Setor das telecomunicações: campeão dos dividendos
Fuja do cenário de baixas taxas de juro e invista nos setores com os dividendos mais elevados. Nesse campo, os operadores de telecomunicações são campeões.
Há vários anos que os operadores de telecomunicações sentem dificuldades em aumentar o volume de negócios. Muitas empresas passaram de um monopólio para um cenário de forte concorrência num mercado maduro. Algumas das que investiram nos mercados emergentes não encontraram o motor de crescimento desejado, como aconteceu à Vodafone na Índia.
O desenvolvimento do acesso móvel à Internet, através de smartphones e tablets, não beneficia os operadores tanto como os novos concorrentes do setor tecnológico, como a Apple e a Google. É previsível que as companhias de telecomunicações ajustem a sua política tarifária para absorverem parte dos ganhos desses novos concorrentes, através do aumento da cobrança a grandes utilizadores de tráfego de Internet, como o YouTube.
A pressão sobre os lucros culmina no ambiente de crescente regulamentação. É o caso, por exemplo, da redução gradual das tarifas de roaming na Europa.
Dividendos de topo
Apesar das perspetivas de crescimento não entusiasmarem, o setor das telecomunicações continua barato, em grande parte graças aos elevados dividendos. O rendimento dos dividendos (dividendo anual ÷ cotação) é, atualmente, de 5,6%, tornando o setor no mais generoso da bolsa. Embora vários operadores tenham anunciado cortes nos dividendos de 2012, o rendimento continua elevado. Outros operadores, sobretudo os mais endividados, poderão fazer o mesmo.
Os dividendos continuam a ser a principal razão para investir nestas sociedades. Em média, as empresas do setor ofereceram um ganho acumulado de 64,3% através unicamente dos dividendos pagos na última década. Este aspeto é ainda mais relevante na atual conjuntura de crise económica e financeira, em que os investidores se mostram mais avessos a ativos de risco e devem privilegiar o investimento em empresas sólidas e que ofereçam uma boa remuneração.
Portugal Telecom é a mais generosa
Todas as 13 empresas de telecomunicações da nossa seleção oferecem um rendimento bruto do dividendo superior a 4%, mas a Portugal Telecom é a mais generosa: quase 16% por ano, antes de impostos. Este facto está relacionado com a queda da cotação na bolsa no último ano. A má conjuntura económica nacional penaliza os resultados e a evolução da atividade no Brasil, apesar de ter um elevado potencial, está rodeada de alguma incerteza. Veja o conselho.
A outra operadora nacional cotada, a Sonaecom (que controla a Optimus), tem surpreendido o mercado com um bom crescimento dos lucros conseguido exclusivamente graças a uma nítida melhoria da rentabilidade. Contudo, a contínua quebra das receitas, devido sobretudo à retração do mercado nacional, tem pressionado a cotação do título, cujo rendimento do dividendo também é atrativo (6,19%). Veja o conselho.
Vodafone e Telefónica preferidas
Além dos dividendos, outro dos trunfos do setor, sobretudo nesta altura de crise, é o seu caráter defensivo. Os operadores de telecomunicações não escaparam à queda das bolsas, mas a evolução das cotações tem superado um pouco a média nos últimos anos, como pode confirmar na figura ao lado. O setor continua barato e deve fazer parte de uma carteira diversificada.
As nossas ações preferidas do setor são da britânica Vodafone e da espanhola Telefónica, que, ao contrário de outros operadores, estão bem implementadas nos países emergentes. Veja os nossos conselhos de compra.
Investir através de fundos
Além de comprar ações diretamente no mercado, outra forma de investir no setor das telecomunicações é através de fundos de investimento. Neste caso, pode aplicar até 5% das suas poupanças no fundo de ações setoriais recomendado.
Alianças mas sem aquisições
O setor não está de braços cruzados perante os desafios. As empresas de telecomunicações apostam no lançamento de novos serviços (por exemplo, a oferta combinada de telefone fixo e móvel, televisão e Internet) e concentram-se na redução de custos.
Para isso, há uma crescente colaboração entre os várias operadores: partilha de infraestruturas, à semelhança do acordo entre a Vodafone e a Telefónica no Reino Unido e entre a Vodafone e a Optimus em Portugal; parcerias, como é exemplo a junção da France Télécom e da Deutsche Telekom para a compra de equipamentos, infraestruturas e plataformas de serviço; e projetos de criação de plataformas comuns de venda de aplicações móveis para concorrer com a Apple e a Google.
Porém, apesar do setor ainda estar muito fragmentado, uma nova vaga de fusões e de aquisições não parece estar na ordem do dia, devido aos problemas de concorrência que levantam e à defesa que os estados fazem dos seus símbolos nacionais. Em 2010, na Suíça, por exemplo, a aproximação entre o número dois e o número três da rede móvel foi bloqueada pelo governo.
Em Portugal, há rumores recorrentes sobre uma eventual consolidação entre a Sonaecom e a Zon Multimédia, o operador líder na televisão por subscrição, mas nunca se concretizaram e dificilmente avançarão numa conjuntura de crise económica e financeira como a que atualmente se vive.



