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Doença bipolar: como tratar?

Mesmo sem cura, a perturbação bipolar pode ser controlada. Medicação adequada, apoio psicológico, médico e familiar são a receita para ter uma vida mais estável.

Doença bipolar: como tratar?

Sinais de alerta

Entrar numa loja e passar um cheque de mil euros, sem cobertura, para comprar roupa de um tamanho que não é o seu. Ouvir a notícia de uma catástrofe no telejornal e acreditar que ocorreu por sua culpa. Estes são episódios bem conhecidos por quem sofre da doença bipolar, que já foi designada por “maníaco-depressiva”. Excêntricos e cativantes, os doentes bipolares podem passar por períodos de grande energia e criatividade na vida e no trabalho. Mas as fases “enérgicas” rapidamente podem dar lugar a um estado de euforia e irritabilidade ou depressão que têm um grande impacto na vida profissional, social e nas relações com os outros. Sem tratamento, as crises podem tornar-se mais frequentes e sucessivas e trazer outras complicações, como ruína financeira, comportamentos violentos ou promíscuos (devido a um estado de grande desinibição) e abuso de álcool e de drogas.

O distúrbio bipolar é uma doença psiquiátrica caracterizada por variações acentuadas do humor, com crises repetidas de mania ou de hipomania e depressão. Qualquer um dos dois tipos de crise pode predominar numa mesma pessoa, com diferente intensidade e duração.

Nas crises de mania, os pacientes podem passar por um estado expansivo ou irritável e ter actividade mental e física intensas, pois as necessidades de sono também diminuem, sem sofrer fadiga. A sensação de grandeza e poder leva-os, muitas vezes, a comportamentos irresponsáveis e, nos casos mais graves, a ter ilusões e alucinações.

Alguns doentes atravessam também fases de hipomania, mais ligeiras do que as de mania, em que conseguem manter-se capazes e sem delírios. Nesta altura, é frequente pararem com a medicação e segue-se, geralmente, uma crise de mania ou de depressão.

Num episódio de depressão, o doente sente-se triste sem razão aparente e perde o interesse nas actividades diárias. Registam-se também mudanças significativas de apetite e dos hábitos de sono, acompanhadas por sentimentos de ansiedade e irritabilidade e pensamentos recorrentes de morte e suicídio.

Crises sob controlo

Em média, são precisos 10 anos para chegar ao diagnóstico da doença. Algumas pessoas que sofrem um primeiro episódio não voltam a ter outro durante muito tempo. Durante a sua vida, o paciente pode passar por 8 ou 10 episódios de mania ou de depressão (mais frequentes), que nada têm de previsíveis ou regulares.

O primeiro passo para identificar o problema é consultar o médico, que analisará a história clínica e pessoal do doente, bem como os sintomas que tem ou já teve. Depois, é preciso afastar hipóteses de patologias com sintomas semelhantes, como a depressão e a esquizofrenia. Os sintomas depressivos são mais fáceis de identificar e, muitas vezes, o doente só procura tratamento nas fases de depressão. A medicação antidepressiva pode até estimular os episódios de mania. Na depressão bipolar, que dura menos tempo do que a “unipolar”, os sintomas depressivos são mais atípicos e desenvolvem-se progressivamente. Além disso, a bipolaridade inclui um estado de hipomania ou de mania, onde ocorrem, por vezes, ilusões e alucinações. Estas levam a semelhanças com a esquizofrenia. Mas estes últimos doentes distinguem-se por não terem episódios de mania ou de hipomania e por serem inexpressivos, ao contrário dos bipolares.

Na fase inicial do tratamento, o objectivo é controlar os sintomas dos diferentes episódios. Depois, aposta-se em reduzir a frequência das crises e evitar os ciclos e as sucessivas recaídas. Os médicos costumam receitar estabilizadores de humor, como o lítio, a carbamazepina e a lamotrigina, que evitam episódios graves de depressão e de mania e diminuem muito a probabilidade de novas ocorrências. Junto com estes, os antidepressivos e antipsicóticos (os últimos para controlar as alucinações ou delírios) complementam o tratamento.

Em fases de mania, é comum que o doente, porque se sente eufórico e poderoso, deseje prolongar esse estado e pare com a medicação. Além da medicação, o acompanhamento psicoterapêutico numa associação de saúde mental e o apoio familiar são decisivos para controlar as mudanças extremas de comportamento e estimular a adesão ao tratamento.

 
 
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