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A bactéria multirresistente importada da Índia e Paquistão para países ocidentais, como o Reino Unido, Canadá e Estados Unidos, reacendeu a discussão sobre o uso irracional de antibióticos.
O desenvolvimento de resistência microbiana é natural, mas o abuso destes medicamentos acelera-o. Neutralizam as bactérias, também lhes dão oportunidade de lutarem, se adaptarem e desenvolverem defesas. Neste processo, podem alterar-se áreas específicas dos genes onde o medicamento actua, retirando-lhe a eficácia. Estas características são transmitidas a outras bactérias e o problema afecta toda a população.
O aumento das resistências e a disseminação ao nível global implica graves problemas de saúde pública. A bactéria asiática, por exemplo, produz uma enzima contra a qual apenas dois antibióticos têm eficácia, mas limitada. A continuar por esta via, corremos o risco de ficar sem armas para lutar contra as infecções.
A solução passa por racionalizar o consumo. Os médicos só devem receitar estes fármacos quando imprescindíveis. A pressão dos doentes não pode ser um critério para prescrições desnecessárias.
O controlo das infecções hospitalares é também crucial para limitar o consumo de antibióticos e evitar a propagação de “super-bactérias”, que encontram nos hospitais o meio ideal para se desenvolverem. O crescimento do chamado turismo de saúde complica a acção: os pacientes recorrem cada vez mais a serviços de países onde é mais barato, por exemplo, fazer cirurgia estética. Se contraírem uma infecção, podem transportar novas bactérias resistentes para o seu país e transmiti-las a outros.
As farmácias apenas devem vender antibióticos mediante receita médica e aproveitar eventuais pedidos de pacientes fora deste âmbito para explicar o risco de tomá-los quando são desnecessários e ineficazes.
Prescritos pelo médico, os antibióticos devem ser administrados conforme as indicações e até ao fim da embalagem. Caso contrário, as bactérias mais lutadoras podem sobreviver, atacar com força e exigir um medicamento mais “potente”.
Portugal é dos maiores consumidores europeus destes medicamentos e dos menos informados: 78% acreditam que eliminam vírus, como o da gripe, mito partilhado por metade dos europeus, segundo os resultados de um inquérito da Comissão Europeia, em 2009. Mais de um terço dos que os tomaram sofriam de gripe ou constipação.
O nosso estudo de 2007 também denunciou uso irracional: perante uma dor de garganta simulada, 37 médicos, em 67, receitaram antibióticos. Em 8 farmácias, entre 90, não precisámos de receita para comprar.
Última atualização em agosto de 2010
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