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da DECO PROTESTE


Telemóveis e operadoras: escolha bem o tarifário

A DECO/PRO TESTE realizou um inquérito a quase 1800 portugueses e verificou que mais de 90% não têm o tarifário adequado à utilização que fazem do telemóvel, desperdiçando, em média, mais de 100 euros por ano. Defende, por isso, que as três operadoras de GSM informem melhor os respectivos clientes. Quanto aos aparelhos, a Motorola revelou-se a marca menos fiável.

O estudo publicado na edição de Fevereiro da PRO TESTE mostrou que, no conjunto, os consumidores estão satisfeitos com o serviço prestado pelas três operadoras, mas existem aspectos a melhorar. Salienta-se a qualidade da ligação, o acesso à rede e a interrupção das chamadas. Quanto à fiabilidade das marcas de telemóveis, a Sharp lidera a lista da classificação, sendo recomendada por nove em cada dez utilizadores, seguindo-se a Nokia, Sendo, Sagem e Samsung.

A maioria dos inquiridos escolheu o respectivo tarifário sozinho e cerca de metade reconhece que, por vezes, paga mais do que o previsto. Com base na resposta obtida a uma pergunta específica, a DECO/PRO TESTE verificou que, ao ter em conta todos os tarifários, independentemente da operadora 92%, das cerca de 780 pessoas que preencheram a questão, não tinham o tarifário mais adequado ao seu perfil de utilização. Se escolhessem o plano de tarifas mais adequado ao uso que fazem do telemóvel, poupariam, em média, mais de € 100 por ano! Se os inquiridos não quiserem mudar de operadora, a maioria continua a poupar dinheiro se alterar o tarifário. Os valores anuais rondam, em média, os € 52, na Optimus; € 97, na TMN; e € 106 na Vodafone.

Quanto à satisfação com a operadora, a Optimus destaca-se pela negativa. Segundo os inquiridos, foi a operadora com mais chamadas de má qualidade ou na qual foi impossível estabelecer uma comunicação no mês anterior a terem respondido ao inquérito. Pela positiva, destaca-se a Vodafone, por ter suscitado menos problemas aos respectivos clientes.

Regra geral, os utilizadores recomendam a marca do respectivo telemóvel, mas nem sempre com a mesma convicção. Os menos entusiastas são os detentores de aparelhos Motorola. Estes estão menos satisfeitos com a utilização das aplicações de escritório, a autonomia da bateria e o envio e recepção de SMS. Os mais satisfeitos com o telemóvel que têm, a ponto de aconselharem a sua compra, são os detentores de Sharp, Nokia, Sendo, Sagem e Samsung.

Dados as conclusões obtidas, a DECO defende que os fabricantes têm de produzir e garantir telemóveis seguros e de qualidade, sobretudo no que se refere às baterias. Quando os aparelhos avariam dentro do período de garantia, o vendedor, quer seja a operadora ou uma loja, deve resolver o problema do consumidor rapidamente. Segundo aquela associação de consumidores, é preciso acabar com o jogo do empurra: a loja que vende um telemóvel, independentemente de ser da operadora ou não, é responsável pela reparação do mesmo e deve resolver o problema. Além disso, se a reparação demorar muito tempo, o cliente não pode ficar prejudicado, em especial se tiver um plano com assinatura mensal. Para solucionar o problema, deve ter direito a um aparelho de substituição ou à suspensão do serviço na operadora. A DECO lembra, ainda, que a lei obriga os reparadores a terem peças de substituição para cada modelo de telemóvel, de modo a repará-lo durante o seu tempo de vida útil.

A DECO afirma também que as operadoras devem melhorar o seu serviço em várias vertentes. A principal é a cobertura da rede. Além de garantirem que se possa utilizar telemóveis em todo o território nacional, é preciso certificarem-se de que as redes permitem um número suficiente de utilizadores. Em relação aos tarifários, aquela associação não é contra a variedade, desde que os consumidores sejam claramente informados do melhor para o seu caso. Como os resultados obtidos com o inquérito revelam outra realidade, a DECO/PRO TESTE considera que a Optimus, a TMN e a Vodafone deveriam ser mais proactivas e propor, regularmente, aos clientes uma revisão do tarifário consoante a utilização que fazem do telemóvel. Devem, ainda, formar todos os seus funcionários, para que estes saibam orientar o consumidor.

Apesar de a TMN e a Vodafone terem baixado o valor que cobram nas chamadas entre a rede fixa e móvel, por pressão da Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom), no início de Janeiro a Optimus ainda não tinha seguido este exemplo. Entretanto, a Anacom decidiu que, a partir de Março de 2005, as três operadoras têm de descer, cada três meses, as tarifas entre a rede fixa e a móvel, até atingirem os € 0,11 em Outubro de 2006. Mas este é o custo para as operadoras e não para o consumidor. Por isso, a DECO espera que esta descida se reflicta no valor final que estes pagam.

Por fim, alguns dos problemas, como a cobertura da rede, também se devem à falta de uma actuação mais enérgica da Anacom. Contudo, a DECO louva o ressurgimento do Conselho Consultivo desta entidade reguladora. Este órgão, que conta com representantes dos vários sectores das telecomunicações, bem como com a DECO, aconselha a Anacom nas decisões a tomar.

| PRO TESTE n.º 255 – Fevereiro de 2005 – páginas 16 a 20 |

26.01.2005

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