Video: Primeiros passos na Bolsa

A Bolsa não está reservada aos ricos e audaciosos. Qualquer um pode investir, desde que de forma prudente e a longo prazo. Basta ter uma boa estratégia e saber como dar os primeiros passos.

Investir a longo prazo
A longo prazo, o investimento em acções é mais rentável do que as aplicações tradicionais sem risco (depósitos a prazo). É expectável obter um retorno anual de 6 a 7% em acções, contra apenas 3 a 4% por ano em investimentos sem risco (antes de impostos).

Esta diferença tem o efeito de uma bola de neve a longo prazo. Ao fim de dez anos, por exemplo, o capital que investiu em acções deverá ser, pelo menos, dez vezes superior. Mas, atenção, não há garantias de rendimento, nem a certeza de reaver a totalidade do capital investido.

Aplique em Bolsa apenas as poupanças de que não vai precisar nos próximos cinco anos. Com o resto, prepare um pé-de-meia para os imprevistos. Escolha uma aplicação sem risco e com liquidez, que lhe permita levantar o dinheiro em qualquer altura, sem estar sujeito a prazos ou penalizações. Por exemplo, um depósito a um, três, seis ou 12 meses.

Acções ou fundos
A decisão de aplicar as economias em acções ou fundos depende do montante a investir e da disponibilidade para acompanhar o investimento. Se tiver tempo, vontade e conhecimentos financeiros, pode escolher as acções e compor uma carteira. Caso contrário, opte por um fundo, gerido por profissionais.

Regra geral, com menos de 20 mil euros, é preferível optar por um fundo de investimento diversificado, pois tem um risco limitado. É fácil de subscrever e resgatar e exige montantes mínimos acessíveis. Quanto aos rendimentos, não tem de mencioná-los na declaração de IRS, porque já vêm líquidos de impostos.

Para investir directamente em acções, convém dispor de, pelo menos, 20 mil euros. Assim, pode aplicar as suas economias em diversas acções. Cerca de uma dezena é suficiente para reduzir consideravelmente o risco.

Se aplicar um mínimo de 2000 euros por acção, também reduz de forma significativa as comissões do intermediário. Caso não consiga, o peso dos encargos tornará o investimento menos rentável do que um depósito a prazo.

Negociar em Bolsa
Um investidor não pode negociar directamente na Bolsa. Para comprar e vender acções tem de contratar um intermediário autorizado pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários. Pode consultar a lista das entidades habilitadas em Portugal no sítio deste organismo.

Como a maioria dos bancos também já faz serviço de corretagem, alguns investidores preferem continuar a trabalhar com o banco onde já são clientes. Mas esta opção pode não ser a mais vantajosa. No simulador, pode saber qual o intermediário mais barato para o seu perfil, tendo em conta o número de transacções por ano, montante médio das ordens, etc.

Independentemente do que escolher, quase sempre pode dar ordens de Bolsa através de vários canais (balcão, telefone, fax ou Internet). Mas fique atento. Os custos variam muito consoante o corretor e o canal utilizado mas, regra geral, poupa dezenas de euros se negociar pela Net.

Para se estrear, precisa de uma conta aberta. Caso já seja cliente de um banco e queira continuar a trabalhar com a instituição, tem carta-branca para avançar. Se não, terá de abrir uma conta. O processo é simples:

  • Se utilizar uma corretora para negociar em Bolsa, tem de abrir uma conta-títulos, na qual depositará o dinheiro a investir. Esta funciona como uma conta de depósitos à ordem normal;

  • Se abrir conta num banco, à sua conta à ordem principal estará associada uma conta-títulos, com número diferente, onde serão depositadas as acções. Na prática, terá de abrir duas contas.

Dividir para reinar
A Bolsa não é um casino. Muitos investidores inexperientes jogam na Bolsa e esperam ganhar dinheiro em apenas alguns dias ou meses. Mas um investimento por menos de três anos é uma incógnita: ninguém pode prever a evolução do mercado a curto prazo.

O investimento em acções pode dar um rendimento superior ao dos produtos sem risco, se for encarado por um mínimo de 5 anos. A longo prazo, o rendimento deverá rondar a taxa de crescimento da economia; e se lhe juntamos o crescimento dos dividendos divulgados regularmente pelas empresas cotadas, chega-se a um rendimento médio de 6 ou 7% ao ano.

Atenção: um investimento deste tipo tem riscos. Para limitá-los, escolha títulos de diferentes países e sectores da economia. Ao reduzir as flutuações do seu investimento, aumenta a possibilidade de ganhar com o crescimento da economia global.

Gerir a carteira de acções
Depois de constituir uma carteira diversificada ou ter subscrito vários fundos de investimento, não vale a pena multiplicar as acções de compra e venda. Se o fizer, paga comissões de transacção elevadas, fixas ou em função do montante do negócio, que pesam sobre o rendimento. Além destas, tem de contar com a taxa de Bolsa, cobrada pela Euronext Lisboa, custos de guarda de títulos e comissões sobre dividendos. Seja paciente e deixe o seu investimento crescer.

Acompanhe a evolução de qualquer investimento em Bolsa. E investir a longo prazo não é sinónimo de inércia. Reaja oportunamente aos movimentos das empresas, como troca de títulos, emissão de novas acções em aumentos de capital e ofertas públicas de aquisição. Por fim, siga de perto a evolução da cotação das suas acções.