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Nos hospitais da Cova da Beira (Covilhã), da Lapa (Porto), Distrital de Faro, Egas Moniz, dos Capuchos e São José (Lisboa) foi detectada a legionela, uma bactéria responsável pela chamada doença do legionário. O alerta é da DECO PROTESTE, que está a realizar um estudo para verificar o ambiente de 19 hospitais.
A legionela pode ser libertada para o ar durante a evaporação de gotículas de água das torres de arrefecimento do ar condicionado ou em aerossóis formados no banho de chuveiro e ser, então, inalada e atingir os pulmões. O facto de se encontrar a bactéria em determinados pontos do ambiente não significa que irão ocorrer necessariamente infecções. O risco depende muito do estado de saúde do indivíduo, sendo mais provável em pessoas debilitadas. Embora não seja contagiosa de pessoa para pessoa, a infecção, pode, em último caso, ser mortal.
Para a investigação, esta associação de consumidores recolheu amostras de ar e água em vários pontos dos hospitais. A legionela foi encontrada em amostras do circuito de água quente de seis hospitais.
A temperatura ideal para a proliferação da legionela situa-se entre os 20 e os 45 °C (sendo difícil que sobreviva a temperaturas superiores a 70 °C ). As instalações com água quente, como os reservatórios e as canalizações, são o seu local predilecto, mas toda a rede predial de água pode ser contaminada.
Logo que teve conhecimento dos resultados, a DECO informou a direcção das unidades de saúde envolvidas, pedindo que indicassem as medidas que iriam tomar para resolver o problema.
Até ao momento, e algumas cartas já foram enviadas há mais de dois meses, apenas os hospitais Egas Moniz, de Lisboa, e da Cova da Beira, na Covilhã, responderam à DECO, dizendo terem comunicado o problema aos respectivos serviços de instalação e equipamento.
A mesma informação seguiu para a Direcção-Geral da Saúde, para o Ministério da Saúde, para as Administrações Regionais de Saúde e para a Inspecção-Geral da Saúde.
A Direcção-Geral da Saúde, no seu Programa de Vigilância Epidemiológica Integrada da Doença dos Legionários, recomenda uma prevenção e controlo rigoroso, para minimizar os riscos de contaminação. Refere que devem ser identificados todos os pontos críticos das instalações hospitalares, além de verificar o estado dos equipamentos. Simultaneamente, recomenda programas de controlo da qualidade da água onde se insere a pesquisa de legionela.
Pontos críticos nos hospitais:
- Rede predial de água fria e quente (depósitos, chuveiros, torneiras)
- Torres de arrefecimento e condensadores
- Equipamento de climatização
- Humidificadores
- Equipamentos invasivos, como, por exemplo, os aparelhos de aerossol
Todos os hospitais públicos e privados são obrigados a ter uma Comissão de Controlo da Infecção que zele pelo cumprimento das recomendações destas boas práticas para prevenir infecções, nomeadamente o tratamento das águas para impedimento da proliferação da legionela. Os resultados apresentados pela DECO PROTESTE mostram claramente que os controlos ou, pelo menos, as medidas de prevenção não estão a ser feitos da melhor forma.
Tudo indica que estas recomendações só terão uma aplicação generalizada quando forem transformadas em lei e a sua verificação não se confinar apenas ao controlo do próprio hospital. Neste sentido, a Inspecção-Geral de Saúde deveria garantir uma fiscalização eficaz.
No total de 19 hospitais analisados, em seis, a DECO PROTESTE encontrou legionela nalguns locais das suas instalações. Apenas uma análise exaustiva de todos os pontos críticos das unidades de saúde permitirá verificar a extensão do problema nos restantes hospitais.
DECO PROTESTE aconselha
Por confundir-se com uma gripe ou alguns tipos de pneumonia, esta doença não é, muitas vezes, diagnosticada e tratada convenientemente. Assim, se o doente tiver febre, tosse, dificuldades respiratórias e dores na zona dos pulmões, deverá alertar o seu médico caso tenha frequentado um hospital, para que este considere a possibilidade de uma infecção nosocomial, nomeadamente por legionela. Quando detectada e tratada precocemente com um antibiótico específico, a doença poderá ser facilmente controlada.
O utente das unidades de saúde pouco ou nada pode fazer para evitar uma contaminação. Mas pode apresentar uma reclamação caso contraia uma legionelose numa unidade de saúde, aconselha a DECO.
Pode dirigir-se ao gabinete do utente (existe em todos os hospitais públicos) e expor o sucedido verbalmente ou por escrito. Em paralelo, pode enviar uma carta ao director do centro hospitalar, denunciando a situação. Uma carta com o mesmo conteúdo pode ser dirigida à Inspecção-Geral da Saúde (Av. 24 de Julho, n.º2, 1249-072 Lisboa). Por último, e para responsabilizar o hospital, o utente pode sempre recorrer aos tribunais, exigindo uma indemnização.
09.05.2005
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