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A DECO PROTESTE pôs à prova 30 Centros de Inspecção Técnica de Veículos (CITV) e os resultados
são alarmantes: desatenção, falta de rigor e facilitismo caracterizam o serviço prestado.
Aquela associação de consumidores seleccionou 30 centros nos distritos de Aveiro, Coimbra, Faro, Leiria, Lisboa, Porto, Santarém e Setúbal e levou anonimamente, entre Março e Maio, carros ligeiros à inspecção periódica. Objectivo: testar a eficácia dos centros de inspecção a detectar e registar falhas.
Para os automóveis ficarem em situação semelhante, foi provocado, em todos, o mesmo conjunto de deficiências estandardizadas (duas menos graves, designadas de tipo 1 e quatro mais graves, de tipo 2). Nas primeiras, incluem-se a escova do limpa pára-brisas danificada e a bateria com folga. Nas segundas, o fecho do cinto de segurança do passageiro da frente obstruído, pneus diferentes no mesmo eixo, desalinhamento do médio esquerdo e luz de nevoeiro traseira com fraca intensidade.
Controlo às cegas
Segundo a DECO PROTESTE, devido às falhas técnicas provocadas, nenhum dos carros estava em condições de ser aprovado. Bastava ser detectada uma deficiência de tipo 2 para este chumbar. “Mas o exame dos inspectores revelou-se pouco rigoroso e ineficaz. Nenhum centro detectou todas as deficiências e, escandalosamente, nove carros passaram sem ser apontada nenhuma das falhas técnicas implementadas”, denuncia aquela revista.
A DECO PROTESTE verificou que muitos pontos de controlo obrigatório, onde se incluem as deficiências provocadas, não são devidamente vistoriados pelos inspectores.
Uma inspecção rigorosa implica que cada ponto seja sujeito a exame visual e a verificação do funcionamento, se for caso disso. Detectada a falha, esta tem de ser registada na ficha de inspecção.
Na ronda pelos 30 CITV verificou-se que os inspectores foram pouco criteriosos. Segundo esta associação de consumidores, “Alguns «esqueceram-se» de examinar um ou mais pontos, outros limitaram-se a observá-lo sem verificar o seu funcionamento”.
Mas mesmo quando todos os procedimentos foram aparentemente cumpridos, a inspecção não foi eficaz e muitas das deficiências introduzidas não foram detectadas.
Reinspeccionar os centros
O bom funcionamento dos centros permite detectar e reparar deficiências, diminuindo o risco de acidente. Mas os maus resultados deste estudo revelam que o actual sistema de inspecções periódicas não serve os fins a que se destina. “É, de facto, inadmissível que muitas falhas, mesmo as mais graves, passem despercebidas e que o resultado das inspecções varie de centro para centro”, salienta a associação.
A DECO já denunciou a situação à Direcção-Geral de Viação (DGV), ao Ministério da Administração Interna e ao Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, que ao abrigo do programa Prace passará a tutelar a DGV. E pergunta: “Chumbámos 30 centros de inspecção. Quando pensa a DGV corrigir as falhas detectadas e pedir a sua reinspecção?”.
| PRO TESTE n.º 272 - Setembro de 2006 - páginas 8 a 12 |
30.08.2006
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