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Euro atinge máximo face ao dólar

A polémica em torno do Pacto de Estabilidade não afectou, de momento, o euro que atingiu o seu valor máximo de sempre face ao dólar. As Bolsas europeias também saíram relativamente incólumes, destacando-se a Euronext Lisboa que liderou os ganhos em Novembro.

Rendimento Garantido: A taxa base dos Certificados é de 1,6%. Apesar da ligeira subida da taxa bruta dos Certificados de Aforro, para 2%, a remuneração líquida é ainda de 1,6%.

Taxas de câmbio: Euro atinge máximos face ao dólar. A polémica em torno do Pacto de Estabilidade e Crescimento passou despercebida à moeda única europeia, que atingiu o máximo histórico face ao dólar americano.

Mercados bolsistas: Bolsas fazem pausa em Novembro. O ressurgimento de algumas tensões geopolíticas e a apreciação do euro ensombraram os bons indicadores económicos divulgados sobretudo nos Estados Unidos. Assim, e apesar dos resultados anunciados pelas empresas terem sido globalmente positivos, o desempenho das principais Bolsas mundiais foi misto, com Lisboa a destacar-se pela positiva.

 

Rendimento Garantido

O ano de 2003 não deixará memórias muito felizes para os aforradores. As taxas de juro dos depósitos a prazo mantêm-se baixas e, na maioria dos casos, inalteradas desde Julho passado. Apenas os depósitos indexados à Euribor beneficiaram da ligeira subida desta taxa e apresentam agora algumas das melhores remunerações (ver no quadro). Actualmente, a remuneração líquida de um depósito de € 5.000 a um ano varia entre 0,3% e 2%. Em termos médios, a taxa líquida é de 1%, muito abaixo da taxa de inflação estimada pela OCDE (2,1% para 2004).

No quadro constam as melhores taxas para depósitos até um ano, na banca tradicional e online. Actualmente, apenas o SuperDepósito a três meses da Bigonline e o DP Interactivo do Banco Português de Negócios (a seis meses) propõem uma remuneração superior à taxa de inflação prevista. Contudo, a taxa de 3% proposta pelo SuperDepósito é apenas para os primeiros três meses da aplicação e para saldos até € 5.000. As renovações seguintes são remuneradas à taxa Euribor em vigor na data da renovação. Nos depósitos a um ano, o Banco Nacional de Crédito e a CaixaGalicia têm contas cuja remuneração depende da taxa Euribor a doze meses. Como esta tem subido, as duas contas apresentam agora uma rentabilidade anual de 2% líquida.

Os Certificados de Aforro mantêm, no mês de Dezembro, a taxa base líquida de 1,6%, apesar da ligeira subida da taxa bruta para 2%. Após os primeiros seis meses, têm um prémio de permanência semestral de 0,2% líquidos até ao limite de 1,6%. A partir do quinto ano usufruem do prémio de 1,6% acrescido à taxa base em vigor. Desta forma, para quem subscreveu há cinco ou mais anos, a taxa de que usufruem actualmente é de 3,2%.

As melhores taxas para depósitos a prazo

Banca tradicional

Banca online

Instituição
Mont.
mínimo €
TANL %
Instituição
Mont.
mínimo €
TANL %
1 mês
Montepio Geral (Conta MG 24)
125
1,6
Banco Best
1.000
1,7
Bigonline (1)
200 (2)
1,7
Banif
500
1,5
BNC (NetPrazo) (1)
500
1,7
3 meses
Montepio Geral (Conta MG 24)
125
1,6
Bigonline (SuperDepósito)
(2) (3)
3,0
Banco Best
1.000
1,9
BNC (Imoprazo)
5.000
1,6
Bigonline (1)
200 (2)
1,8
6 meses
Montepio Geral (Conta MG 24)
125
1,6
BPN (DP Interactivo)
500
2,2
Banco Best
1.000
1,8
12 meses
CaixaGalicia (Euribor)
2.500
2,0
Bigonline (1)
200 (2)
2,0
BNC (Imoprazo) (4)
5.000
1,9
Banco Best
1.000
1,7

Fonte: Poupança Quinze
TANL: taxa anual nominal líquida. (1) A remuneração é igual à taxa Euribor para o respectivo prazo na data de constituição. Valor à data de 27 de Novembro de 2003. (2) O montante mínimo para abrir conta na Bigonline é de 500 euros. (3) Apenas para os primeiros três meses e para saldo até 5.000 euros. O remanescente é remunerado à Euribor a três meses. (4) Já inclui o prémio de permanência de 0,25% brutos.

 

Câmbios, Inflação e Taxas de Juro

Apesar da recuperação da economia mundial no terceiro trimestre, o crescimento da zona euro não passou de 0,3% e foi impulsionado essencialmente pelas exportações. Sempre à espera do regresso da procura interna e do investimento, a Europa mantém-se dependente da procura externa dos seus produtos. Este foi o momento escolhido pela Alemanha e pela França, as duas maiores economias da zona euro, para suspenderem as sanções por défices excessivos e colocar em causa o Pacto de Estabilidade e Crescimento.

Sem uma política orçamental clara, a credibilidade da moeda única dependerá apenas do BCE. Este poderá ter de reforçar a sua missão de controlo da inflação e subir as taxas mais cedo que o previsto, caso a ligeira recuperação económica se confirme. Se o euro está fragilizado, o dólar não inspira confiança aos investidores. Ainda assim, o euro alcançou o máximo de sempre face ao dólar, atingindo a fasquia de 1,20 dólares. É verdade que os EUA anunciaram um crescimento de 8,2% no terceiro trimestre, com o regresso em força do investimento. Mas a tendência proteccionista confirma-se. Mesmo antes de resolvida a questão do aço com a Europa, Washington introduziu unilateralmente taxas alfandegárias aos têxteis e televisores oriundos da China. Uma estratégia com claros objectivos eleitorais mas muito arriscada.

Os EUA necessitam diariamente de 1,5 mil milhões de dólares de capitais estrangeiros e a China é também uma fonte de proveniência de capitais. Como reacção às barreiras americanas, este fluxo pode diminuir e levar a uma subida das taxas de juro de longo prazo, colocando em perigo a retoma. Segundo a Poupança Quinze , o euro mantém-se uma boa opção de investimento, mas a carteira deverá ser diversificada pela coroa sueca, dólar australiano e dólar canadiano.

 Câmbios em 28/11/03

Cód. ISO

Moeda

Câmbio
em euros

Variação face ao euro
(em %)
Flutuações
Perspectivas (1)

1 mês

1 ano

1 ano

Longo prazo

GBP

Libra esterlina

1.4347

-1.0

-8.1

Moderadas

-

-

CHF

Franco suíço

0.6453

0.2

-4.8

Reduzidas

-

+

DKK

Coroa dinamarquesa

0.1344

-0.1

-0.2

Reduzidas

=

=

SEK

Coroa sueca

0.1104

0.1

0.2

Moderadas

+

++

NOK

Coroa norueguesa

0.1223

0.7

-10.8

Moderadas

=

=

USD

Dólar americano

0.8342

-2.5

-17.0

Elevadas

-

+
CAD

Dólar canadiano

0.6417

-1.5

0.4

Elevadas

+

++

AUD

Dólar australiano

0.6036

0.1

7.0

Elevadas

+

+

JPY

Iene japonês (100)

0.7617

-3.5

-7.5

Elevadas

-

+

Fonte: Poupança Quinze
(1) -- forte depreciação; - ligeira depreciação; = estável; + ligeira apreciação; ++ forte apreciação.

 Taxas em 28/11/03

 

Cód. ISO

Inflação (1)

Taxas de juro a 3 meses

Taxas de juro a 10 anos

(%)

Mês

Valor em (%)

Tendência (2)

Valor em (%)

Tendência (2)

EUR

2.2

Nov

2.15

=

4.34

+

GBP

2.7

Out

3.94

+

5.03

+

CHF

0.5

Nov

0.23

=

2.71

=

USD

2.3

Set

1.11

=

4.15

+

CAD

1.8

Out

2.73

=

4.74

=

AUD

2.6

Set

5.55

+

5.95

+

JPY

0.0

Out

-0.03

=

1.08

=

Fonte: Poupança Quinze
(1) Variação dos preços face ao mesmo mês do ano anterior. (2) - diminuição; = estável; + subida.

 

Mercados bolsistas

Após os fortes ganhos de Outubro, em Novembro o desempenho das Bolsas foi misto. De facto, as boas notícias económicas foram eclipsadas por dois factores: o ressurgimento das tensões geopolíticas e do terrorismo e a apreciação do euro, que prejudica, sobretudo as empresas europeias mais viradas para a exportação.

Apesar disso, a maioria dos resultados trimestrais divulgados, pelas empresa do Velho Continente, saíram em linha com o esperado ou até ligeiramente acima: as reduções de custos trouxeram os seus frutos e a recuperação em curso é encorajadora. Mesmo assim, as administrações das empresas continuam relativamente prudentes quanto ao futuro. Pela positiva, destacaram-se a BMW, a Delhaize, a Disney, a Telefonica, a Total e a UBS. Pela negativa, decepcionaram a Dexia, Volkswagen, Ahold…

Por cá, depois de alguns adiamentos, concretizou-se finalmente a migração da Bolsa nacional para o sistema de negociação da Euronext. Esta mudança implicou algumas alterações, sendo as mais significativas as ocorridas ao nível dos custos de transação.

Novembro acabou por ser o mês mais favorável do ano até ao momento, com o índice PSI-20 a liderar os ganhos entre as principais praças mundiais, com uma subida de 4,5%. A liderar as subidas estiveram algumas small-caps , como a Pararede, a Efacec e a Corticeira Amorim, que valorizaram, respectivamente, 26,1%, 20,8% e 16,7%. De resto, os ganhos foram generalizados, com destaque para a Sonae, que subiu mais 18,6%, beneficiando ainda da especulação em torno da privatização da Portucel. Nas telecomunicações, o arranque comercial do UMTS foi adiado para meados de 2004, beneficiando a SonaeCom, que ganhou 10,6%. A acção está agora próxima de caro, pelo que a Poupança Quinze alterou o conselho de comprar para manter. A Portugal Telecom subiu 8,6%, beneficiando da melhoria das perspectivas no Brasil. Por sua vez, a EDP ganhou 6,7%, depois de ter sido estabelecido que o MIBEL arrancará a 20 de Abril próximo. Além disso, a AG da Galpenergia aprovou a reorganização do sector eléctrico proposta pelo governo, que prevê a integração da Gás de Portugal na EDP. Falta agora conhecer o figurino final deste processo.

 Bolsas em 28/11/03

Bolsa (1)

Evolução no último mês (2)

Evolução nos últimos doze meses (2)

Índice de sobre/sub valorização (3)

Price/Earnings médio do último exercício (4)

Price/Earnings médio do exercício em curso (4)

Euronext Lisboa

4.5%

8.7%

-0.5

18.0

18.9

Eurnonext Amesterdão

0.7%

-3.3%

0.2

16.7

14.5

Euronext Bruxelas

0.7%

10.4%

-0.4

21.2

13.4

Euronext Paris

1.9%

9.8%

0.7

101.4

19.2

Frankfurt

1.6%

15.7%

1.1

31.2

23.6

Londres

-0.5%

2.2%

-0.5

53.4

23.0

Madrid

2.2%

13.9%

-0.1

18.9

15.7

Milão

4.4%

9.8%

0.1

35.5

18.5

Nova Iorque

-1.8%

-2.9%

0.4

48.8

19.5

Sidney

-3.2%

15.7%

-0.5

--

--

Tóquio

-6.4%

5.9%

1.6

--

--

Zurique

2.3%

2.1%

0.0

60.7

19.2

Fonte: Poupança Acções
(1) Índices Datastream, excepto Lisboa (PSI 20). (2) Em euros. (3) Um valor do índice inferior a -0,5% indica que a bolsa está subvalorizada, entre -0,5 e 0,5 que está a um nível correcto e mais de 0,5 que está sobrevalorizada. Este índice considera as taxas de juro de longo prazo, a taxa de câmbio e o risco associado a cada Bolsa. (4) Cotação/Lucros correntes (sem elementos excepcionais).

04.12.2003

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