Apoio da família, fisioterapia e terapia da fala reduzem limitações. Poucos doentes têm acesso a estas armas poderosas para combater o Parkinson.
Tremores involuntários, debilidade muscular, partes do corpo inactivas e ausência de danos na capacidade intelectual remetem para a doença de Parkinson, problema degenerativo do sistema nervoso central. As células cerebrais produtoras de dopamina, responsável pela transmissão dos impulsos nervosos entre os neurónios, morrem ou sofrem perturbações. As zonas afectadas controlam os músculos da cara, membros superiores e inferiores. À medida que a doença progride, os pacientes sentem dificuldades em caminhar e manter o equilíbrio. A maioria dos casos ocorre entre os 55 e os 75 anos.
Quatro sinais de alerta
O tremor é mais evidente quando o indivíduo está parado, diminui em movimento e está ausente no sono. Aumenta sob tensão emocional e cansaço. No geral, começa numa mão e envolve o pulso e os dedos. Estende-se à outra mão, braços e pernas. Por vezes, suaviza com a progressão da doença.
Também surge rigidez muscular. Pode provocar espasmos rítmicos quando as articulações se movem e contribui para dores musculares e sensação de cansaço.
Os movimentos tornam-se mais lentos, perdem amplitude e tornam-se difíceis de iniciar, problema que se agrava à medida que a doença avança. O rosto fica rígido, os olhos piscam menos, a boca mantém-se aberta e a fala pode ficar monocórdica. Com frequência, o doente está a caminhar e pára de repente. Outra característica: a caligrafia passa a ser muito pequena.
Com o agravar da doença, desaparecem os reflexos da postura, movimentos automáticos que mantêm o tronco recto e combatem a gravidade. Nota-se instabilidade e perda de equilíbrio, o que leva à dificuldade em começar a andar, virar e parar. Os passos podem ficar mais pequenos e rápidos. Há tendência para correr, a fim de evitar quedas.
Medicamentos eficazes no início
Os medicamentos tratam os sintomas, mas não abrandam a progressão da doença. São especialmente eficazes nos primeiros anos. O tratamento clássico consiste na toma de comprimidos de levodopa ou L-dopa. Tem grandes benefícios e poucos efeitos adversos no curto prazo. Mas o uso prolongado está associado a complicações motoras, como discinesia, isto é, movimentos excessivos e involuntários. Também podem surgir flutuações no nível de actividade ao longo do dia (por exemplo, momentos em que o doente está muito agitado ou fica “congelado”).
Outros medicamentos são sobretudo úteis em fases precoces da doença.
Os doentes até aos 70 anos, resistentes à medicação, sem lesões cerebrais, depressão ou demência, são candidatos à cirurgia. Porém, o procedimento é caro, tem riscos, como hemorragia e infecções, e exige acompanhamento.
O transplante de células estaminais tem grande potencial, mas não foi autorizado. Estão a ser investigadas outras estratégias relacionadas com o uso destas células.
Meses à espera de consulta
A fisioterapia aumenta a mobilidade, a flexibilidade, a força, o equilíbrio e a postura corporal. A manutenção de uma actividade ou ocupação ajuda em termos emocionais. A terapia da fala pode melhorar a potência da voz e a inteligibilidade do discurso. Mas a Associação Portuguesa de Doentes de Parkinson, sem capacidade para chegar a todos os doentes, é praticamente a única a fornecer tratamentos a preço acessível. No sector público, os doentes esperam meses por uma consulta de neurologia. Se não conseguirem aceder ao privado, podem ver a saúde degradar-se.
Na rede nacional de apoios, o doente e os familiares não têm muitas opções. A segurança social e, por vezes, os serviços municipais oferecem ajudas.
Serviços de apoio domiciliário prestam auxílio nas tarefas que o doente não pode desempenhar. Nos centros de dia, tem acesso a refeições, cuidados pessoais e terapia ocupacional. Lares de idosos não são opção, dada a falta de pessoal treinado.
A rede de cuidados continuados, cujo acesso é feito através do médico de família, enfermeiro ou assistente social do centro de saúde, proporciona assistência em casa.