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Conduzir em excesso de velocidade, cansado, sob o efeito do álcool ou a falar ao telemóvel e não respeitar os semáforos são comportamentos frequentes na estrada e importantes causas de acidente. Estas são as conclusões de um inquérito a mais de 12 mil condutores europeus, dos quais 3670 portugueses, publicado na edição de Junho da revista PRO TESTE.
O estudo realizado no final de 2005, pela DECO PROTESTE e associações de consumidores da Bélgica, Espanha e Itália, revela que mais de um terço dos inquiridos ultrapassa, com regularidade, os limites de velocidade em mais de 20 km. Tal sucede tanto nas localidades, como em auto-estradas e outros itinerários. Dentro das cidades, apenas 19% cumprem limites do Código da Estrada.
Os portugueses, sobretudo homens e jovens, são os que confessam ultrapassar os limites de velocidade com maior frequência.
Cerca de um quinto dos inquiridos revela que conduz cansado com alguma frequência. Este comportamento não é recomendável, já que diminui a capacidade de reacção em situações de perigo. Grave é também “ir para a estrada” sob o efeito do álcool. Cerca de 40%, ainda que raramente, conduzem após “beber um copo a mais”.
Outro comportamento arriscado ao volante é usar o telemóvel, tanto para falar, como enviar mensagens escritas. Mais de metade fazem-no sem um sistema “mãos-livres”. Cerca de 13%, com especial destaque para os jovens dos 18 aos 25 anos, confessam enviar mensagens enquanto conduzem.
O cinto de segurança, de uso obrigatório, ainda não é aceite por todos. A maioria dos inquiridos coloca-o nas auto-estradas e itinerários principais, mas nem todos revelam a mesma atitude em percursos curtos ou dentro da cidade. Ou seja, há quem pense que, se a velocidade for inferior, não precisa do cinto. Nada mais errado: os testes de colisão efectuados pela associação de consumidores revelam que as consequências de um acidente a 64 km/h são muito graves, sobretudo para quem não usa cinto.
A maioria dos condutores revela ainda falta de respeito pelos semáforos. Apenas 9% dos inquiridos afirma reduzir sempre a velocidade quando surge o amarelo. O vermelho merece mais respeito, mas ainda há quem, de vez em quando, o passe sem parar.
Os comportamentos de risco na estrada causam acidente. A maioria dos inquiridos já esteve envolvido num desde que começou a conduzir e mais de um quarto, nos últimos três anos.
Segundo a PRO TESTE, quanto maior é a tendência para o condutor desrespeitar as regras de trânsito, maior o risco de vir a ter um acidente. Por exemplo, mais de metade das pessoas que não respeita com frequência os semáforos teve um acidente nos três anos anteriores ao estudo. O mesmo sucede a 40% dos que conduzem sob o efeito do álcool com regularidade e a um terço dos que excedem o limite de velocidade.
O comportamento agressivo, como “colar-se” ao carro da frente, apitar ou mostrar desagradado por alguma manobra dos outros também provoca acidentes. Segundo a PRO TESTE, o risco de estes sofrerem um desastre é 38% superior ao dos mais calmos.
Os condutores não são os únicos responsáveis pelos acidentes. A probabilidade de estes ocorrerem e a sua gravidade dependem também da segurança do veículo e da estrada, segundo várias investigações internacionais referidas na edição de Junho da TESTE SAÚDE. Por exemplo, a grande intensidade do tráfego e os obstáculos na faixa de rodagem, como pedaços de madeira e sinais partidos, aumentam o risco de acidente. O mesmo acontece com as vias mal planeadas, com desenho e limites de velocidade desadequados ao tipo de estrada, bem como a falta de separação entre zonas de peões e automóveis.
Face a estes resultados e para reduzir os acidentes de viação, a DECO considera indispensável actuar em várias frentes:
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a Direcção-Geral de Viação deverá investir mais na divulgação das regras de trânsito e na sensibilização para o respeito das mesmas;
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as escolas de condução têm de apostar mais no ensino da condução “cívica” . É importante tornar públicos os resultados do controlo que a Direcção-Geral de Viação faz a estas escolas, para que os consumidores conheçam os locais com melhor qualidade de ensino;
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ao Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações exige-se o levantamento e divulgação dos “pontos negros” das estradas e a resolução dos problemas com brevidade, tanto ao nível do traçado como da sinalização;
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a este Ministério cabe também planear melhor as vias de comunicação e transportes, tendo em conta os utilizadores. Construir ciclovias, não colocar passadeiras a seguir a rotundas ou curvas e melhorar a rede de transportes públicos são alguns exemplos;
- à polícia cabe reforçar a fiscalização, sobretudo, pela dissuasão. Um carro da Brigada de Trânsito na estrada pode ser mais eficaz do que a “caça à multa”.
A DECO está empenhada em contribuir para travar a guerra do asfalto. Por isso, desenvolverá, durante todo o ano, actividades relacionadas com a mobilidade. Poderá acompanhá-las no sítio da associação (www.deco.proteste.pt), no canal especial dedicado ao assunto. Na próxima semana, lançará um guia com conselhos práticos para conduzir em segurança e um formulário, onde todos os consumidores podem denunciar os “pontos negros” das estradas.
| PRO TESTE n.º 270 e TESTE SAÚDE n.º 61 - edições de Junho de 2006 |
26.05.2006
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