Ainda tem Certificados de Aforro?

Data da publicação: 06/02/2012

A taxa base líquida dos Certificados de Aforro, em fevereiro, é apenas de 0,9%, muito abaixo da inflação prevista para este ano. Em 2011 foram resgatados mais de 4,5 mil milhões de euros.

Um produto com mais de meio século

Esta aplicação de dívida pública foi criada em 1960, mas a subscrição da série A foi cancelada em julho de 1986, apesar de existirem ainda certificados desta série que não foram resgatados. Nesse ano foi lançada a serie B que se manteve até ao início de 2008, com sucessivas alterações na fórmula de cálculo do rendimento. E, nesse ano, foi cancelada a subscrição da série B, alterada a forma como é calculado o rendimento e criada a série C, atualmente em vigor.

Nesta nova série o montante mínimo de subscrição é de 100 euros e a aplicação tem um prazo de 10 anos. O rendimento desta nova série é determinado mensalmente no antepenúltimo dia útil do mês, para vigorar durante o mês seguinte. A fórmula que determina a taxa é: 0,85 x E3 + 0,25, em que E3 é a média dos valores da Euribor a três meses observados nos dez dias úteis anteriores.

Cada subscrição vencerá juros com uma periodicidade trimestral. Existe ainda um prémio de permanência a somar à taxa base (0,5% no segundo ano, 0,75% no terceiro ano, 1% do quarto ao sétimo ano, 1,25% no oitavo ano, 1,5% no nono ano e 2,5% no décimo ano).

 

Certificados perdem 4,5 mil milhões em 2011

Se até 2007 as subscrições eram sempre superiores aos resgates, em 2008 a tendência inverteu-se. Desde esse ano, quando foram alteradas as condições deste produto e o fim das subscrições da série B e criada a série C, os resgates têm sido sempre superiores às novas subscrições.

Desde 2008, já saíram dos cofres do Estado 6,7 mil milhões de euros que estavam aplicados neste produto. Só em 2011, os regastes atingiram os 4,5 mil milhões de euros, como se pode ver no gráfico, o valor mais elevado de sempre. Apesar de 2011 ter registado o maior número de resgates, foram aplicados 371 milhões neste produto.

 

Certificados de Aforro: resgates atingem os 4,5 mil milhões em 2011
(milhões de euros)

O ano de 2011 foi o mais negro da história dos Certificados de Aforro. Os resgates atingiram o montante mais elevado de que há memória: 4457 milhões de euros.


Se ainda tem Certificados de Aforro, resgate!

Há mais de três anos que deixámos de recomendar a subscrição de Certificados de Aforro. No entanto, também sabemos que muitos aforradores mantêm uma forte relação afetiva com esta aplicação, provavelmente pela ideia de segurança por se tratar de uma aplicação garantida pelo Estado.

No entanto, não é a única aplicação que faz parte da dívida pública e não pense que estão completamente isentos de risco. Na série atualmente em subscrição (C) a taxa base é de 0,9%, muito pouco interessante. Por isso, não recomendamos a subscrição deste produto.

Quem ainda tem as séries A ou B está, no máximo, a usufruir de uma taxa de 2,1% (0,9% é a taxa base em outubro acrescida de 1,5%, que é o prémio de permanência máximo das séries anteriores). O nosso conselho é resgatar.

 

Alternativas até 16%

Apresentamos três alternativas para aplicar esse dinheiro:

• Se pretende aplicar por prazos inferiores a cinco anos e ter o capital sempre disponível para qualquer eventualidade, procure os melhores depósitos a prazo. As taxas atingem os 6% brutos 4,5% líquidos nos depósitos até um ano. Recomendamos depósitos de curto prazo e depois renove à melhor taxa do mercado e, se possível, tente negociar a taxa.

• Se tem a certeza de não necessitar do capital por um prazo mínimo de cinco anos, os Certificados do Tesouro são a melhor opção. O rendimento anual líquido varia entre 5,1% e 5,3 por cento.

• Se não precisa de liquidez, independentemente do prazo, tem um montante a partir dos 5000 euros e quer usufruir das garantias do Estado, as Obrigações do Tesouro rendem até 15,9% (OT Outubro 2014). Não recomendamos para pequenos montantes, porque há comissões fixas pela aquisição dos títulos, o que poderá diminuir o rendimento.

 

Dívida não está isenta de risco

Nenhum produto é 100% seguro, nem mesmo os produtos de aforro do Estado. Assim, Certificados de Aforro, Certificados do Tesouro e Obrigações do Tesouro não estão totalmente isentos de risco, mas a probabilidade do Estado falir é inferior ao de um banco ou uma seguradora.

Apesar dos juros generosos, especialmente nas Obrigações do Tesouro, nunca esqueça a hipótese, ainda que remota, do Estado não cumprir os seus compromissos financeiros, que provocaria prejuízos aos investidores. Para limitar esse risco, os Certificados do Tesouro e as Obrigações do Tesouro não deverão representar mais de 25% das suas poupanças de longo prazo. Aliás, uma regra que bem conhece: não coloque os ovos todos no mesmo cesto.

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