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Os portugueses poupam menos e gastam mais em empréstimos, quando comparados com os belgas, espanhóis e italianos. São os resultados de um inquérito da DECO PROTESTE, publicado na DINHEIRO & DIREITOS.
Mais de 87% dos portugueses pensam que é importante poupar, sobretudo para despesas inesperadas, como uma doença ou acidente, para os filhos e a velhice. Mas dois quintos fazem-no com dificuldade: quase 30% não enchem o mealheiro com regularidade e um em cada oito chega ao fim do mês com a carteira vazia.
Para mais de 40%, um terço do orçamento mensal não chega para os empréstimos. Cerca de 15% deixa no banco metade do que ganha. A maior fatia vai para a casa, mas os créditos ao consumo e os cartões começam a ganhar algum peso. Metade da população é titular de, pelo menos, um crédito ao consumo, e 10% usa-o para pagar outros empréstimos.
Em regra, os bancos emprestam dinheiro a quem dê garantias de pagar a sua dívida. Mas compete ao consumidor negociar as condições. Segundo a DINHEIRO & DIREITOS, cerca de 69% dos inquiridos que contactaram três ou mais bancos antes de contratar o crédito melhoraram as condições. Três em quatro dos que negociaram num mesmo banco reduziram o spread, grosso modo, a margem de lucro do banco nas operações de crédito.
“A resistência à negociação é maior nos consumidores já com um crédito em vigor”, revela a associação. Mais de metade nunca tentou melhorar as condições no banco e quase 90% mantém--se fiel desde o primeiro dia.
Nos investimentos, os portugueses jogam pelo seguro. Cerca de 78% investem metade do seu pé--de-meia em produtos com rendimento garantido, como depósitos a prazo, certificados de aforro e seguros de capitalização. Dois em cinco apostam em fundos de pensões ou planos de poupança-
-reforma, a pensar nos dias dourados. Só uma pequena franja investe em acções (21,6%), warrants (8,4%) e produtos estruturados (4,3%), como depósitos duais e obrigações de caixa indexadas.
Segundo a DECO, o consumidor tem de aprender a comparar e negociar produtos de crédito e de poupança, e a fazer contas ao orçamento, para não cair no sobreendividamento. Entre Janeiro e Outubro de 2007, chegaram 1560 pedidos de ajuda ao Gabinete de Apoio ao Sobreendividado
da DECO. O dobro, face ao mesmo período de 2006.
Mas tem de haver mais cuidado de algumas instituições na concessão de crédito. O Banco de Portugal já pediu mais contenção, mas não chega. Compete-lhe criar regras que as obriguem a ser transparentes na divulgação da taxa de juro dos créditos e da remuneração das aplicações.
| Dinheiro & Direitos n.º 85, Janeiro de 2008 - págs. 35 a 39 |
20.12.2007
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