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Diabetes com linha de apoio

Mais de 300 profissionais de saúde ajudam diabéticos em urgência no novo serviço da Linha Saúde 24, do Serviço Nacional de Saúde.

Pelo 808 24 24 24, os diabéticos recebem conselhos sobre como controlar a doença e prevenir complicações frequentes causadas pela diabetes.

Mais de meio milhão de portugueses que sofrem da doença aplaudem a medida. A linha de apoio pode beneficiar perto de um milhão, número que se estima ao incluir os casos ainda não diagnosticados. Em 2006, a diabetes afectava já 6,5% da população, segundo o Inquérito Nacional de Saúde.

Actualmente, há 180 milhões de pessoas com diabetes no mundo. Mas calcula-se que o número duplique em 2030, devido ao aumento da obesidade e sedentarismo nos países desenvolvidos, de acordo com a Organização Mundial de Saúde.

O nosso inquérito publicado em Outubro de 2006 revela que mais de 15% dos portugueses arriscam-se a sofrer de diabetes: têm familiares com esta doença, excesso de peso ou obesidade, são sedentários e apresentam sintomas como cansaço extremo e vontade frequente de urinar.

Tipos de diabetes

O nosso corpo precisa de açúcar, a glucose, como fonte de energia. O pâncreas produz a insulina, hormona responsável pela regulação da quantidade de açúcar no sangue, e transforma-a para ser utilizada pelas células. Nos diabéticos, o pâncreas não produz insulina ou a quantidade é insuficiente, e as células resistem à actuação da insulina. Assim, os açúcares ingeridos acumulam-se no sangue e são mal aproveitados (hiperglicemia).

Se não for tratada, a diabetes pode causar cegueira, limitações na visão e lesões irreparáveis nos rins, além de problemas cardíacos ou nervosos. A falta de irrigação sanguínea pode afectar os membros inferiores, provocar úlceras e obrigar a amputações.

Tipo 1 ou insulino-dependente
Surge, geralmente, na infância ou adolescência e não está relacionada com a alimentação ou estilo de vida. Nesta doença com forte componente genética, o organismo destrói as células do pâncreas. Resultado: o pâncreas deixa de produzir insulina e o paciente tem de utilizar insulina para toda a vida.

Tipo 2 ou não insulino-dependente
Mais frequente depois dos 40 anos, manifesta-se, sobretudo, devido ao excesso de peso e um estilo de vida sedentário. A predisposição familiar também influencia o seu aparecimento. O pâncreas produz insulina, mas em quantidade insuficiente. Pode corrigir-se o equilíbrio dos açúcares no sangue através de uma dieta adequada e exercício físico. Se não for eficaz, aposta-se na medicação oral. Quando o pâncreas deixa de produzir insulina, é necessário injectar insulina. A diabetes de tipo 2 é das causas de morte que mais cresceu na última década, em Portugal.

Diabetes gestacional
Nalgumas grávidas, o nível de açúcar no sangue aumenta devido a hormonas que reduzem a produção de insulina. Esta situação exige controlo médico, com análises da glicemia regulares, para não afectar a saúde do bebé. A diabetes gestacional é fácil de controlar e desaparece após o parto. Mas o risco de ter diabetes do tipo 2 mais tarde aumenta.

Exames necessários

Nem todos os pacientes têm o hábito de medir os níveis de glicemia três vezes por dia: 20% dos diabéticos de tipo 1 não fez este auto-exame no último mês, segundo os resultados do nosso inquérito a 3 mil portugueses, de 2006. Essa medição é essencial para prevenir complicações.

Examine os pés. Devido à neuropatia, atrofio dos nervos periféricos, os diabéticos perdem sensibilidade nas extremidades e nem sempre se apercebem de lesões infectadas. Como há diminuição no fluxo sanguíneo, podem desenvolver-se úlceras e até levar à amputação. Mas mais de metade dos diabéticos inquiridos admite não ter feito este controlo no último mês.

A maioria dos inquiridos referiu também não frequentar consultas de rotina da diabetes e especialistas de podologia (cuidados dos pés) e oftalmologia, o que aumenta o risco de comprometer a sua qualidade de vida.

Sinais de alarme

  • Cansaço extremo.
  • Muita sede e boca seca.
  • Visão turva.
  • Necessidade frequente de urinar, em especial, à noite.
  • Fome constante.
  • Perda repentina de peso injustificada, no caso da diabetes de tipo 1, ou aumento, nos doentes de tipo 2.

Como prevenir

Controle o seu peso e siga uma alimentação equilibrada, rica em fruta e legumes.

Procure ter um estilo de vida saudável e fazer mais actividade física, durante meia hora por dia, pelo menos.

Vigie a sua tensão arterial e níveis de colesterol.

Perante os sinais de alarme, fale com o seu médico. Pode também fazer uma análise à glicemia no sangue em jejum, numa farmácia. Os valores normais situam-se entre 80 e 120 miligramas de glucose por decilitro de sangue.

Para evitar complicações, os diabéticos também não devem fumar.

Travar a epidemia

A diabetes de tipo 2 é a forma mais comum da doença. O aumento dos níveis de obesidade infantil e adolescente contribui para o crescimento alarmante desse tipo entre os mais jovens. Evitar novos casos e prevenir complicações nos doentes, como doenças cardiovasculares, insuficiência renal, amputações e cegueira, exige reforçar a importância de um estilo de vida saudável e dos controlos regulares.

Aprovada em Abril de 2006 pelo Parlamento Europeu, a "Declaração Escrita sobre a Diabetes" propõe que todos os Estados-membros assegurem:

  • programas de prevenção para crianças e adolescentes, que reforcem a necessidade de adoptar hábitos saudáveis, controlar o peso e fazer exercício físico;
  • formação adequada dos profissionais de saúde que trabalham com diabéticos, para ajudá-los a lidar melhor com a doença e lembrar a importância dos auto-exames.

Estas medidas já estão contempladas no Programa Nacional de Prevenção e Controlo da Diabetes e no Programa Nacional de Combate à Obesidade, inseridos no Plano Nacional de Saúde de 2004-2010. Mas o nosso país tem muito a melhorar ao nível da prevenção e acesso a tratamentos e exames. Obtivemos mesmo o terceiro pior índice nos cuidados da diabetes, entre 29 países europeus, no relatório da Health Consumer Powerhouse, organização europeia que analisou os cuidados de saúde para diabéticos, em 2008.

Os resultados, com base na experiência de consumidores, revelam que o dinheiro é um factor importante para obter melhores tratamentos. A falta de informação completa para escolher e do direito de seleccionar prestadores de serviços, a ausência de sapatos especiais e o difícil acesso a cuidados podológicos são outras falhas apontadas. No estudo, as comparticipações de insulina e medicamentos mereceram boa nota.

A reduzida percentagem de pessoas em desabituação tabágica e de prática de exercício físico são indicadores de uma fraca aposta na prevenção. Há ainda algum trabalho por fazer na recolha de dados sobre a prevalência da diabetes.

  Última atualização em novembro de 2008
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