Evitar o tabaco e o álcool e incluir muita fruta e legumes na ementa diária reduz o risco. Não deixe arrastar uma rouquidão inexplicada por mais de 15 dias.
Entre os tumores da cabeça e pescoço, o cancro da laringe é o segundo mais frequente, a seguir ao da faringe. Afecta sobretudo homens com mais de 55 anos. Além de factores hereditários, está associado ao consumo excessivo de tabaco e álcool. Representa a quinta causa oncológica de morte a nível mundial, a seguir ao cancro do pulmão, cólon, bexiga e próstata. Portugal é o terceiro país da Europa com maior incidência do cancro da laringe.
Detectado precocemente, tem grandes hipóteses de cura. É importante ir ao médico quando surgem sinais de alarme.
Sinais de alarme
Rouquidão sem causa aparente por mais de duas semanas é motivo para consultar um otorrinolaringologista (especialista dos ouvidos, nariz e garganta) sem tardar:
rouquidão ou outra alteração da voz persistente;
um gânglio no pescoço;
garganta seca ou sensação de ter um corpo estranho recorrente na garganta;
tosse persistente;
problemas respiratórios;
mau hálito persistente;
dores de ouvido;
perda de peso sem razão aparente;
dificuldade ou dor ao engolir.
Do diagnóstico ao tratamento
Regra geral, para excluir a presença de um tumor, o diagnóstico passa por uma laringoscopia. Permite visualizar a laringe de forma clara. Caso detecte uma anomalia (um pólipo, por exemplo), o médico pode extrair um pedaço de tecido para analisar.
Na presença de tecidos cancerosos, o paciente é submetido a exames (geralmente, uma tomografia axial computorizada) para determinar a extensão do problema. Para um tumor detectado numa fase inicial, localizado e de pequena dimensão, a taxa de cura é muito elevada.
Os tratamentos podem passar por cirurgia, nomeadamente com laser, radioterapia e/ou quimioterapia. Por vezes, é necessário remover parte da laringe, ou uma porção das cordas vocais, sem afectar totalmente a voz (laringectomia parcial). A colocação de um orifício (ostoma), entre a traqueia e a superfície, para respirar, é temporário. Com o passar do tempo, o orifício acaba por fechar-se.
Quando o tumor está numa fase mais avançada, o tratamento passa pela remoção total da laringe e cordas vocais (laringectomia total). Os pacientes perdem a voz e a capacidade de respirar pela boca e nariz. A passagem dos alimentos mantém-se.
Cuidados após uma laringectomia
Após a cirurgia, o paciente é informado sobre os cuidados de higiene diária do pescoço, sobre as medidas de protecção do ostoma (orifício) através de filtro, para evitar a entrada de ar frio, pó, insectos, etc. Deve evitar ambientes poluídos e/ou secos e beber bastantes líquidos. Se viver em ambiente muito seco, deverá utilizar humidificadores. Encontrará mais informações práticas na página on-line da Associação Portuguesa dos Limitados da Voz.
A terapia da fala ajuda a recuperar a fala através de uma voz esofágica. A expulsão do ar que vem da parte superior do esófago vibra nas suas paredes, emitindo sons. O paciente aprende progressivamente a emitir sílabas, depois palavras e frases, até ao domínio total da fala. Este processo leva, em média, 6 meses. Os hospitais que efectuam laringectomias têm centros de terapia da fala.
Nos casos em que a reeducação da voz não é eficaz, existem alternativas para voltar a falar, como a prótese fonatória ou laringe electrónica. No primeiro caso, é necessária uma cirurgia para colocar uma pequena prótese entre a traqueia e o esófago.
A laringe electrónica consiste num pequeno aparelho que o utente encosta à garganta e emite vibrações para a produção de sons.
Evite o tabaco e o álcool
Evite o consumo excessivo de tabaco e álcool. Estes dois factores associados aumentam 200 vezes o risco de cancro da laringe.
Os antioxidantes nos alimentos ajudam a reduzir o risco de cancro. Privilegie o leite, a fruta, os legumes e o chá verde na sua dieta. A fruta e legumes ricos em carotenóides são especialmente benéficos. Reconhecem-se pela cor vermelha-alaranjada ou escura: cenoura, tomate, manga, uvas pretas, laranja, alperce, melancia, espinafre e beterraba são exemplos.
Os pesticidas, as tintas e o fumo passivo estão na lista dos factores de risco. Pessoas que trabalhem com estas substâncias devem proteger-se adequadamente, com máscaras, ventilando o espaço de trabalho e não fumando em recintos fechados, por exemplo.
Perante uma rouquidão ou alteração da voz que persistem mais de duas semanas, consulte um otorrinolaringologista. Existem muitas causas possíveis. Em caso de tumor na garganta, a detecção precoce garante uma taxa de cura superior a 90 por cento.