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Euro sobe e BCE corta taxas

Em Maio, a Euronext Lisboa subiu 3,9%, colocando-se entre as praças financeiras que mais valorizaram no último mês. Em termos cambiais, a "vedeta" foi o euro, que se apreciou bastante face ao dólar norte-americano. Esta evolução ajuda o combate à inflação e deu o mote para o corte de taxas do BCE, efectuado já no começo de Junho.

Rendimento Garantido:

Certificados de Aforro continuam a descer! As expectativas de descida das taxas de curto prazo provocaram descidas na Euribor e, consequentemente, na taxa base dos Certificados de Aforro. Em Junho, as novas subscrições e renovações são remuneradas à taxa líquida de 1,7%.

Taxas de câmbio:

O euro continua a ser “vedeta” dos mercados. A forte subida da moeda única deu finalmente o mote ao Banco Central Europeu, que decidiu reduzir as taxas de juro na zona euro.

Mercados bolsistas:

Euronext Lisboa sobe 3,9% em Maio. As bolsas fecharam, na sua larga maioria, positivas em Maio com a Euronext Lisboa a registar uma das subidas mais elevadas (+3,9%). Os resultados trimestrais satisfizeram e os indicadores macroeconómicos mostraram algumas melhorias.

 

Rendimento Garantido

Num cenário em que muitos bancos remuneram os depósitos dos seus clientes abaixo de 1%, multiplicam-se as ofertas de produtos indexados anunciando remunerações milagrosas. Garantem o capital apenas no vencimento e muitos subscritores continuam a não saber que se arriscam a não ganhar nada! Nas últimas semanas, a maioria das instituições bancárias manteve as remunerações dos depósitos. Apenas o Banco Nacional de Crédito Imobiliário (BNC) desceu as taxas em cerca de 0,25%. As taxas indicadas a seguir, estão em termos anuais líquidos:

  • Na banca online destacam-se dois produtos: o Net Prazo do Banco Nacional de Crédito Imobilário para o prazo de um mês é um depósito apenas possível de subscrever pelo serviço homebanking desta instituição bancária. A remuneração é igual à taxa Euribor em vigor na data de constituição do depósito, acrescida de 0,5% brutos. O mínimo de constituição é 500 euros. No início do mês de Junho, proporciona uma taxa de 2,3%. Também a Bigonline apresenta depósitos indexados à Euribor (um, três, seis e doze meses). O Super Depósito, da mesma instituição, para o prazo de três meses, remunera a 3% o saldo até 5.000 euros. O remanescente é remunerado à taxa Euribor a três meses (1,8% líquidos em 2 de Junho).
  • Na banca tradicional e para depósitos a um ano, o Banco Nacional de Crédito Imobiliário (BNC) com a conta Imoprazo, proporciona 2,1% líquidos ao ano para um montante mínimo superior a 5.000 euros. Se tem menos capital e pretende um depósito para um prazo inferior (até seis meses) pode optar pela Conta MG 24 do Montepio Geral. O montante mínimo é 125 euros e pode personalizar o prazo entre um a seis meses. A remuneração é feita sempre à taxa líquida de 2%.

A taxa base para quem subscrever ou renovar a aplicação em Certificados de Aforro durante o mês de Junho, desceu para 1,7% líquida. Continuamos a recomendar este produto para aforro a curto e médio prazo, devido ao prémio de permanência de 0,2% líquido por semestre até ao máximo de 1,6%, atingido no início do quinto ano.

Certificados de Aforro

Taxa base (1)

Prémio de permanência (2)

1,7%

0,2%

Fonte: Poupança Quinze
(1) Taxa anual nominal líquida garantida por três meses, para os certificados subscritos em Junho de 2003 ou que iniciem um novo período de contagem de juros. (2) Taxa anual líquida a adicionar, por cada semestre decorrido, à taxa base, com início no segundo semestre e até um máximo de 1,6%.

Depósitos a Prazo (1)

Taxa média (2)

Melhor taxa (3)

1,2%

2,1%

Fonte: Poupança Quinze
(1) Taxas anuais nominais líquidas para remunerar um depósito de 5.000 euros a um ano. (2) Média das taxas indicativas praticadas pelos bancos em 02/06/03. (3) Proporcionada pelo Banco Nacional de Crédito Imobiliário (Imoprazo).

 

Câmbios, Inflação e Taxas de Juro

No mercado cambial todas as atenções estiveram viradas para a forte ascensão do euro face às principais divisas mundiais. A apreciação da moeda europeia atingiu mesmo máximos históricos face ao dólar. E como as autoridades monetárias de ambos os lados do Atlântico têm aceite esta evolução, a tendência poderá prosseguir. A Reserva Federal norte-americana vê, na fraqueza do dólar, uma possibilidade de reduzir o défice da balança comercial e relançar a economia, enquanto o Banco Central Europeu vê, na força do euro, um importante aliado no combate à inflação.

Contudo, é possível que ambos estejam, pelo menos, parcialmente enganados. Por um lado, a fraqueza da nota verde poderá ser insuficiente para equilibrar a balança americana, porque o défice comercial tem origem sobretudo nos países asiáticos, os quais têm a divisa ligada ao dólar (ex.: China) ou intervêm no mercado para impedir uma grande apreciação das suas moedas (ex.: Japão). Na zona euro, o fenómeno inflacionista tem sido explicado, quase exclusivamente, pelo preço dos combustíveis ou pelo aumento de alguns impostos. Assim, a aceitação do disparo do euro, enquadrada na “obsessão” do BCE no combate à inflação parece pouco justificável.

Todavia, as autoridades monetárias europeias deram, finalmente, um passo para estimular o crescimento, cortando as taxas de juro directoras em 0,5% na reunião de 5 de Junho. A taxa directora da zona euro está agora em 2% contra 1,25% nos Estados Unidos, reduzindo o diferencial de 1,25% para 0,75%. Um encurtamento que poderá aliviar um pouco a pressão altista do euro face ao dólar americano.

 Câmbios em 31/05/03

Cód. ISO

Moeda

Câmbio em euros

Variação face ao euro
(em %)

Flutuações

Perspectivas (1)

1 mês

1 ano

1 ano

Longo prazo

GBP

Libra esterlina

1.3930

-2.7

-10.8

Moderadas

-

-

CHF

Franco suíço

0.6528

-1.2

-4.4

Reduzidas

-

+

DKK

Coroa dinamarquesa

0.1347

0.0

0.1

Reduzidas

=

=

SEK

Coroa sueca

0.1095

-0.1

-0.2

Moderadas

+

++

NOK

Coroa norueguesa

0.1270

-0.8

-5.5

Moderadas

-

-

USD

Dólar americano

0.8503

-5.1

-20.3

Elevadas

-

=

CAD

Dólar canadiano

0.6191

-0.9

-11.0

Elevadas

+

++

AUD

Dólar australiano

0.5541

-1.2

-8.1

Elevadas

+

++

JPY

Iene japonês (100)

0.7109

-5.4

-18.0

Elevadas

-

++

Fonte: Poupança Quinze
(1) -- forte depreciação; - ligeira depreciação; = estável; + ligeira apreciação; ++ forte apreciação.

 Taxas em 31/05/03

 

Cód. ISO

Inflação (1)

Taxas de juro a 3 meses

Taxas de juro a 10 anos

(%)

Mês

Valor em (%)

Tendência (2)

Valor em (%)

Tendência (2)

EUR

2.1

Abr

2.27

-

3.57

+

GBP

3.0

Abr

3.55

-

4.03

+

CHF

0.7

Abr

0.22

=

2.06

=

USD

2.2

Abr

1.22

-

3.16

+

CAD

2.1

Abr

3.23

=

4.29

=

AUD

3.4

Mar

4.94

-

4.80

=

JPY

-0.4

Abr

0.00

=

0.40

=

Fonte: Poupança Quinze
(1) Variação dos preços face ao mesmo mês do ano anterior. (2) - diminuição; = estável; + subida.

 

Mercados bolsistas

Maio, apesar das fortes flutuações, fechou positivo em praticamente todas as principais praças mundiais. Milão liderou as subidas (+4,6%), secundada pela Euronext Lisboa (+3,9%) enquanto Paris, Frankfurt, e Madrid terminaram com valorizações de 2,6%,1,9% e 1,7%, respectivamente. Nos mercados anglo-saxónicos (Londres e Nova Iorque) a subida foi acentuada, mas após a conversão em euros, os ganhos foram substancialmente menores, devido à valorização da moeda única europeia face à libra esterlina e ao dólar.

A agenda deste mês voltou a ser dominada pela divulgação de resultados do primeiro trimestre. Por cá, a EDP (+11,7%) apresentou lucros um pouco acima do que esperávamos, com maiores ganhos na produção de electricidade, beneficiando da estabilidade de preços dos contratos de aquisição de energia. Igualmente em destaque esteve a PT Multimedia (+10,3%) que, pela primeira vez na sua história, reportou lucros. Um tanto ao quanto díspares foram os resultados da Portugal Telecom (+1,4%), penalizados por custos extraordinários e pelo abrandamento económico, mas beneficiados por fortes ganhos financeiros obtidos com a cobertura do risco cambial. Por fim, referência para a Jerónimo Martins que apesar da melhoria dos resultados e regresso aos lucros, caiu 4,7%. No plano internacional, e entre os principais nomes, a Deutsche Telekom voltou aos lucros, graças a um aumento da rentabilidade na rede fixa e da filial americana UST-Mobile (ex-Voicestream). Por sua vez, o gigante farmacêutico GlaxoSmithKline apresentou resultados um pouco melhores que o esperado graças a economias de custos resultantes da fusão.

Quanto à evolução dos diversos sectores em Maio, o automóvel foi afectado pela subida do euro, enquanto os valores tecnológicos beneficiaram, já na recta final do mês, da subida da confiança dos consumidores norte-americanos.

Fique a par dos nossos conselhos e avaliações no boletim financeiro Poupança Acções, que com o intuito de valorizar o serviço prestado aos subscritores aparece, a partir de Junho, com uma nova imagem e algumas alterações no seu conteúdo.

 Bolsas em 31/05/03

Bolsa (1)

Evolução no último mês (2)

Evolução nos últimos doze meses (2)

Índice de sobre/sub valorização (3)

Price/Earnings médio do último exercício (4)

Price/Earnings médio do exercício em curso (4)

Euronext Lisboa

3.9%

-21.7%

-0.3

15.2

15.4

Eurnonext Amesterdão

0.4%

-35.1%

0.0

15.0

12.4

Euronext Bruxelas

3.7%

-22.9%

-0.5

18.5

11.2

Euronext Paris

2.6%

-23.8%

0.7

79.0

16.6

Frankfurt

1.9%

-31.3%

0.9

29.2

19.5

Londres

1.6%

-26.5%

-0.7

31.9

22.7

Madrid

1.7%

-12.6%

0.1

17.3

14.6

Milão

4.6%

-13.0%

0.1

25.6

17.3

Nova Iorque

0.3%

-26.5%

0.4

54.9

19.2

Sidney

-0.4%

-15.1%

-0.6

--

--

Tóquio

-0.7%

-38.0%

1.4

--

--

Zurique

1.0%

-30.5%

0.3

50.4

18.3

Fonte: Poupança Acções
(1) Índices Datastream, excepto Lisboa (PSI 20). (2) Em euros. (3) Um valor do índice inferior a -0,5% indica que a bolsa está subvalorizada, entre -0,5 e 0,5 que está a um nível correcto e mais de 0,5 que está sobrevalorizada. Este índice considera as taxas de juro de longo prazo, a taxa de câmbio e o risco associado a cada Bolsa. (4) Cotação/Lucros correntes (sem elementos excepcionais).

11.06.2003

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