Didático

Tudo sobre ouro

Características

O ouro é um metal raro, que durante séculos serviu como garantia de valor, permitindo transações em períodos de grande instabilidade (fome, peste, guerra). Com o aparecimento da economia mercado e dos Estados centralizados, passou a ter um valor mais simbólico, deixando de ser utilizado nas transações quotidianas.

Recentemente, a instabilidade do setor financeiro e a queda das bolsas levaram muitos investidores a manter o ouro como valor-refúgio. Com as dúvidas sobre a qualidade dos títulos de dívida pública e o pessimismo sobre as perspetivas de crescimento das empresas, o metal dourado poderá continuar a conquistar atenções e a cotação a bater novos recordes.

Mas, atenção, a subida do valor do ouro tem sido imparável porque, além da procura para a indústria da ourivesaria, o mercado também tem sido impulsionado por investidores que procuram um valor-refúgio. Comprar ouro é uma salvaguarda em caso de crise muito grave, mas é um investimento sem rendimento. Os ganhos ou perdas dependem da diferença entre o valor de venda e aquisição definidos pelos mercados.

Se quer ter o ouro “à mão” deve comprar físico em barras, libras de ouro ou peças de ourivesaria. O valor do ouro físico evolui de forma próxima à cotação internacional do mercado. Mas o preço dos objectos e jóias de ouro, como anéis e fios, é influenciado pelo valor artístico e, por isso, é muito subjectivo. Na revenda, a desvalorização desses objectos pode ser muito grande. No limite, arrisca-se a receber apenas o equivalente ao peso do ouro.

  • Lingotes ou barras: com pesos entre 2,50 gramas e 12,50 quilos, a escolha depende do montante que pretende investir. Em Portugal, o preço do ouro expressa-se em euros por grama. Este preço deriva das cotações em Londres, onde o preço é fixado em dólares por onça (31,1 gramas). Diariamente, o Banco de Portugal publica o preço da cotação do ouro em barra negociado no mercado londrino.
  • Moedas (ouro amoedado): existem milhares de moedas de ouro diferentes com curso legal em todo o mundo. Entre as mais populares, encontram-se a libra esterlina e os reis portugueses. Poderá aceder à cotação em revistas ou casas de numismática. No mínimo, as moedas valem o seu peso à cotação do ouro em barra divulgada pelo Banco de Portugal. É a forma mais usual e fácil de investir em ouro.

Tenha cuidado com o local e o preço do ouro onde faz a aquisição. Há enormes diferenças nos valores entre a compra e a venda por parte dos bancos e de outras entidades até de simples barras de ouro, onde nem sequer existe um valor subjetivo como no caso das peças de ourivesaria.

Na Internet, encontra mais informação sobre ouro nos sites do Banco de Portugal (www.bportugal.pt), o Fundo Monetário Internacional (www.imf.org) ou, ainda, http://minerals.usgs.gov, www.gold.org e www.gfms.co.uk.

Segurança

O rendimento do ouro é muito incerto, já que o investidor não tem garantias de obter lucro ou mesmo de recuperar a totalidade do investimento. Neste sentido, o preço do ouro comporta-se como o de qualquer outro metal, oscilando quotidianamente consoante a oferta e a procura existentes no mercado. No entanto, dado que se trata de um bem que vale por si só (ao contrário de uma nota de papel ou de uma acção de uma empresa, que só valem por aquilo que representam), transmite uma sensação de segurança ao seu possuidor, mas que pode não passar disso mesmo.

Outro aspecto ligado à segurança da aplicação é a qualidade do ouro ou da moeda. As barras, por exemplo, devem conter entre 999 e 1000 milésimas de ouro fino. Também é necessário, para qualquer peça, confirmar se trazem gravadas as punções (marcas) autorizadas, que legitimam a peça.

Ao contrário do que acontece com as barras, o preço das moedas pode ser superior ao valor do ouro que contêm. A esta diferença chama-se prémio, e depende, entre outras coisas, da sua antiguidade, do valor de coleção e da raridade. O estado de conservação das moedas também é muito importante: se a efígie ou os contornos se encontrarem danificados, ainda que ligeiramente, a moeda pode perder grande parte do seu valor (mas nunca valerá menos do que o seu peso em ouro). Por isso, para não correr o risco de fazer uma má compra (a não ser que seja um entendido), é preferível limitar-se às moedas mais conhecidas, como a libra Rainha Vitória, a mais procurada pelos portugueses.

Se o valor o justificar, tanto no caso das moedas como das barras, considere a possibilidade de as guardar no cofre de um banco.

Liquidez

O ouro, tanto em barra como amoedado, pode ser transacionado nos bancos, nas ourivesarias e nas agências de câmbio. No entanto, esta operação nem sempre é simples. De qualquer forma, em princípio não haverá grandes problemas, a não ser que se trate de uma moeda rara. Nesse caso, a venda é dirigida a colecionadores e poderá ser mais difícil e demorada, até que apareça alguém disposto a pagar o seu valor de coleção. Uma razão adicional para preferir as moedas mais correntes.

Rendimento

É possível obter mais-valias (lucros) com a venda do ouro, caso o tenha comprado num momento favorável, com os preços em baixa. No entanto, a maioria dos pequenos investidores pensa no ouro como uma reserva para o futuro e, por isso, não costuma preocupar-se muito com o preço.

O mesmo não se passa com outra classe de investidores, os especuladores. Como o seu objetivo é obter ganhos avultados, de preferência em pouco tempo, investem em ouro quando acreditam numa subida rápida da sua cotação. Um comportamento que o “comum dos mortais” deve evitar, devido ao seu alto risco.

Isso não significa que não seja importante conhecer as melhores alturas para comprar ou vender. O preço do ouro, como o de qualquer outro bem, depende da oferta e da procura. Aceda à calculadora do preço do ouro por grama

A oferta, neste caso, é alimentada pela produção das minas; pelas vendas dos bancos centrais e de outros organismos internacionais; e pela venda de ouro em segunda mão (o chamado cascalho).

Quanto à procura, provém da indústria de joalharia e dos investidores, sendo influenciada por diversos fatores:

  • inflação: quanto mais sobem as taxas de inflação, mais aumenta o preço do ouro. Foi-lhe sempre atribuída, de facto, a função de proteção contra a subida dos preços, ou seja, ao contrário do dinheiro, que perdia valor em termos reais, as pessoas adquiriam ouro pois acreditavam que não perderia valor.
  • crescimento económico: quanto maior o crescimento económico (ou seja, a prosperidade), maior a procura de objectos em ouro. Os ourives aumentam as suas encomendas e, por conseguinte, o preço do ouro tende a subir;
  • comportamento do dólar: o metal amarelo é, tradicionalmente, uma alternativa à moeda americana (principal divisa mundial). Por isso, tendem a registar evoluções opostas. Quando o dólar se aprecia, o ouro perde valor. Quando o ouro está em alta, normalmente o dólar deprecia-se. Atualmente, o euro funciona igualmente como uma alternativa à moeda americana e, consequentemente, ao ouro;
  • taxas de juro reais: uma aplicação em ouro, como vimos, não paga juros. Assim, com taxas de juro altas, os investimentos que rendem juros tornam-se mais atrativos do que o ouro. Em momentos de taxas de juro reais baixas, o custo de oportunidade do investimento em ouro é menor – o montante investido em ouro poderia estar colocado noutro investimento – , logo o interesse para investir em ouro é superior.

Estes fatores são determinantes para a evolução dos preços do ouro a longo prazo. Contudo, o preço é determinado pelo jogo da oferta e da procura dos grandes investidores. O pequeno investidor tem pouca influência, à exceção de épocas de grande instabilidade política e económica, onde o ouro ainda é visto por muitos investidores como um valor de refúgio.

Custos

Se quiser guardar as moedas ou barras no cofre de um banco (o que é preferível, se o valor o justificar), terá de pagar o aluguer. Este varia com a dimensão do cofre. Os mais pequenos (do tamanho de uma pequena gaveta) custam cerca de 30 euros por ano.

Caso contrário, não existem custos adicionais nas transações com ouro, a não ser o que resulta da diferença entre o preço de compra e venda no intermediário. Esta diferença corresponde ao ganho do intermediário.

Fiscalidade

A compra de ouro para investimento está isenta de IVA. Como investimento, considera-se o ouro em barras e algum tipo de moedas, nomeadamente as que tenham curso legal no seu país de origem. A compra de joias e outros artefactos está sujeita a IVA. Os ganhos na venda do ouro não estão sujeitos a imposto sobre mais-valias.

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