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As cadeiras de criança para automóvel têm ainda muito a evoluir em termos de segurança. Nenhuma alcançou as almejadas cinco estrelas, havendo mesmo duas com uma solitária estrela. Há progressos, mas não são suficientes. Estas são as principais conclusões de um teste efectuado pela DECO/PRO TESTE a 14 modelos (para crianças até 18 kg, ou seja, até cerca de 4 anos), numa iniciativa da União Europeia que integra associações de consumidores e clubes de automóveis.
As cadeiras de criança para automóvel são essenciais para
a segurança dos pequenos passageiros. O mero uso do cinto de segurança
não é suficiente para impedir lesões graves ou mesmo fatais,
em caso de embate. Não usar estes dispositivos, transportando a criança
no banco ou no colo, é colocar a sua vida em risco. Apesar de tudo, colocar
a criança na pior cadeira do teste é muito mais seguro do que
não usar nenhuma.
Nesta matéria, a legislação portuguesa pouco ajuda, pois
só torna o uso de dispositivos de retenção obrigatório
para crianças com menos de 3 anos ou quando as crianças com idade
inferior a 12 anos viajam no banco da frente, por impossibilidade de serem transportadas
no banco de trás.
Por esta razão, apesar duma Apreciação Global pouco animadora,
foram atribuídas Escolhas Acertadas. Assim, este título coube,
no grupo 0 e 0+, ao modelo Chico Synthesis (entre 92,90 e 104,99 euros), no
grupo 0/1 e 0+/1, ao Bébé Confort Iseos Safe Side (entre 161,60
e 189,00 euros) e no grupo 1, à Maxi Cosi Priori SPS (entre 158,40 e
189,54 euros).
A segurança dos mais novos ainda não acompanha a evolução
dos sistemas de segurança activa e passiva que têm vindo a ser
desenvolvidos nos automóveis para os restantes passageiros. É
de lamentar, por isso, o esquecimento em que parece ter caído a norma
Isofix. Algumas marcas de automóvel começaram a adoptar sistemas
específicos de fixação, fugindo ao tradicional cinto de
segurança. Estas iniciativas têm o inconveniente de impedir a desejada
universalidade do Isofix. Sem um acordo voluntário entre as marcas, deverão
ser os poderes públicos europeus a impor uma solução.
Segundo a DECO/PRO TESTE, os fabricantes podem e devem melhorar a segurança
das cadeiras:
- tanto o manual de instruções como a própria cadeira
devem incluir conselhos claros sobre a instalação e a utilização;
- cada modelo deve proporcionar uma posição reclinada segura,
com apoios de cabeça e tronco, para evitar que a criança durma
com a cabeça apoiada sobre o cinto de segurança, reduzindo o
risco de ferimento em caso de colisão;
- quanto aos modelos que se instalam no sentido da marcha do automóvel,
a colocação de uma protecção almofadada nos cintos
de segurança da própria cadeira permite diminuir o impacto numa
colisão frontal.
A DECO/PRO TESTE deixa alguns conselhos que poderão ajudar o consumidor
na escolha e utilização de uma cadeira de criança para
automóvel.
- Compre um modelo adaptado às dimensões da criança.
Passe para um modelo maior, sempre que o tamanho da criança o justificar,
ou seja, quando a sua cabeça ou pés passarem os bordos da mesma
(nos grupos inferiores) ou apenas a cabeça (nos grupos superiores).
- Experimente sempre a cadeira antes de comprá-la, de modo a verificar
se a mesma se adapta bem à criança e se a instalação
no automóvel não coloca problemas. Se for impossível
experimentar a cadeira antes da compra, pergunte ao vendedor se pode devolvê-la
ou trocá-la, caso não se adapte ao automóvel (por vezes,
os cintos de segurança não têm o tamanho necessário
para prendê-la).
- Siga escrupulosamente as instruções de instalação
e guarde o manual no automóvel (dentro do porta-luvas, por exemplo).
Poderá precisar dele mais tarde, por exemplo, se trocar de viatura
ou para ajustar a cadeira e/ou o cinto de segurança, à medida
que a criança cresce.
- Depois da cadeira instalada, o fecho do cinto deve estar bem encaixado,
na vertical e o cinto não deve estar torcido.
- Se tiver de mudar constantemente a cadeira de um automóvel para outro,
escolha um modelo leve e simples de instalar.
- Instale a criança correctamente na sua cadeira para cada viagem,
por muito curta que esta seja.
- Se a cadeira tiver um cinto de segurança próprio, procure
que não seja possível colocar mais de um ou dois dedos entre
a criança e o cinto. Regule o comprimento do cinto em função
da espessura da roupa que a criança tem vestida. Depois de trancado,
o fecho deve situar-se na zona das ancas e não sobre o estômago.
- O cinto diagonal (do automóvel) deve passar ao nível dos ombros
da criança e não no pescoço.
- Verifique regularmente o estado da cadeira, das fixações e
dos cintos. Substitua-os, sem hesitar, sempre que apresentem sinais de desgaste.
| PRO TESTE n.º 237 – Junho de 2003 – páginas 22 a
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27.06.2003
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