As infecções dos pulmões vitimam mais de 3500 portugueses todos os anos. Vacinar os grupos de risco e reconhecer os sinais de alarme pode salvar vidas.
Muitas vezes, a pneumonia ocorre como complicação de uma simples gripe ou constipação mal curadas. Vá ao médico se os sintomas perdurarem por mais de uma semana ou após três dias, se a febre se mantiver alta, tiver expectoração esverdeada ou falta de ar. Na maioria dos casos, as pneumonias tratam-se em casa, com antibiótico. Em pessoas mais vulneráveis, como bebés, idosos, doentes crónicos ou com deficiências imunológicas, uma simples gripe ou constipação pode agravar-se e degenerar em pneumonia, com consequências sérias. Após a avaliação destes doentes e da gravidade dos sintomas, o médico poderá optar pelo internamento hospitalar.
Vá às urgências se tiver:
tosse com ou sem expectoração (por vezes, com sangue);
dores ou desconforto no peito;
temperatura corporal abaixo dos 35ºC ou acima dos 40 graus centígrados;
respiração difícil e acelerada;
cansaço;
unhas e lábios azulados, nas situações mais graves;
dores abdominais, náuseas e vómitos, sobretudo nas crianças mais pequenas;
falta de ar, perda de apetite e fraqueza, sobretudo nas crianças;
mal-estar generalizado e confusão mental nos idosos.
6 dicas para recuperar em casa
Siga as indicações do médico e tome apenas os medicamentos prescritos.
Caso lhe receitem antibiótico, respeite o horário e a dose das tomas. Faça o tratamento até ao fim (geralmente, 7 a 10 dias), mesmo que já se sinta melhor.
Não fume, descanse e beba muitos líquidos (água, infusões, sumos).
O paracetamol, o ibuprofeno ou a aspirina podem ser usados para aliviar as dores e baixar a febre. Não dê aspirina a crianças com menos de 16 anos, pois pode desencadear a chamada síndroma de Reye (uma doença grave que afecta o cérebro e o fígado).
Os antitússicos não são aconselháveis: impedem a tosse, um mecanismo de defesa natural de eliminação das secreções contaminadas.
O ambiente húmido alivia a tosse e torna as secreções mais fluidas e fáceis de expelir. Faça aerossóis três a quatro vezes por dia, durante cerca de 30 minutos. Se tiver um aparelho de aerossol, deite apenas soro fisiológico (excepto se o médico recomendar algum medicamento adicional). Num humidificador eléctrico, use água corrente. Pode também fazer vapores na casa de banho, enchendo a banheira com água bem quente.
Vacina da gripe depois dos 65 anos
Algumas vacinas podem ser úteis para prevenir uma pneumonia. É o caso da vacina contra o Haemophilus influenzae tipo B, que faz parte do Plano Nacional de Vacinação e é administrada aos bebés. Também existe uma vacina contra pneumococos, o principal agente causador da pneumonia, e a vacina da gripe, contra o vírus Influenzae. Estas apenas são recomendadas aos grupos de risco, ou seja, idosos com mais de 65 anos, doentes crónicos (diabetes ou bronquite crónica) ou com o sistema imunitário debilitado (sida ou cancro). Também se devem vacinar os profissionais de saúde e de instituições que lidem com idosos e doentes crónicos.
Fale com o seu médico de família para saber que vacinas lhe aconselha. A vacina contra os pneumococos toma-se uma vez, podendo ser necessário um reforço a cada três ou cinco anos. A vacina da gripe toma-se anualmente, no Outono.
O doente deve lavar muitas vezes as mãos, deitar fora os lenços de papel num saco fechado e arejar a casa. As bactérias e vírus da pneumonia propagam-se através da tosse e dos espirros. Além disso, encontram-se nas mãos, nos copos, toalhas e talheres usados pelo doente, pelo que não deve partilhá-los.