Muito mais caros do que o leite de vaca, os
chamados “leites de crescimento” não
são indispensáveis para o bom
desenvolvimento das crianças. Com uma
alimentação variada, obtêm os
nutrientes
de que precisa.
Uma
alternativa bem mais
cara
Estão à venda em qualquer
superfície
comercial e anunciam-se como “leites de
crescimento” para crianças. Os pais compram-nos,
julgando que se trata de produtos
essenciais para o bom crescimento dos mais pequenos.
Contudo, os leites enriquecidos em vitaminas
e minerais não trazem vantagens adicionais face ao leite de
vaca meio-gordo.
Além disso, podem custar o dobro ou até o triplo
do leite tradicional.
A maioria desses produtos, para crianças
entre 1 e 3 anos e a partir dos 3 anos, tem mais calorias do que o
leite de
vaca meio-gordo. Alguns deles contêm ainda sacarose
adicionada (vulgo açúcar), ao
contrário do leite de vaca, que apenas contém
lactose. Os fabricantes apostam na adição de
açúcar, aroma a baunilha ou
cereais, para cativar os mais novos. Habituadas ao sabor doce, as
crianças
podem ter uma adaptação mais difícil
ao sabor natural dos alimentos. Mais
tarde, pode haver um maior risco de sofrer de obesidade e de
formação de cáries
dentárias.
O consumo destes leites enriquecidos só
poderá beneficiar as crianças com problemas de
apetite, se tal for indicado
pelo médico. Para as outras, uma
alimentação variada e equilibrada, sobretudo
rica em fruta, vegetais, cereais, ovos e peixe gordo, permite obter
todos os
nutrientes de que precisam.
A mais-valia destes leites é o facto de serem
enriquecidos com ácidos gordos essenciais. Estes
não são produzidos pelo nosso
organismo. Logo, temos de ingeri-los pelos alimentos.
Mesmo assim, é preciso algum cuidado para
evitar os excessos de vitaminas A, E, C e D e de cálcio no
organismo das crianças.
Antes de comprar, verifique na embalagem qual a
contribuição do produto para as
doses diárias recomendadas.
Regras
de ouro
O leite, fonte de cálcio, é essencial
para o bom crescimento da criança.
Até aos 4 ou 6 meses, o bebé é apenas
alimentado com leite (materno ou fórmulas
de transição). A partir desta idade, o organismo
já está apto a ingerir novos
alimentos sob a forma de papas de cereais e purés de fruta e
de legumes. É
altura de diversificar a alimentação e
experimentar novos sabores e texturas,
sempre segundo a orientação do pediatra.
Introduzir um alimento novo de cada
vez permite identificar logo eventuais alergias ou
intolerâncias.
Não se deve dar papas com glúten
antes dos 6 meses. Para os purés de
legumes, comece pelos mais fáceis de digerir: a batata, a
cenoura, a abóbora, a
alface e o feijão verde. Depois, vá introduzindo
um a um sabores mais fortes,
como brócolos, cebola, alho francês e couve-flor.
A pêra, a maçã e a banana
são as primeiras frutas a introduzir. Depois dos
9 meses, pode começar a oferecer-lhe outras frutas como
manga, papaia e
pêssego. Os citrinos e os morangos, muito
alergénicos, apenas são indicados a
partir de um ano.
A gema de ovo pode ser incorporada nas
refeições do bebé a partir dos 9
meses, mas a clara só depois dos 12 meses.
A partir de um ano, e desde que o bebé
não seja alérgico ou intolerante ao
leite, pode começar a beber leite de vaca. Meio litro por
dia, ou o equivalente
noutros alimentos lácteos (como iogurtes e queijo), satisfaz
a necessidade
diária de 400 miligramas de
cálcio.
Não adicione sal nem
açúcar à comida. Um fio de azeite na
sopa, já no fim
da cozedura, dá-lhe sabor. A comida já pronta a
consumir, como os boiões de
carne, legumes ou fruta, é útil, mas
não deve substituir a alimentação
preparada em casa. Reserve os boiões para
ocasiões em que são mesmo práticos,
como, por exemplo, viagens ou saídas.