Dívida pública: rendimento até 18%
As taxas dos Certificados do Tesouro para prazos superiores a cinco anos mantêm-se pelo nono mês consecutivo: 5,3% ou 5,6% líquido ao ano. Mas as Obrigações do Tesouro atingem os 18%.
Ponha o Estado a render
Os momentos de crise são também oportunidades e os tempos atuais são prova disso. As yields da dívida pública estão em níveis muito elevados. Tire partido disso e engorde o rendimento das suas poupanças.
Certificados de Aforro, Certificados do Tesouro e Obrigações do Tesouro são as aplicações de dívida pública mais conhecidas dos portugueses. Se os primeiros perderam interesse desde 2008, os Certificados do Tesouro e as Obrigações do Tesouro são dois produtos bem atrativos. O segredo está em escolher o produto mais adequado ao seu horizonte de investimento e diversificar, ou seja, não aplique todas as suas economias em dívida pública.
Até 12 meses
Os depósitos a prazo são a melhor opção. Procure remunerações acima da taxa de inflação prevista (3,5% em 2011 e 2,4% para 2012), aproveite os “super depósitos” e tente negociar as taxas, especialmente se tiver um montante elevado (superior a 10 mil euros).
Pontualmente poderá encontrar alguma Obrigação do Tesouro por um período até um ano. Por exemplo, atualmente a OT Junho 2012 rende 17,9%, se adquirida à cotação atual e mantida até ao vencimento. É uma boa opção, se tiver a certeza de que não vai necessitar do capital nos próximos sete meses. Contudo, recomendamos OT para montantes superiores a cinco mil euros.
Entre 2 a 5 anos
Não invista em Certificados do Tesouro. Em novembro, à semelhança do que aconteceu nos meses anteriores, a taxa definida para este prazo é apenas de 1,6% líquida, ou seja, bastante abaixo da inflação esperada para o próximo ano (2,4%). Os Certificados do Tesouro não são indicados para prazos inferiores a cinco anos. Uma opção para estes prazos são os depósitos de taxa fixa ou crescente, contudo, as Obrigações do Tesouro são mais rentáveis.
- Obrigações do Tesouro
Existem no mercado muito boas oportunidades a curto prazo (menos de 24 meses) e com elevado rendimento. É o caso da OT Junho 2012 que, adquirida à cotação atual e mantida até ao vencimento, rende-lhe 17,9%; nos mesmos pressupostos, a OT Setembro 2013 renderia 16,4%.
Entre 5 a 10 anos
Os depósitos, sejam de taxa fixa ou crescente, não são a melhor opção. A dívida pública é mais rentável.
- Certificados do Tesouro
É o prazo ideal para aplicar neste produto. O rendimento varia consoante o prazo durante o qual mantém o produto. O IGCP manteve as taxas pelo nono mês consecutivo: se mantiver este produto entre cinco a nove meses, rende 5,3% líquidos ao ano; se mantiver por dez anos, consegue 5,6%. A vantagem é poder resgatar a aplicação em qualquer altura após os primeiros seis meses e o capital está sempre garantido. O mínimo para investir são 1000 euros. - Obrigações do Tesouro
Entre cinco a dez anos, as Obrigações do Tesouro rendem entre 9,9 e 12,5%, adquiridas à cotação atual e mantidas até ao vencimento. Tem uma desvantagem: para assegurar esse rendimento, é necessário manter os títulos até ao vencimento. Nesse aspeto (liquidez), os Certificados do Tesouro estão em vantagem, mas o rendimento é inferior. Por isso, cabe-lhe a si analisar se vai necessitar desse capital durante o prazo até ao vencimento da Obrigação do Tesouro. Claro que pode vender o título em Bolsa, caso necessite do capital, mas não há garantias de rendimento, nem mesmo obter a totalidade do capital que investiu.
Investir com garantia de capital | ||
Montante (euro) | Produto | Rendimento |
Até 1 ano | ||
Inferior a 5000 | Depósitos de curto prazo | Até 6,25% bruto |
Acima de 5000 | OT Junho 2012 | 18% (1) |
Entre 2 a 5 anos | ||
Inferior a 5000 | Depósitos de curto prazo | Até 6,25% bruto |
Acima de 5000 | Obrigações do Tesouro | Entre 12 a 18% (1) |
Entre 5 a 10 anos | ||
Acima de 1000 | Certificados do Tesouro | 5,3% ou 5,6% (2) |
Acima de 5000 | Obrigações do Tesouro | Entre 9,9 a 12,5% (1) |
Aplicações do Estado são seguras?
Nenhum produto é 100% seguro, nem mesmo os produtos de aforro do Estado. Assim, Certificados de Aforro, Certificados do Tesouro e Obrigações do Tesouro não estão totalmente isentos de risco, mas a probabilidade do Estado falir é inferior ao de um banco ou uma seguradora.
Apesar dos juros generosos, especialmente nas Obrigações do Tesouro, nunca esqueça a hipótese, ainda que remota, do Estado não cumprir os seus compromissos financeiros, o que provocaria prejuízos aos investidores. Para limitar esse risco, os Certificados do Tesouro e as Obrigações do Tesouro não deverão representar mais de 25% das suas poupanças de longo prazo. Aliás, uma regra que bem conhece: não coloque os ovos todos no mesmo cesto.
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