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Com base num inquérito a mais de 200 escolas secundárias portuguesas, e nas respostas de 46 mil alunos e professores, a revista PRO TESTE realizou um estudo sobre a percepção de segurança. Os resultados deixam transparecer alguns sinais indicadores de que existem problemas de segurança e criminalidade nalgumas escolas. Por isso, há motivos de alarme. O medo, o silêncio e o absentismo, tanto dos alunos como dos professores, podem ser algumas das reacções.
De acordo com aquela revista, os problemas de segurança mais graves ocorrem nas imediações das escolas. Lisboa, Porto e Setúbal estão na lista negra. Numa escala de 1 a 10, um quarto dos alunos atribui a nota 4, ou menos, à segurança no ambiente escolar nestes distritos.
As falhas ao nível da capacidade das escolas acabam também por ser um factor determinante na vulnerabilidade dos estabelecimentos à ocorrência de incidentes ligados à segurança, revelam o inquérito realizado pela DECO PROTESTE. O mau estado das infra-estruturas e a ausência de equipamento (mesas e cadeiras, iluminação, ar condicionado, aquecimento, etc.), a falta de funcionários e professores e o excesso de alunos por turma são as principais falhas apontadas. Tal é flagrante em escolas que se situam precisamente na zona mais crítica, em termos de percepção de segurança, do ranking de 204 estabelecimentos de ensino apresentado naquela revista.
Muitos estudantes acabam por não contar aos pais as situações de que foram vítimas. Dois em cada três alunos não revelam as ofensas verbais e a mesma proporção opta pelo silêncio no caso de terem sido vítimas de carácter sexual. Em várias escolas, a percentagem de alunos inquiridos que referiram já ter sido vítimas de situações de violência chega a ultrapassar os 40% e outras os 50 por cento.
Por sua vez, dos mais de 9 mil docentes que responderam a este inquérito, 83 indicam ter sido vítimas de ofensas físicas desde que dão aulas na sua escola actual. Tais situações podem dar origem a faltas escolares, que também estão associados, nos alunos, ao medo, à discriminação e a situações em que são motivo de gozo pelos colegas. Aliás, estas duas últimas situações são referidas por 38% como a causa principal, ao nível de segurança, para não irem à escola.
É urgente que o Ministério da Administração Interna, o Ministério da Educação e as escolas providenciem boas condições materiais e humanas para toda a comunidade escolar. As pistas estão dadas no inquérito realizado pela DECO PROTESTE.
Assaltos e roubos são os problemas que os alunos mais gostariam de ver resolvidos, algo que aumentaria a sua sensação de segurança e, bem entendido, o prazer em ir à escola e em frequentar as aulas. O aumento do sucesso escolar será, seguramente, uma consequência. Aliás, 70% da insatisfação global dos alunos e dos professores com a política de segurança está relacionada com os assaltos e também com o tráfico de drogas.
A presença de agentes da autoridade, sobretudo nas imediações das escolas, ajuda psicológica e linhas de apoio devem ser prioridades do Governo e dos estabelecimentos. Sessões de esclarecimento sobre como denunciar incidentes e campanhas de informação, designadamente sobre o Programa Escola Segura, são importantes para uma cultura de segurança nas escolas. A participação dos pais e encarregados de educação pode ser um contributo para detectar e colaborar na resolução de problemas.
Há que mudar o estado de coisas: em Portugal, a educação paga-se bem caro e a segurança não está garantida.
| Pro Teste n.º 273 - Outubro de 2006 – páginas 8 a 13 |
21.09.2006
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