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Parkinson: carinho ajuda a domar doença

Apoio da família, fisioterapia e terapia da fala reduzem limitações. Poucos doentes têm acesso a estas armas poderosas para combater o Parkinson.

Parkinson: carinho ajuda a domar doença

Tremores involuntários, debilidade mus­cular, partes do corpo inactivas e ausência de danos na capacidade intelectual remetem para a doença de Parkinson, problema degenerativo do sistema nervoso central. As células cerebrais produtoras de dopamina, responsável pela transmissão dos impulsos nervo­sos entre os neurónios, morrem ou sofrem perturbações. As zonas afectadas controlam os músculos da cara, membros supe­riores e inferiores. À medida que a doença progride, os pacientes sentem dificuldades em caminhar e manter o equilíbrio. A maioria dos casos ocorre entre os 55 e os 75 anos.

Quatro sinais de alerta

  • O tremor é mais evidente quando o indivíduo está pa­rado, diminui em movimento e está ausente no sono. Aumenta sob tensão emocional e cansaço. No geral, começa numa mão e envolve o pulso e os dedos. Estende-se à outra mão, braços e pernas. Por vezes, suaviza com a progressão da doença.
  • Também surge rigidez muscular. Pode provocar espasmos rítmicos quando as articulações se movem e contribui para dores musculares e sensação de cansaço.
  • Os movimentos tornam-se mais lentos, perdem amplitude e tornam-se difíceis de iniciar, problema que se agrava à medida que a doença avança. O rosto fica rígido, os olhos piscam menos, a boca mantém-se aberta e a fala pode ficar monocórdica. Com frequência, o doente está a ca­minhar e pára de repente. Outra característica: a caligrafia passa a ser muito pequena.
  • Com o agravar da doença, desaparecem os reflexos da postura, movimentos automáti­cos que mantêm o tronco recto e combatem a gravidade. Nota-se instabilidade e perda de equilíbrio, o que leva à dificuldade em come­çar a andar, virar e parar. Os passos podem ficar mais pequenos e rápidos. Há tendência para correr, a fim de evitar quedas.

Medicamentos eficazes no início

  • Os medicamentos tratam os sintomas, mas não abrandam a progressão da doença. São especialmente eficazes nos primeiros anos. O tratamen­to clássico consiste na toma de comprimidos de levodopa ou L-dopa. Tem grandes benefícios e poucos efeitos adversos no curto prazo. Mas o uso prolongado está as­sociado a complicações motoras, como discinesia, isto é, movimentos excessivos e involuntários. Também podem surgir flutuações no nível de actividade ao longo do dia (por exemplo, momentos em que o doente está muito agitado ou fica “congelado”).
  • Outros medicamentos são sobretudo úteis em fases precoces da doença.
  • Os doentes até aos 70 anos, resistentes à medicação, sem lesões cerebrais, depressão ou demência, são candidatos à cirurgia. Porém, o procedimento é caro, tem riscos, como hemorragia e infecções, e exige acompanhamento.
  • O transplante de células estaminais tem grande potencial, mas não foi autorizado. Estão a ser inves­tigadas outras estratégias relacio­nadas com o uso destas células.

Meses à espera de consulta

  • A fisioterapia aumenta a mobilidade, a flexibilidade, a força, o equilíbrio e a postura corporal. A manutenção de uma activida­de ou ocupação ajuda em termos emocionais. A terapia da fala pode melhorar a potên­cia da voz e a inteligibilidade do discurso. Mas a Asso­ciação Portuguesa de Doentes de Parkinson, sem capacidade para chegar a todos os doentes, é praticamente a única a fornecer tratamen­tos a preço acessível. No sector público, os doentes esperam me­ses por uma consulta de neurologia. Se não con­seguirem aceder ao privado, podem ver a saúde degradar-se.
  • Na rede nacional de apoios, o doente e os familiares não têm muitas opções. A segurança social e, por vezes, os servi­ços municipais oferecem ajudas.
  • Serviços de apoio domiciliário prestam auxílio nas tarefas que o doente não pode desempenhar. Nos centros de dia, tem acesso a refeições, cuidados pessoais e terapia ocupacional. Lares de idosos não são opção, dada a falta de pessoal treinado.
  • A rede de cuidados continuados, cujo acesso é feito através do médico de fa­mília, enfermeiro ou assistente social do centro de saúde, proporciona assistência em casa.

 

 
 
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