Didático
À semelhança do que acontece noutros países, o Instituto de Gestão do Crédito Público (IGCP), entidade que gere a dívida pública em Portugal, tem optado pela emissão de Obrigações do Tesouro de taxa fixa (OT) como forma principal de financiamento.
Muitas vezes confunde-se a taxa de cupão das obrigações com a taxa de rendimento. No entanto, o valor da taxa de juro do cupão é apenas um dos elementos que afecta a taxa de rendimento, pois é necessário ter também em conta outros fatores, principalmente a cotação à qual a obrigação é adquirida.
Sabemos, por exemplo, que a Obrigação do Tesouro Junho XPTO apresenta uma taxa de cupão líquida de 4% e que os juros são pagos anualmente. Ou seja, até à data do reembolso (XPTO), os titulares têm direito a receber, todos os anos, 0,0004 euros de juros líquidos por obrigação.
Mas, considerando que o preço a pagar em 15 Março de XPTI, era de 105,91% do valor nominal (ou seja, 0,010591 euros), o seu rendimento anual líquido, caso o título fosse mantido até ao reembolso, seria apenas de 3,17 por cento. Este valor é visivelmente inferior à taxa de cupão (4%). O cálculo da yield pode ser feito com o recurso uma calculadora financeira ou uma folha de cálculo (em Excel, por exemplo).
Mas será 3,17% o rendimento efetivamente proporcionado pela obrigação referida? É certo que se adquirir essa OT à cotação de 105,91% e esperar até ao reembolso irá obter um rendimento fixo de 3,17%? A resposta é afirmativa, mas só se forem cumpridas duas condições:
- O investidor terá de manter a obrigação até ao vencimento. Se desejar reaver o dinheiro previamente poderá vendê-la em bolsa. Mas o preço de venda depende das condições do mercado nesse momento. A rentabilidade poderá ser superior aos 3,17%, mas também poderá ser inferior, ou até negativa, em casos extremos, gerando uma perda de capital ao investidor.
- O cálculo desta taxa pressupõe que o dinheiro proveniente dos cupões é reinvestido à mesma taxa. Caso contrário, o rendimento poderá ser diferente. Trata-se de uma simplificação habitual no cálculo de rentabilidades de aplicações financeiras e assume-se que é cumprida.



