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Guia do idoso

Idosos activos: entrevista em Ferreira do Alentejo

Acompanhamento às consultas, passeios, cursos e actividade física grátis são algumas apostas do município para aumentar a qualidade de vida dos idosos.

Anibal Reis Costa
Aníbal Reis Costa, autarca de Ferreira do Alentejo

O autarca Aníbal Reis Costa e Manuela Godinho, técnica do serviço de apoio ao idoso, conversaram com a nossa repórter Filipa Rendo sobre o envelhecimento da população e os apoios criados para ajudar os mais velhos.

Projecto "Ferreira em rede para a inclusão"

Manuela Godinho e Filipa Rendo
“O serviço de apoio ao idoso destina-se a reformados carenciados e sem suporte familiar”

Qual a percentagem de idosos no concelho?
Entre 60 e 65% tem mais de 65 anos.

Que motivos levaram à criação de incentivos?
O nosso concelho é envelhecido e o diagnóstico social indicava que os idosos vivam um pouco isolados. Com base nisso, fizemos uma candidatura ao programa nacional PROGRIDE e desenvolvemos um projecto que vai terminar em Setembro – o “Ferreira em rede para a inclusão”. Conseguimos criar actividades de animação diária para os idosos, como educação física, artes manuais, pequenas viagens, por exemplo, ao Alqueva, piscina para hidroginástica e actividades na biblioteca. Temos tentado ir ao encontro dos interesses dos idosos. A partir de Outubro, estamos a pensar lançar um projecto só com os recursos da câmara, para dar continuidade: a Universidade Sénior, com aulas de culinária, sobre ambiente e informática.

Como funciona o serviço de apoio ao idoso?
Destina-se a reformados carenciados a partir dos 65 anos e sem suporte familiar. Trabalhamos com as 6 freguesias do concelho – Ferreira do Alentejo, Alfundão, Peroguarda, Odivelas, Figueira dos Cavaleiros e Canhestros. Em cada freguesia, uma manhã ou tarde por semana, recolhemos os pedidos e problemas do dia-a-dia. O idoso dirige-se à junta e faz a inscrição. Analisamos cada pedido: recolhemos os dados pessoais, as patologias de cada utente e encaminhamos. Quase todos os dias temos inscrições.

Quantos pedidos já tiveram?
Temos perto de 300 utentes inscritos e, desde Junho de 2009, fizemos mais de 300 transportes e acompanhamentos a consultas. Quando o idoso tem autonomia, combinamos à porta da junta. Se for mais dependente, vamos buscá-lo a casa. Acompanhamos na consulta e falamos com o médico. Muitos não perguntavam nada e saíam sem saber o que se passava. Assim, já não acontece. Havia até quem faltasse às consultas por não ter meios financeiros ou transporte. Os médicos, sobretudo os do hospital de Beja, já conhecem e reconhecem este serviço e encaminham doentes para nós.

Como divulgaram o projecto?
Entre Março e Maio do ano passado, apresentámos o projecto em cada povoação.

Atenção a cada idoso

 
Conversámos com 3 idosos que beneficiam dos apoios da câmara

Há mais apoios?
Quando o idoso faz a inscrição na junta de freguesia, pedimos documentos pessoais. Ao analisarmos o processo, já detectámos, por exemplo, idosos elegíveis para o complemento solidário, que permite aumentar a reforma. Nesses casos, preparamos o processo, preenchemos o requerimento e entregamos na segurança social. Quando notamos que um idoso tem uma carência básica, encaminhamos para a loja social, que ajuda ao nível do vestuário, alimentação ou algum mobiliário.

Ao nível do lazer, destaca alguma iniciativa?
Temos o programa “Vamos à praia”. Durante o Verão, uma vez por semana, levamos um grupo de idosos de cada freguesia à praia. É oferecido um lanche.

O valor da reforma condiciona a atribuição de apoios?
Não. A análise é feita num todo. Podemos ter, por exemplo, um utente que tem uma reforma um pouco acima da maioria, que ronda os 300 e poucos euros. Não é isso que vai impedir o acesso. Se esse idoso não tiver filhos por perto ou tiver dificuldades em deslocar-se, não dizemos um não à partida só pelo valor da reforma. Da mesma forma, pode acontecer que a pessoa até tem condições financeiras, mas naquele dia não conseguiu transporte e nós até temos vaga na carrinha: oferecemos esse lugar vago. Tentamos dar sempre uma resposta positiva mas sem prejudicar os mais carenciados.

O sucesso do projecto deve-se só aos serviços disponíveis?
O factor humano e emocional é muito importante. Temos conseguido uma ligação muito próxima com cada um. Ter alguém ao lado deles é fundamental, sobretudo quando, no hospital, têm de ouvir diagnósticos complicados. Além do acompanhamento, fazemos a ponte com a família e informamos sobre o que se passou. Não queremos que fique à parte, mesmo que, muitas vezes, viva longe.

Lares e misericórdias

 
A câmara já fez mais de 300 transportes desde Junho de 2009

As misericórdias trabalham com a câmara ou de forma autónoma?
As misericórdias trabalham em colaboração com a câmara. Não há duplicação de serviços. Se existir alguma necessidade das misericórdias ou de outras instituições que prestam serviços a idosos é sempre articulado connosco.

Como funcionam com os lares ou centros?
Não tiramos a responsabilidade da entidade acompanhar os seus idosos. Já tem acontecido nós facultarmos esse transporte quando não conseguem a ambulância. Os idosos que estão na instituição são, por norma, muito dependentes e precisam do acompanhamento da própria instituição.

Orçamento insustentável

Manuela Godinho
“O serviço de apoio ao idoso é uma mais-valia do ponto de vista social e da cidadania”

Qual o peso orçamental do serviço de apoio ao idoso?
Tudo o que fazemos no concelho não é sustentável do ponto de vista financeiro. Por exemplo, a biblioteca que já foi feita noutro mandato e inaugurada em 2004, é um investimento completamente insustentável, mas é fundamental para criar qualidade de vida. O serviço de apoio ao idoso é um projecto que visa chegar a uma parte da população que estava mais desprotegida e sem assistência. Tem muitos custos associados e acrescidos do ponto de vista financeiro, como o transporte ou a técnica superior responsável pelo projecto, mas é uma mais-valia do ponto de vista social e da cidadania.

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