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Cancro do cólon: como prevenir?

Combater o cancro que mais mata em Portugal passa por uma dieta rica em vegetais, exercício físico e na detecção precoce, com exames regulares a partir dos 50 anos.

Cancro do cólon: como prevenir?

O cancro colorectal é o que mais mata no nosso país, tanto homens como mulheres: é responsável por mais de 3000 óbitos todos os anos e os números não param de aumentar desde os anos 80. O abandono progressivo da dieta mediterrânica, rica em fibras, entre outras características saudáveis, o recurso cada vez mais frequente à comida rápida e a falta de exercício físico podem ser as principais causas.

Quando o tumor é detectado num estádio precoce, ainda localizado exclusivamente no intestino, a taxa de sucesso dos tratamentos é superior a 95 por cento. Recomenda-se, por isso, o rastreio anual a partir dos 50 anos, através da pesquisa de sangue oculto nas fezes. Aos grupos de risco, aconselha-se a colonoscopia e a remoção de eventuais pólipos detectados. Estima-se que a sua extracção permitiria evitar até 85% das mortes por cancro do cólon. Inserem-se nestes grupos os indivíduos a partir dos 50 anos, com uma alimentação pobre em vegetais verdes, fibras e muito calórica, excesso de peso e sedentarismo, presença de pólipos, colite ulcerosa ou doença de Crohn ou história familiar de cancro do cólon.

Principais sinais de alarme:

  • alteração nos hábitos intestinais, com episódios repetidos de diarreia ou prisão de ventre que não tinha antes;

  • vestígios de sangue nas fezes;

  • cólicas ou dores abdominais;

  • sensação de que o intestino não esvazia completamente;
  • falta de apetite e perda de peso inexplicadas;

  • fadiga inexplicada.

Exames de rastreio

  • Toque rectal: faz parte dos exames físicos de rotina para a detecção de anomalias. Muitas vezes, as lesões cancerosas desenvolvem-se mais acima, pelo que a utilidade deste exame é limitada.

  • Pesquisa de sangue oculto nas fezes: é uma forma eficaz de detectar precocemente o cancro do intestino, já que o tumor ou os pólipos podem sangrar. A colheita das fezes pode ser feita em casa, em três dias consecutivos. Nos dois dias que antecedem o exame, o paciente não deve ingerir bebidas alcoólicas, salicilatos (Aspirina), vitamina C e alimentos como carne vermelha, brócolos, couve-flor ou bananas. Este exame não apresenta riscos, é bem tolerado, barato e fácil de realizar. Tem provado salvar vidas.

  • Sigmoidoscopia: o médico introduz no ânus um tubo flexível de 60 cm, munido de um sistema óptico, que permite observar o interior do recto e a parte final do cólon. Normalmente, não é necessário anestesia. Uns dias antes do exame, o paciente deve seguir uma dieta rigorosa e apresentar-se com os intestinos totalmente limpos, após ter usado um laxante ou um clister. Caso surjam tecidos suspeitos ou pólipos, é possível removê-los de imediato.

  • Colonoscopia: permite observar a totalidade do cólon, usando um longo tubo iluminado, chamado colonoscópio. Os pólipos ou eventuais tumores detectados são logo removidos. Durante alguns dias, o paciente deve seguir uma dieta rigorosa e, antes do exame, deve beber alguns litros de uma solução salgada, que provoca diarreia, para limpar totalmente os intestinos. Geralmente, o exame é feito sob sedação, para minimizar o desconforto.

  • Radiografia (clister opaco): permite visualizar o intestino através de raios-X, após a introdução de uma solução branca, contendo bário, pelo ânus. Este exame é menos fiável do que a colonoscopia e causa algum mal-estar, pelo que apenas se usa quando a colonoscopia é contra-indicada ou por opção do doente.

Hábitos que salvam

  • Inclua cinco porções de fruta e legumes crus e cozidos na sua alimentação diária. Consuma também cereais diariamente, como pão, arroz e massa, de preferência integrais, pela sua riqueza em fibras. Limite o consumo de gorduras e de carnes vermelhas.

  • Faça, pelo menos, 30 minutos de actividade física todos os dias e procure ter o peso adequado.

  • Modere o consumo de álcool e evite fumar.

  • Se tiver mais de 50 anos, peça ao seu médico para fazer os exames de rastreio, mesmo que não tenha queixas.

  • Perante os sinais de alarme (alterações no trânsito intestinal ou sangue nas fezes), não tarde em ir ao médico. As causas podem ser simplesmente hemorróidas. Caso se trate de um cancro do cólon, os tratamentos são muito eficazes, quando o tumor é detectado no início.
 
 
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