Teste prático: depósito a prazo em dólares

Data da publicação: 24/01/2012

O processo de constituição de um depósito a prazo numa moeda estrangeira é longo e complexo. O tempo perdido não é justificado pelas baixas taxas de juro a receber.

Abrir conta em dólares

Não é fácil criar um depósito a prazo numa moeda estrangeira. Para começar, os bancos não aceitam que abra uma conta numa divisa estrangeira a partir de um depósito ou uma transferência em euros.

Se visitar alguns bancos com um maço de dólares norte-americanos, conseguirá constituir um depósito a prazo em dólares, depois de criar uma conta à ordem em dólares. Porém, se o maço for de euros e se ainda não tiver conta nesse banco, será aconselhado a abrir uma conta à ordem em euros para depositar as suas notas, criar uma conta à ordem em dólares para a qual transferirá o dinheiro (através de conversão cambial) e só depois conseguirá constituir o desejado depósito a prazo em dólares.

Tudo isto leva tempo, porque o Banco de Portugal exige que os bancos façam, “com elevado grau de cuidado”, a comprovação da identidade e da idoneidade do titular das contas.

Depois de preencher todos os formulários e copiar todos os documentos já poderá ter passado mais de uma hora quando chegar a altura de solicitar o depósito em moeda estrangeira. E, se não indagou antes, o cliente bancário poderá ter uma deceção: as taxas de juro tendem a ser muito baixas.

Foi esta experiência que a equipa da Proteste Investe testou entre o final de dezembro e o início de janeiro: como se constitui um depósito numa moeda estrangeira (neste caso, o dólar norte-americano), quais as comissões cobradas, as taxas de câmbio aplicadas e os juros pagos.

 

Comissões só no Millennium bcp

A regra geral é que a taxa de câmbio que serve de referência para realizar a transferência da conta em euros para a conta em dólares já inclui todos os custos, pelo que os bancos não cobram comissões pela operação. A exceção aconteceu no Millennium bcp: o cliente-mistério foi alvo de uma comissão de 1,75 euros.

Apesar do câmbio poder incluir implicitamente alguns custos, as taxas de conversão efetuadas não ficaram muito longe das taxas de referência do Banco Central Europeu. No pior dos casos, na Caixa Geral de Depósitos (CGD), o cliente recebeu na conversão menos 0,4% do que teria recebido se tivesse sido aplicada a taxa do banco central.

A diferença cambial pode parecer pouca, mas, no caso da CGD, é mais de duas vezes superior à taxa de juro anual líquida que o cliente-mistério recebeu no seu depósito em dólares.

 

Juros irrisórios

Se procura rendimento nos depósitos em dólares, esqueça. Essa não é uma razão para contratar este tipo de aplicações. Nos bancos testados pela nossa equipa, a taxa anual líquida foi de 0,32%, em média. Esse valor fica muito longe do que se pode receber nos depósitos a prazo em euros. Em outubro, a taxa bruta média dos depósitos em Portugal foi de 4,57%, o que se traduz agora numa taxa líquida de 3,43%, segundo as estatísticas oficiais.

A CGD foi a que menos pagou no depósito a 6 meses em dólares: a taxa anual líquida oferecida foi de 0,19 por cento. A taxa líquida proposta pelo Santander Totta foi mais baixa, de apenas 0,11%, mas essa instituição apenas tem depósitos a 90 dias.

O melhor pagador nesta investigação foi o Banco Espírito Santo com uma taxa anual líquida de 0,56%, seguido dos 0,38% do Banco BPI e do Millennium bcp. Depois de estudadas as ofertas de 20 bancos nacionais, a melhor taxa nesta área é do PrivatBank: o banco de origem letã paga uma taxa anual líquida até 3,6 por cento. 

 

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