semestre decorrido, à taxa base, com início no segundo semestre e até um máximo de 1,6%.

Depósitos a um ano (1)

Taxa média (2)

Melhor taxa (3)

1,1%

1,9%

Fonte: Poupança Quinze (1) Taxas anuais nominais líquidas para remunerar um depósito de 5 000 euros a um ano. (2) Média das taxas indicativas praticadas pelos bancos em 02/06/05. (3) Imoprazo (BNC) e BCAGlob@l (BCA).

2. Câmbios, Inflação e Taxas de Juro

A economia da zona euro continua a atravessar um momento difícil. Nos primeiros três meses de 2005, o crescimento foi de apenas 1,4%. A Itália mergulhou na recessão, a Holanda e a Finlândia estão em contracção e a França apresenta um débil crescimento. Para o panorama melhorar no segundo semestre seria necessário encontrar motores de crescimento, que actualmente parecem não existir.

Assim se compreende o receio do Banco Central Europeu, segundo o qual a economia europeia poderá continuar debilitada até ao final do ano. Perante este cenário, a esperada subida das taxas de juro directoras dificilmente se materializará. Alguns dirigentes europeus, e até a OCDE, pedem mesmo um corte das taxas porque a inflação está sob controlo e o crescimento é fraco. As taxas directoras permanecem em 2% desde há dois anos.

Nesta conjuntura particularmente difícil, as taxas de juro de longo prazo continuam a atingir mínimos históricos consecutivos. Trata-se de um indicador claro da falta de confiança no futuro da economia europeia. O fraco crescimento limita o interesse nas acções europeias, as baixas taxas tornam pouco interessantes as obrigações denominadas em euros e o “não” da França e da Holanda pesaram sobre o euro. A moeda única europeia perdeu quase 5% contra o dólar no último mês e, entretanto, recuou para menos de 1,21 dólares. E se as Bolsas europeias subiram deveu-se sobretudo ao “contágio” da Bolsa de Nova Iorque.

Com efeito, os dados divulgados sobre a economia americana foram bastante positivos. Os défices recuaram, sobretudo o da balança comercial, a inflação está a níveis aceitáveis e o crescimento do primeiro trimestre foi revisto em alta para 3,5%. Este cenário favorável permite ao Fed manter uma subida gradual das taxas de juro. Em Maio, as autoridades monetárias americanas subiram as taxas em 0,25% para 3%.

Câmbios em 31/05/05

Cód. ISO

Moeda

Câmbio
em euros

Variação face ao euro
%
Flutuações
Perspectivas (1)

1 mês

1 ano

1 ano

Longo prazo

GBP

Libra esterlina

1,4760

-0,2

-1,7

Moderadas

-

-

CHF

Franco suíço

0,6505

0,0

-0,4

Moderadas

=

+

DKK

Coroa dinamarquesa

0,1344
0,1
-0,1
Reduzidas
=
=
SEK

Coroa sueca

0,1094
0,6
-0,4
Moderadas
+
++
NOK

Coroa norueguesa

0,1264
2,7
3,6
Moderadas
=
-
USD

Dólar americano

0,8099
4,6
-1,1
Elevadas
+
=
CAD

Dólar canadiano

0,6457
4,6
7,6
Elevadas
+
++
AUD

Dólar australiano

0,6138
1,5
5,0
Elevadas
+
=
JPY

Iene japonês (100)

0,7514
1,8
1,4
Elevadas
=
++

Fonte: Poupança Quinze (1) -- forte depreciação; - ligeira depreciação; = estável; + ligeira apreciação; ++ forte apreciação.

Taxas em 31/05/05

 

Cód. ISO

Inflação (1)

Taxas de juro a 3 meses

Taxas de juro a 10 anos

(%)

Mês

Valor em (%)

Tendência (2)

Valor em (%)

Tendência (2)

EUR
2,1
Abr
2,13
=
3,18
+
GBP
1,9
Abr
4,81
=
4,29
+
CHF
1,4
Mar
0,70
+
1,68
+
USD
3,5
Abr
3,31
+
3,94
+
CAD
1,7
Abr
2,55
+
3,85
+
AUD
2,4
Mar
5,83
+
5,15
+
JPY
2,1
Abr
2,13
=
3,18
+

Fonte: Poupança Quinze (1) Variação dos preços face ao mesmo mês do ano anterior. (2) - diminuição; = estável; + subida.

3. Mercados bolsistas

Após dois meses de descidas, as principais Bolsas mundiais voltaram aos ganhos. A liderar as subidas em Maio esteve Nova Iorque (+8,3%) que beneficiou, sobretudo, de notícias favoráveis relativas ao crescimento da economia americana. Na Europa, e apesar dos indicadores macroeconómicos continuarem a revelar um ritmo de retoma bastante ténue, as Bolsas foram impulsionadas por bons resultados trimestrais e ainda pela descida do euro face ao dólar que favorece as empresas exportadoras europeias. Frankfurt e Amesterdão valorizaram 5,3 e 5%, respectivamente.

Por sectores, os ganhos foram generalizados, com especial destaque para os sectores que tinham sido mais penalizados nos últimos meses. Entre eles, o automóvel, que recuperou terreno após as boas prestações da General Motors (+18,2%), que apresentou um plano de reestruturação e beneficiou do interesse manifestado por um milionário americano, e da Volkswagen (+7,5%). Por sua vez, as transportadoras aéreas beneficiaram da descida do preço do barril de petróleo e de resultados superiores às expectativas. Nas tecnológicas, o sentimento foi positivo depois dos números favoráveis de alguns pesos pesados do sector, como a Hewlett-Packard, e dos comentários positivos da Intel e da Texas Instruments. Realce ainda para as farmacêuticas, impulsionadas pelos resultados da AstraZeneca e da GlaxoSmithKline e ainda para o sector financeiro que conheceu diversos movimentos de consolidação.

Contudo, e apesar desta vaga de subidas, Lisboa foi excepção ao registar uma queda de 1,1%. Para tal foi determinante a divulgação pelo Governo de um défice orçamental elevado e o anúncio de um pacote de medidas restritivas que irá repercutir-se negativamente sobre o consumo. Deste modo, e não obstante os bons resultados trimestrais divulgados, alguns dos títulos com maior expressão na nossa Bolsa registaram perdas, casos da EDP, do BES, da Sonae, e da Jerónimo Martins... No grupo PT, a PTM evoluiu sob a mesma batuta, apesar da subida de 23% dos lucros. A empresa, entretanto, já concluiu o seu plano de recompra de acções próprias e efectuou um desdobramento das suas acções de duas novas acções por cada uma detida. Quanto à empresa mãe, a Portugal Telecom, depois de ter resistido às descidas em Maio, a cotação recuou no início de Junho, após o anúncio do reforço do investimento na rede UMTS pela TMN. Apesar da revisão em baixa das estimativas, a acção continua correcta, pelo que pode manter em carteira.

  Bolsas em 31/05/05

Bolsa (1)

Evolução no último mês (2)

Evolução nos últimos doze meses (2)

Índice de sobre/sub valorização (3)

Price/Earnings médio do último exercício (4)

Price/Earnings médio do exercício em curso (4)

Euronext Lisboa

-1,1%
4,2%
-0,6
16,4
14,4

Eurnonext Amesterdão

5,0%
14,5%
0,2
11,9
10,5

Euronext Bruxelas

1,6%
33,5%
-0,2
12,4
11,6

Euronext Paris

5,0%
18,4%
0,5
16,2
12,1

Frankfurt

5,3%
12,9%
0,9
18,9
12,5

Londres

3,7%
14,4%
-0,7
20,5
12,4

Madrid

4,9%
22,9%
0,0
17,8
14,1

Milão

2,9%
23,9%
-0,2
17,8
13,7

Nova Iorque

8,3%
7,8%
0,0
19,6
16,0

Sidney

4,7%
29,0%
-0,7
n.d.
n.d.

Tóquio

3,5%
2,6%
1,3
n.d.
n.d.

Zurique

4,1%
11,0%
0,0
18,6
14,6


Fonte: Poupança Acções (1) Índices Datastream, excepto Lisboa (PSI-20). (2) Em euros. (3) Um valor do índice inferior a -0,5 indica que a bolsa está subvalorizada, entre -0,5 e 0,5 que está a um nível correcto e mais de 0,5 que está sobrevalorizada. Este índice considera as taxas de juro de longo prazo, a taxa de câmbio e o risco associado a cada Bolsa. (4) Cotação/Lucros correntes (sem elementos excepcionais). n.d. = não disponível.

21.06.2005

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