Década 2000 nas Bolsas

Data da publicação: 11/01/2010

Após colapso da bolha tecnológica, os
últimos anos foram de crise financeira

A última década foi bastante movimentada para a economia mundial. Após o colapso da bolha tecnológica, os últimos anos foram de crise financeira. A economia mundial viveu um momento de forte crescimento, mas a média foi débil, ficando-se por 1,4% na zona euro e 1,8% nos Estados Unidos.

Abaixo de 1999
As Bolsas começaram a década em plena euforia. Seduzidas pela “nova economia” e perspectiva de ganhos fáceis, atingiram valores recordes.

O índice S&P 500 das Bolsas norte-americanas fechou Dezembro de 1999 nos 1469 pontos. Contudo, o que se seguiu não correspondeu às expectativas. Dez anos depois, está perto dos 1100 pontos, ou seja, uma queda de 24,1 por cento.

O índice europeu DJ Stoxx 600 perdeu 31,7% no mesmo período. Face a esta realidade, a última década é muitas vezes comparada à de 1930, marcada pela Grande Depressão.

Se estamos longe das consequências para a economia real, algumas Bolsas apresentam características semelhantes. É o caso do Japão, onde o índice Nikkei da Bolsa de Tóquio já perdeu 73% desde os máximos registados em 1989.

Subida dos mercados emergentes
Ao invés, a década foi excelente para os países emergentes. Graças a taxas de crescimento elevadas, estes países aumentaram o seu “peso” a nível mundial. E as Bolsas seguiram no mesmo sentido.

Na última década, o índice Bovespa da Bolsa brasileira mais do que quadruplicou. O índice RTS da Rússia subiu oito vezes. O índice Sensex da Bolsa de Bombaim foi multiplicado por 3,5, enquanto Xangai duplicou.

Contudo, se a performance foi excelente, a volatilidade manteve-se elevada e os mercados parecem caros. Se o futuro é promissor, as Bolsas permanecem arriscadas e é preferível não fazer uma aposta elevada.

Muitos mercados estão caros
Apesar do recuo registado na última década, os mercados dos países desenvolvidos estão correctamente avaliados ou caros. É verdade que estamos longe dos excessos cometidos no início da década. A “nova economia” prometia ganhos elevados de produtividade, o que deixava antever um disparo dos lucros das empresas.

Actualmente, as cotações são mais moderadas, mas os mercados não estão baratos. Em causa, a progressão das margens de lucro. Os mercados esperam, para 2010, uma progressão de 30% dos lucros para as empresas do S&P 500.

É verdade, que os lucros do sector financeiro melhoraram, mas as expectativas continuam demasiado elevadas. Com efeito, a retoma em 2010 deverá ser débil. Por um lado, os estímulos orçamentais deverão ser retirados, e o orçamento das famílias permanece frágil. Perante essa conjuntura, uma grande subida dos lucros seria surpreendente.

Obrigações em alta na década
A década foi excelente para as obrigações. As taxas de juro estão baixas, mas a inflação também está em níveis mínimos. E os bancos centrais não hesitaram em colocar as taxas directoras em mínimos históricos, o que lhes permitiu dar rendimentos mais interessantes dada a instabilidade das Bolsas. Mas uma repetição deste cenário parece improvável.

Até agora, apesar dos elevados montantes de dívida emitida para financiar a retoma, os rendimentos oferecidos continuam baixos. Isso deve-se à compra dos bancos centrais que tornam o endividamento menos dispendioso para os Estados.

Contudo, assim que as injecções de capitais dos bancos centrais desapareçam, as obrigações governamentais terão de oferecer rendimentos maiores (ver aqui).

Conclusão
Depois da febre das novas tecnologias, a nova década anuncia-se mais difícil. Seja privado ou público, o endividamento é muito elevado e deverá conduzir a um aumento da carga fiscal e das taxas de juro.

Os países emergentes deverão continuar a crescer a bom ritmo, mas é ilusório esperar que possam puxar sozinhos pela economia mundial. A prudência e a selectividade são palavras de ordem a não esquecer. Sobretudo, porque os mercados accionistas não estão baratos e as obrigações poderão ser penalizadas com a subida das taxas de juro.

-->