|
O ano começou de feição para as Bolsas europeias, com os principais mercados a registarem ganhos e com a praça lisboeta a destacar-se pela positiva. Pelo contrário, 2005 não trouxe novidades para os depósitos a prazo e os Certificados de Aforro cujas taxas de juro permanecem sem alterações significativas há muitos meses.
- Rendimento Garantido: taxa dos Certificados mantém-se em 1,6%
As taxas dos depósitos e Certificados de Aforro mantêm-se sem alterações significativas. Em Fevereiro, as novas subscrições e renovações dos Certificados de Aforro são feitas à taxa líquida de 1,6%.
- Câmbios, Inflação e Taxas de Juro: dólar recupera face ao euro
As melhores perspectivas de crescimento nos Estados Unidos e o maior diferencial de taxas de juro deverão continuar a beneficiar o dólar a longo prazo.
- Mercados bolsistas: Lisboa liderou ganhos em Janeiro
Num contexto de abrandamento económico, as Bolsas europeias mantiveram a tendência de subida em Janeiro. Lisboa liderou os ganhos com uma valorização de 5,5%. Nos Estados Unidos, a prestação foi menos brilhante, embora medidos em euros, os índices tenham encerrado positivos devido à apreciação do dólar face à moeda única.
1. Rendimento Garantido:
Taxa dos Certificados de Aforro mantém-se em 1,6%
A taxa base líquida dos Certificados de Aforro mantém-se em 1,6% no mês de Fevereiro. Desde Julho de 2003 que esta taxa permanece no intervalo compreendido entre 1,4% e 1,6%, devido à estabilidade das taxas de juro de curto prazo. A taxa dos Certificados é actualizada mensalmente com base nas últimas vinte observações da Euribor a três e doze meses do mês anterior. A vantagem, face aos depósitos, reside no prémio de permanência semestral líquido de 0,2%, após os primeiros seis meses, até ao máximo de 1,6%, atingido no início do quinto ano de aplicação.
Depósitos online são mais rentáveis
As taxas de juro dos depósitos bancários continuam sem mostrar sinais de recuperação. No entanto, têm surgido novos depósitos para os utilizadores dos serviços Internet banking. O serviço BCAGlob@l disponibiliza alguns depósitos a prazo com taxas definidas para quem subscrever até dia 15 de Março.
- Actualmente, o melhor depósito a um ano, o BPN Global 3%, rende 2,4%, em termos líquidos. Mas é só para quem tem um montante superior a €50.000. O BCAGlob@l rende 2,2% para um montante mínimo de €500. A taxa média de um depósito de €5.000 a um ano é apenas de 1,1%. Assim, há muitas instituições a remunerar abaixo desse valor.
- Também a seis meses o BPN Global 3% proporciona 2,4% de rendimento, mas apenas para montantes superiores a €50.000. Se não tem um montante tão elevado, opte pelo BCAGlob@l (2,2%).
- É também na banca online que consegue as melhores remunerações para depósitos de prazo até três meses: o Super Depósito da Bigonline rende 3%, mas apenas nos primeiros três meses da aplicação. O BCAGlob@l remunera a 2% e requer um montante mínimo de €500. Para períodos de um mês, o BNC NetPrazo é remunerado à taxa Euribor na data da contratação, adicionada de um "bónus" de 0,5% brutos. Actualmente, proporciona 2,1%. Em alternativa, quem necessite de maior liquidez, pode optar pela conta à ordem da Bigonline ou do Banco Best, cujo rendimento é superior ao de muitas contas a prazo (1,8% e 1,6%, respectivamente).
|
Certificados de Aforro |
|
Taxa base (1) |
Prémio de permanência (2) |
|
1,6 % |
0,2 % |
Fonte: Poupança Quinze (1) Taxa anual nominal líquida garantida por três meses, para os Certificados subscritos em Fevereiro de 2005 ou que iniciem um novo período de contagem de juros. (2) Taxa anual líquida a adicionar, por cada semestre decorrido, à taxa base, com início no segundo semestre e até um máximo de 1,6%.
|
Depósitos a Prazo (1) |
|
Taxa média (2) |
Melhor taxa (3) |
|
1,1 % |
2,2 % |
Fonte: Poupança Quinze (1) Taxas anuais nominais líquidas para remunerar um depósito de 5 000 euros a um ano. (2) Média das taxas indicativas praticadas pelos bancos em 04/02/05. (3) BCAGlob@l.
2. Câmbios, Inflação e Taxas de Juro
Depois da febre que atingiu os mercados cambiais nos últimos dias de 2004, com o euro a atingir novos máximos face ao dólar, a situação parece mais estável. A nota verde apreciou-se face ao euro em Janeiro e apanhou, em contra-pé, os investidores que apostavam no prosseguimento da queda do dólar. Face a uma economia americana robusta, a zona euro continua com um crescimento hesitante. Esta diferença reflecte-se no sentimento dos agentes económicos. Enquanto que a confiança dos consumidores americanos está em alta, os inquéritos de conjuntura continuam a marcar passo na zona euro. As perspectivas de inflação e das taxas de juro favorecem igualmente uma apreciação do dólar. Assim, a Reserva Federal norte-americana aumentou a taxa directora e não restam dúvidas que irá proceder a novas subidas nos próximos meses para conter eventuais pressões inflacionistas. Pelo contrário, o Banco Central Europeu manteve a taxa de juro directora do euro e mostra-se confiante sobre a progressão favorável dos preços, adoptando uma postura neutra que exclui subidas das taxas no imediato.
Nos próximos meses, a evolução da taxa de câmbio euro-dólar dependerá da diferença entre o rendimento das obrigações europeias e americanas, mas sobretudo da discussão que envolve os Estados Unidos e a Ásia a propósito das taxas de câmbio bilaterais. A subavaliação das moedas asiáticas, denunciada desde há muito pelos Estados Unidos e recentemente também criticada pela Europa, está agora no centro do debate. Se as pressões para uma apreciação das divisas asiáticas e do yuan em particular não deverão ter qualquer resultado a médio prazo, o aligeiramento da retórica oficial poderá desde já constituir um forte sinal para os mercados.
|
Câmbios em 31/01/05 |
|
Cód. ISO |
Moeda |
Câmbio
em euros |
Variação face ao euro
% |
Flutuações |
Perspectivas (1) |
|
1 mês |
1 ano |
1 ano |
Longo prazo |
|
GBP |
Libra esterlina |
1,4469 |
2,4 |
-1,3 |
Moderadas |
- |
= |
|
CHF |
Franco suíço |
0,6455 |
-0.2 |
-1.1 |
Moderadas |
= |
+ |
|
DKK |
Coroa dinamarquesa |
0,1344 |
0,0 |
0,1 |
Reduzidas |
= |
= |
|
SEK |
Coroa sueca |
0,1098 |
-0,8 |
1,1 |
Moderadas |
+ |
++ |
|
NOK |
Coroa norueguesa |
0,1207 |
-0,6 |
5,2 |
Moderadas |
= |
- |
|
USD |
Dólar americano |
0,7671 |
4,3 |
-4,7 |
Elevadas |
+ |
++ |
|
CAD |
Dólar canadiano |
0,6183 |
0,7 |
2,2 |
Elevadas |
+ |
++ |
|
AUD |
Dólar australiano |
0,5945 |
3,1 |
-3,0 |
Elevadas |
+ |
+ |
|
JPY |
Iene japonês (100) |
0,7415 |
3,3 |
-2,5 |
Elevadas |
= |
++ |
Fonte: Poupança Quinze (1) -- forte depreciação; - ligeira depreciação; = estável; + ligeira apreciação; ++ forte apreciação.
|
Taxas em
31/01/05 |
|
Cód. ISO |
Inflação (1) |
Taxas de juro a 3 meses |
Taxas de juro a 10 anos |
|
(%) |
Mês |
Valor em (%) |
Tendência (2) |
Valor em (%) |
Tendência (2) |
|
EUR |
2,4 |
Dez |
2,14 |
= |
3,41 |
+ |
|
GBP |
1,6 |
Dez |
4,83 |
= |
4,59 |
+ |
|
CHF |
1,3 |
Dez |
0,75 |
+ |
2,05 |
+ |
|
USD |
3,3 |
Dez |
2,73 |
+ |
4,07 |
+ |
|
CAD |
1,7 |
Dez |
2,58 |
+ |
4,13 |
+ |
|
AUD |
2,6 |
Set |
5,61 |
= |
5,38 |
+ |
|
JPY |
-0,2 |
Nov |
0,02 |
= |
1,03 |
= |
Fonte: Poupança Quinze (1) Variação dos preços face ao mesmo mês do ano anterior. (2) - diminuição; = estável; + subida.
3. Mercados bolsistas
Entre o ritmo insuficiente de criação de empregos e a boa resistência da confiança dos consumidores, as estatísticas económicas americanas, mais uma vez, espelharam os lados positivo e negativo sobre o vigor do crescimento do outro lado do Atlântico. Na ausência de notícias positivas marcantes, os mercados americanos registaram um balanço mensal ligeiramente negativo. Todavia, em euros, o saldo foi positivo devido à apreciação da nota verde face à moeda única. Na Europa, os mercados mostraram mais força, com diversas Bolsas a registarem valorizações acentuadas, pese embora o tímido desempenho da economia. Lisboa comandou os ganhos ao terminar com uma valorização de 5,5%, Amesterdão subiu 4,1%, Londres 4%, enquanto Paris e Madrid avançaram ambas 3,1%.
No plano sectorial, os destaques pela positiva vão para as empresas petrolíferas que foram ajudadas pela recuperação do preço do petróleo e para as empresas de distribuição alimentar que beneficiaram da divulgação de bons números relativamente às vendas de 2004 e de alguns rumores sobre a consolidação do sector. Para além destes, realce ainda para o sector de serviços públicos que face ao abrandamento esperado do crescimento económico e às baixas taxas de juro continuaram a tirar partido do seu estatuto defensivo e da capacidade de distribuir generosos dividendos. Pela negativa, somente dois sectores evoluíram em baixa: as farmacêuticas, que continuaram a sofrer os riscos relativos aos efeitos de certos medicamentos, e as tecnológicas afectadas pelo excesso de capacidade no mercado de semicondutores.
Por cá, o PSI-20 registou uma forte valorização (+5,5%) tendo ultrapassado a barreira psicológica dos 8000 pontos. Dos vinte títulos que entram para a sua composição, catorze fecharam positivos, um inalterado e somente cinco fecharam negativos (mas com perdas ligeiras). Várias acções bateram máximos anuais sucessivos (Jerónimo Martins, PT Multimedia, Semapa, SonaeCom, Sonae, entre outras), com destaque para a Brisa que atingiu um novo máximo histórico. Entretanto, gradualmente, começam a ser conhecidos resultados referentes a 2004. A banca abriu a época com os lucros do BCP, BPI e BES a situarem-se um pouco acima das expectativas. Contudo, teremos que esperar até Março para ver como evoluiu o desempenho do grosso da caravana das empresas nacionais.
|
Bolsas em
31/01/05
|
|
Bolsa (1) |
Evolução no último mês (2) |
Evolução nos últimos doze meses (2) |
Índice de sobre/sub valorização (3) |
Price/Earnings médio do último exercício (4) |
Price/Earnings médio do exercício em curso (4) |
|
Euronext Lisboa |
5,5% |
14,3% |
-0,4 |
17,1 |
14,2 |
|
Eurnonext Amesterdão |
4,1% |
10,6% |
0,2 |
12,0 |
11,1 |
|
Euronext Bruxelas |
2,9% |
33,4% |
0,0 |
12,9 |
11,8 |
|
Euronext Paris |
3,1% |
13,6% |
0,6 |
23,3 |
12,7 |
|
Frankfurt |
1,0% |
6,2% |
0,9 |
17,4 |
12,2 |
|
Londres |
4,0% |
13,7% |
-0,6 |
18,8 |
15,5 |
|
Madrid |
3,1% |
20,1% |
0,1 |
17,7 |
14,3 |
|
Milão |
2,8% |
23,4% |
0,3 |
19,4 |
14,8 |
|
Nova Iorque |
1,8% |
1,7% |
0,1 |
17,9 |
16,2 |
|
Sidney |
5,4% |
25,6% |
-0,6 |
n.d. |
n.d. |
|
Tóquio |
3,0% |
7,5% |
1,4 |
n.d. |
n.d. |
|
Zurique |
1,8% |
5,4% |
-0,1 |
17,6 |
12,7 |
Fonte: Poupança Acções (1) Índices Datastream, excepto Lisboa (PSI-20). (2) Em euros. (3) Um valor do índice inferior a -0,5 indica que a bolsa está subvalorizada, entre -0,5 e 0,5 que está a um nível correcto e mais de 0,5 que está sobrevalorizada. Este índice considera as taxas de juro de longo prazo, a taxa de câmbio e o risco associado a cada Bolsa. (4) Cotação/Lucros correntes (sem elementos excepcionais). n.d. = não disponível.
10.02.2005
|