Didático

Em cada momento, existe um número limitado de ações em circulação. Isso significa que, para alguém comprar, tem de haver, pelo menos, uma pessoa que queira vender. A cotação varia em função da procura e da oferta de cada ação: quanto maior for a procura, mais a cotação tenderá a subir.

 

A procura e a oferta são influenciadas pela opinião dos investidores sobre a situação da empresa (fatores internos) e por diversos elementos de natureza social, política e económica que a empresa não domina, mas que desempenham um papel preponderante (fatores externos). A lista de fatores que podem influenciar as cotações e que as empresas não conseguem controlar é considerável. Uns podem afectar apenas a cotação de uma empresa específica, como, por exemplo, o rumor de uma oferta pública de aquisição. Outros podem agir sobre todas as ações de um mercado.

 

  • Lucro

Entre os factores internos à própria empresa, o lucro é o principal responsável pela variação do preço das ações. Os lucros esperados, influenciam bastante as cotações em bolsa, porque os investidores formulam expectativas positivas ou negativas quanto aos resultados da empresa, o que se traduz num aumento ou numa diminuição da procura desses títulos.

 

A experiência diz-nos que as cotações costumam antecipar alguns meses os acontecimentos. Se, quando os resultados são anunciados, estiverem dentro das previsões iniciais, dificilmente se verificarão grandes variações na cotação. Mas se os ganhos obtidos forem inferiores ao previsto, a cotação tenderá a baixar, porque haverá mais pessoas a querer vender os títulos do que a querer comprar. Por esse motivo, as cotações tendem a variar mais sobretudo quando a realidade não corresponde às expectativas formuladas pelos investidores.

 

  • Cash-flow

Além dos lucros e dos dividendos, há outras formas de medir se a atividade de uma empresa está a evoluir no bom sentido. É o caso do cash-flow que compreende o lucro líquido (depois de pagar os impostos) e as reservas constituídas anualmente para fazer face a despesas futuras (substituição de equipamento, por exemplo). Na realidade, uma empresa que constitui boas reservas, reduzindo, por essa via, o lucro distribuído aos acionistas, pode estar numa situação melhor do que uma concorrente que apresenta grandes resultados, mas não acautela o futuro. Daí a importância do cash-flow.

 

  • Novos investimentos

Outro exemplo de um fator interno que pode influir na expectativa quanto aos lucros futuros e, portanto, na cotação de uma empresa, é a realização de novos investimentos. Se os investidores pensarem que esse novo investimento é benéfico para o futuro da empresa, o preço das suas ações tenderá a subir. Caso contrário, a sua cotação poderá ser penalizada, já que é normal que haja mais investidores com vontade de sair do título (vender).

 

  • Taxas de juro

A descida das taxas de juro tem um efeito positivo sobre todo o mercado acionista. Isto acontece porque, ao acompanharem a queda dos juros, as aplicações sem risco (como os depósitos a prazo e os Certificados de Aforro) e as obrigações tornam-se menos atrativas e, portanto, passa a haver mais investidores interessados em investir nas ações.

 

As taxas de juro mais baixas também se refletem em menores encargos financeiros (juros pagos pelos empréstimos) para as empresas, sobretudo para as mais endividadas, que veem, assim, aumentar os lucros. Isto leva a que as suas ações sejam mais procuradas e, em consequência, as cotações subam. Mesmo para o setor financeiro, as taxas de juro baixas permitem que os bancos possam emprestar mais dinheiro e também remunerem os depósitos dos seus clientes a uma taxa inferior. Pelo contrário, a subida das taxas de juro é desfavorável para a bolsa.

 

Esta relação inversa entre as taxas de juro e as cotações existe desde sempreem todos os mercados. No entanto, há algumas bolsas que são mais sensíveis a este fator. A Bolsa de Nova Iorque, a maior do mundo, é conhecida, nos meios financeiros, pela sensibilidade às especulações sobre a subida das taxas de juro. Qualquer alteração das taxas por parte banco central americano (FED), ou mesmo uma forte expectativa de alteração, no sentido da subida, provoca quase sempre uma descida da bolsa.

 

Também há setores económicos mais sensíveis a alterações nas taxas de juro. Por exemplo, no setor da construção, dado que as empresas necessitam de realizar investimentos avultados, é necessário muitas vezes recorrer ao crédito, tornando este setor muito mais sensível à variação das taxas de juro do que o setor alimentar, por exemplo.

 

  • Crescimento económico

Com o crescimento da economia, as empresas conseguem, regra geral, aumentar as vendas, obtendo maiores lucros. A bolsa antecipa esse fenómeno. A atividade económica tem ciclos. Assim, quando se encontra numa "fase má" (produção estagnada, desemprego elevado, exportações em queda), mas se prevê para breve uma melhoria da conjuntura (crescimento económico, diminuição dos encargos fiscais, aumento das exportações), a bolsa tende a subir.

 

O pensamento dos investidores é que uma recessão será seguida, certamente, de um período de crescimento e os lucros das empresas acompanharão essa prosperidade económica. Assim, antecipam a melhoria dos resultados das empresas, conferindo uma onda de optimismo à bolsa. Compram a "baixos" preços, esperando uma melhoria, alguns meses mais tarde, dos resultados. Por isso, as ações são mais procuradas, não nos períodos de estabilidade (quando a economia cresce a ritmo moderado), mas sim quando se prevê a recuperação.

 

Obviamente, o contrário também sucede: as bolsas começam a cair quando os investidores estimam que se atingiu o ponto mais alto do crescimento e temem uma recessão.

 

  • Taxas de câmbio

Um fator a ter em conta na compra de ações cotadas fora da zona euro é a taxa de câmbio. Quando um investidor nacional compra uma ação cotada nos Estados Unidos, o mais certo é o euro variar em relação ao dólar. Por exemplo, uma eventual subida da cotação em dólares pode ser anulada (pelo menos parcialmente) pela valorização do euro (queda do dólar). Isto porque reduz o montante obtido com a venda após a conversão em euros, mas vejamos um exemplo. O Paulo, residente em Portugal, comprou 100 ações da Intel a 33 dólares por ação. Nesse momento a taxa de câmbio do euro face ao dólar era igual a 1, pelo que o montante despendido foi:

 

100 ações x 33 dólares x 1 = 3 300 euros

 

Mantendo-se a taxa de câmbio, se um ano mais tarde vendesse as suas ações a 36 dólares cada uma, o montante da venda corresponderia a:

 

100 ações x 36 dólares x 1 = 3 600 euros

 

Mas se entretanto o dólar tivesse desvalorizado e valesse menos cinco cêntimos (1 dólar = 0,95 euros), o montante da venda em dólares quando convertido em euros seria de apenas:

 

100 ações x 36 dólares x 0,95 = 3 420 euros

 

E em vez de obter um lucro de 300 euros (3 600 – 3 300), ganharia apenas 120 euros (3 420 – 3 300).

 

Mas se este é o impacto direto da taxa de câmbio não é único e, provavelmente, nem será o mais importante. Não nos podemos esquecer que os lucros das empresas também são afetados pelas evoluções cambiais. Veja-se, por exemplo, as empresas europeias que realizam parte das vendas nos Estados Unidos ou que concorrem internamente com produtos americanos. Para elas, uma subida do euro implica uma perda de competitividade: os seus produtos tornam-se mais caros e os oriundos dos Estados Unidos ficam mais baratos. Por outro lado, se as empresas estiverem diretamente instaladas nesse mercado, os lucros aí obtidos, quando convertidos em euros, vão ser menores. Inversamente, algumas empresas europeias podem beneficiar da subida do euro se, pelo menos, parte dos seus custos for em dólares.

 

É importante verificar a moeda na qual a ação está cotada, mas também é preciso analisar a exposição das atividades da empresa às várias divisas, porque esse fator exerce grande influência na evolução da cotação da empresa.

 

  • Outras bolsas

Os mercados acionistas são sensíveis ao que se passa nos outros mercados. Veja-se, por exemplo, a especial atenção que todos os investidores e analistas financeiros dão à Bolsa de Nova Iorque. Por isso, diz-se muitas vezes que os mercados bolsistas têm uma forte correlação entre si.

 

Isso não significa que a variação seja a mesma em todas as bolsas (uma pode subir 8% e a outra apenas 2%), mas o sentido da variação é, muitas vezes, o mesmo. É frequente que a evolução das bolsas europeias esteja condicionada pela tendência registada nos mercados norte-americanos. É usual os mercados europeus só definirem a sua tendência após a abertura das bolsas nos Estados Unidos. Porém, se a evolução das bolsas europeias tende, no curto prazo, a ser uma réplica de Wall Street e do Nasdaq, a situação a longo prazo é diferente, pois as realidades económicas também não são as mesmas.

 

  • Influências específicas

A influência dos fatores externos pode não abranger toda a bolsa da mesma forma. Alguns acontecimentos ou incidentes políticos, por exemplo, podem afetar apenas um grupo de ações ou até uma única ação. Alguns exemplos de acontecimentos que podem ter esse efeito:

 

  • Boas ou más notícias acerca da atividade de uma empresa;
  • Rumores de fusões ou de aquisições de empresas;
  • Alterações na Administração Pública;
  • Notícias sobre o mercado em que a empresa atua.