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Bolsas em queda

Os principais mercados bolsistas recuaram em Abril devido às incertezas sobre a economia e às revisões em baixa das estimativas de diversas empresas para os resultados de 2005. Nos depósitos o panorama manteve-se inalterado e as taxas de juro continuam aquém da inflação esperada este ano.

 

  1. Rendimento Garantido: taxa dos Certificados mantém-se
    Em Maio, as novas subscrições e renovações de Certificados de Aforro serão efectuadas à taxa base de 1,6% líquida. A maior parte dos depósitos proporcionam rendimentos abaixo da inflação esperada.
  2. Câmbios, Inflação e Taxas de Juro: taxas de longo prazo recuam
    Na zona euro, o crescimento mantém-se fraco, enquanto nos Estados Unidos as preocupações centram-se em torno da inflação.
  3. Mercados bolsistas: Abril no vermelho
    Os principais mercados bolsistas recuaram em Abril. Na origem desta queda, para além das incertezas quanto ao ritmo de retoma económica, estiveram ainda as revisões em baixa das estimativas anunciadas por diversas empresas para os resultados deste ano.

 

1. Rendimento Garantido:

Taxa dos Certificados mantém-se em 1,6%
Desde Julho de 2003 que as alterações registadas na taxa base dos Certificados são pouco significativas, variando entre 1,4% e 1,6%. Em termos arredondados, a taxa mantém-se em 1,6% desde Outubro de 2004. Este comportamento deve-se à estabilidade das taxas de curto prazo, nomeadamente a Euribor, da qual depende o seu cálculo.
Mas, apesar do nível reduzido da taxa base, esta aplicação continua a ser interessante para quem queira aplicar a médio prazo, sem risco e com elevada liquidez. O prémio de permanência semestral de 0,2% líquido após os primeiros seis meses, até ao máximo de 1,6%, é a principal vantagem desta tradicional aplicação de aforro. Tem sido frequente o lançamento de produtos de aforro com taxa crescente, sob a forma de depósito ou obrigação de caixa. Contudo, na maioria dos casos, proporcionam rendimento inferior aos dos Certificados e têm maiores restrições de liquidez.

Maioria dos depósitos abaixo da inflação prevista
Tendo em conta que a Comissão Europeia prevê, para Portugal, uma inflação de 2,3%, são poucos os depósitos que proporcionarão um rendimento real positivo. Com efeito, a taxa média de um depósito de 5.000 euros a um ano é apenas de 1,2% líquida. Abaixo da inflação, mas com a melhor taxa para esse prazo está o Super Depósito Banif@st , que rende 2,2%.
Acima deste está o BPN Global 3%, que rende 2,4% mas apenas para quem tenha montantes superiores a 50.000 euros (para prazos de seis e doze meses). Também o Super Depósito da Bigonline, proporciona um rendimento acima da inflação (3%), mas apenas para prazos de três meses.
As contas à ordem na banca online são uma alternativa às contas a prazo: na Bigonline à taxa anual líquida é de 1,8% e no Banco Best de 1,6%.

Certificados de Aforro

Taxa base (1)

Prémio de permanência (2)

1,6%

0,2%

Fonte: Poupança Quinze (1) Taxa anual nominal líquida garantida por três meses, para os Certificados subscritos em Maio de 2005 ou que iniciem um novo período de contagem de juros. (2) Taxa anual líquida a adicionar, por cada semestre decorrido, à taxa base, com início no segundo semestre e até um máximo de 1,6%.

Depósitos a Prazo (1)

Taxa média (2)

Melhor taxa (3)

1,2%

2,2%

Fonte: Poupança Quinze (1)Taxas anuais nominais líquidas para remunerar um depósito de 5 000 euros a um ano. (2) Média das taxas indicativas praticadas pelos bancos em 29/04/05. (3) Super Depósito Banif@st (Banif).

2. Câmbios, Inflação e Taxas de Juro

Os dados provenientes da zona euro apontam para um claro abrandamento da actividade económica. Um pouco por toda a parte, a confiança dos empresários deteriora-se e os consumidores também se mantêm pessimistas devido à situação do mercado de trabalho.
Nos Estados Unidos, é o fraco crescimento dos salários e a subida da inflação que constituem preocupação. Após vários trimestres centrados na quantidade de postos de trabalho criados além-Atlântico, actualmente é a qualidade desse emprego e o recuo do poder de compra do consumidor americano que atrai as atenções. Perante o pouco entusiasmo dos consumidores europeus e japoneses, os Estados Unidos e a China são as grandes fontes de procura a nível mundial. A perspectiva de abrandamento destas duas grandes economias inquieta os mercados e levou ao recuo das principais Bolsas em Abril.
No mercado de obrigações, as taxas de juro de longo prazo recuaram de novo para mínimos históricos, um sinal de que a esperança de aceleração do crescimento europeu vai desaparecendo, dando lugar a um horizonte mais sombrio.
Nos Estados Unidos, a inflação está em alta mas a Reserva Federal deverá manter a subida moderada das taxas de juro porque o crescimento caiu para 3,1% e está no nível mais baixo dos últimos dois anos. Contudo, esta estratégia poderá ser tida como insuficiente pelos mercados, caso a inflação continue a avançar. Dessa forma, não se pode excluir uma subida das taxas de longo prazo. Do lado do Banco Central Europeu, o status quo deverá manter-se, apesar de algumas vozes pedirem uma redução das taxas para favorecer o crescimento da economia. A inflação, apesar de contida, atinge 2,1%, o que fica ligeiramente acima do limite de 2% fixado pelo Banco Central Europeu. Quanto às taxas de longo prazo, as taxas europeias mantêm-se bastante baixas mas acabarão por ter de subir. Contudo, dadas as ténues perspectivas de crescimento económico em 2005, esse ajustamento poderá demorar tempo.

Câmbios em 29/04/05

Cód. ISO

Moeda

Câmbio
em euros

Variação face ao euro
%
Flutuações
Perspectivas (1)

1 mês

1 ano

1 ano

Longo prazo

GBP

Libra esterlina

1,4794

1,8

0,0

Moderadas

-

-

CHF

Franco suíço

0,6507

0,8

1,1

Moderadas

=

+

DKK

Coroa dinamarquesa

0,1343
0,0
-0,1
Reduzidas
=
=
SEK

Coroa sueca

0,1087
-0,5
-0,4
Moderadas
+
++
NOK

Coroa norueguesa

0,1231
1,0
1,2
Moderadas
=
-
USD

Dólar americano

0,7746
0,7
-7,1
Elevadas
+
++
CAD

Dólar canadiano

0,6172
-3,0
1,8
Elevadas
+
++
AUD

Dólar australiano

0,6048
1,6
0,4
Elevadas
+
=
JPY

Iene japonês (100)

0,7383
2,6
-2,3
Elevadas
=
++

Fonte: Poupança Quinze (1) -- forte depreciação; - ligeira depreciação; = estável; + ligeira apreciação; ++ forte apreciação.

Taxas em 29/04/05

 

Cód. ISO

Inflação (1)

Taxas de juro a 3 meses

Taxas de juro a 10 anos

(%)

Mês

Valor em (%)

Tendência (2)

Valor em (%)

Tendência (2)

EUR
2,1
Abr
2,13
=
3,31
+
GBP
1,9
Mar
4,88
=
4,52
+
CHF
1,4
Mar
0,70
+
1,80
+
USD
3,1
Mar
3,17
+
4,14
+
CAD
1,9
Mar
2,58
+
4,06
+
AUD
2,4
Mar
5,86
+
5,34
+
JPY
-0,3
Mar
0,02
=
0,94
=

Fonte: Poupança Quinze (1)Variação dos preços face ao mesmo mês do ano anterior. (2) - diminuição; = estável; + subida.

3. Mercados bolsistas

Em Abril, as principais praças financeiras registaram perdas significativas. Amesterdão liderou as quedas ao recuar 4,9%, enquanto Frankfurt e Milão caíram 3,9 e 3,7%, respectivamente. Nem o facto dos preços petrolíferos terem descido ligeiramente dado o bom nível das reservas americanas conseguiu dar ânimo aos investidores. Com efeito, a publicação de estatísticas macroeconómicas na Europa e nos Estados Unidos revelam um abrandamento do crescimento mais acentuado que o previsto. Além disso, após os bons resultados de 2004, as previsões das empresas para 2005 foram marcadas pela prudência. Ainda assim, alguns resultados do primeiro trimestre foram positivos, casos da Intel e da Nokia, mas o mercado deu maior importância aos resultados decepcionantes de vários “pesos pesados”, como a IBM, a Phillips ou a Apple.

No plano sectorial, à parte das empresas ligadas à prestação de serviços públicos que resistiram bem graças aos seus dividendos, apenas os valores farmacêuticos resistiram à intempérie. Após terem sido afectadas pela incerteza em torno dos efeitos de certos medicamentos, estas acções regressaram em força impulsionadas pelas previsões favoráveis da Pfizer e da Roche, bem como por uma decisão judicial favorável à protecção de uma licença da Eli Lilly até 2011. Todos os outros sectores terminaram no vermelho em Abril, e como no mês anterior, um dos mais prejudicados foi a indústria automóvel. Após a General Motors, coube agora à Ford lançar um aviso sobre os seus resultados, enquanto a DaimlerChrysler anunciou custos de reestruturação. Já a indústria de base antecipa uma queda dos preços das matérias-primas. Os desequilíbrios entre a oferta e a procura deverão ser menores, dado o abrandamento conjuntural e o aumento da capacidade de produção.

Por cá, o PSI-20 recuou 2,3% condicionado sobretudo pelo ajuste em baixa de algumas cotações ao dividendo líquido distribuído. Quanto a resultados, diversas empresas já deram a conhecer os seus números, com o saldo a ser globalmente positivo. Entre elas contam-se o BCP, o BPI, a Jerónimo Martins, a Novabase… Ainda sem ter anunciado as suas contas, a Sonae (+6%) foi a acção em maior destaque em Abril. Para tal, foi importante a excelente prestação da Indústria no primeiro trimestre e o anúncio que a cisão irá acontecer ainda no primeiro semestre deste ano. Do lado negativo, destaque para a Portugal Telecom que recuou 6%, com o mercado a recear pelos resultados trimestrais que, contudo, acabaram por não descer tanto quanto se estava à espera.

  Bolsas em 29/04/05

Bolsa (1)

Evolução no último mês (2)

Evolução nos últimos doze meses (2)

Índice de sobre/sub valorização (3)

Price/Earnings médio do último exercício (4)

Price/Earnings médio do exercício em curso (4)

Euronext Lisboa

-2,3%
1,4%
-0,5
16,5
14,1

Eurnonext Amesterdão

-4,9%
8,3%
0,2
11,3
10,3

Euronext Bruxelas

-2,8%
30,8%
-0,2
12,1
11,5

Euronext Paris

-3,1%
12,6%
0,5
15,1
11,6

Frankfurt

-3,9%
5,7%
0,9
17,7
12,0

Londres

-0,6%
10,5%
-0,6
19,5
12,2

Madrid

-2,2%
15,1%
0,0
17,1
13,6

Milão

-3,7%
18,0%
-0,2
17,4
13,2

Nova Iorque

-1,3%
-1,0%
0,1
19,2
15,7

Sidney

-1,2%
21,7%
-0,5
n.d.
n.d.

Tóquio

-1,6%
-6,9%
1,3
n.d.
n.d.

Zurique

-0,1%
5,9%
-0,1
17,8
13,6

Fonte: Poupança Acções (1) Índices Datastream, excepto Lisboa (PSI-20). (2) Em euros. (3) Um valor do índice inferior a -0,5 indica que a bolsa está subvalorizada, entre -0,5 e 0,5 que está a um nível correcto e mais de 0,5 que está sobrevalorizada. Este índice considera as taxas de juro de longo prazo, a taxa de câmbio e o risco associado a cada Bolsa. (4) Cotação/Lucros correntes (sem elementos excepcionais). n.d. = não disponível.

12.05.2005

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