|
Portugal é um dos países mais caros da Europa para fazer compras, a seguir à Bélgica e Holanda. Esta é a principal conclusão de um estudo da DECO/PRO TESTE. É a primeira grande comparação de preços na Europa feita por aquela revista depois da introdução efectiva do euro.
O estudo decorreu durante os meses de Outubro e Novembro de 2003 e é publicado na edição de Março. Foram visitados 13 países: Portugal, Alemanha, Andorra, Áustria, Bélgica, Espanha, França, Holanda, Inglaterra, Itália, Luxemburgo, São Marino e Suíça. Em cada um, a PRO TESTE visitou a capital, algumas das maiores cidades e as localidades junto à fronteira. No total, foram percorridas 55 cidades e recolhidos 36 mil preços, relativos a cerca de 350 produtos (auto-rádios, câmaras de vídeo, máquinas fotográficas, leitores de DVD e perfumes, entre outros). Por exemplo, um índice 119 significa que determinado produto é 19% mais caro do que o mais baixo encontrado (com índice 100).
Alemanha, Espanha, Andorra e São Marino imbatíveis.
Tendo em conta as várias cidades visitadas, a revista PRO TESTE atribuiu o índice 100 aos países da União Europeia com a melhor média de preços por produto. Alemanha e Espanha apresentam os preços mais vantajosos. Portugal sofreu um rombo e caiu para a antepenúltima posição. A diferença entre os países é mesmo cada vez maior. No estudo realizado em 1998, a diferença entre o índice mais baixo e elevado ficava-se nos 6%. Em 2001, passou a ser de 7%. Desta vez, pulou para os 9%.
Depois de Andorra, com índices muito inferiores a 100, a cidade mais interessante para fazer compras é Aix-la-Chapelle (na Alemanha). De seguida, figuram São Marino, Berlim, Londres e Barcelona. A maioria das cidades portuguesas visitadas começam a distribuir-se pelo lado mais careiro do pelotão. Isoladas no final, estão nove cidades belgas. Os bons resultados obtidos por Andorra devem-se ao facto de os produtos não serem agravados por nenhum imposto. Contudo, a PRO TESTE alerta para os eventuais direitos aduaneiros, que poderão ser cobrados na fronteira com Espanha, podendo perder parte da poupança obtida nas compras.
Nesta frente, Aix-la-Chapelle conserva o primeiro lugar conquistado desde o primeiro estudo em 1998. É, sem dúvida, a cidade mais interessante para fazer compras. Fazendo a comparação pelas capitais europeias, Berlim e Londres arrebatam a primeira posição. O fosso entre a capital mais barata e Lisboa aumentou bastante. De salientar que, nos estudos anteriores, Lisboa era uma das capitais mais baratas. Londres, que era a capital mais cara da Europa, consegue agora um bom resultado, devido à desvalorização da libra. Entre Junho de 2001 e Outubro de 2003, altura em que a DECO/PRO TESTE realizou os dois últimos estudos, aquela moeda desvalorizou 17%.
Cadeia internacional, preço desigual. As cadeias de lojas com presença em vários países da Europa praticam preços diferentes consoante os países. Ao nível do material fotográfico, a Fnac francesa tem os preços mais vantajosos. No que toca a CD's e DVD's, a filial espanhola bate o pé à concorrência. O mesmo acontece para as aparelhagens hi-fi e PDA's. Se procura leitores de DVD baratos, a FNAC suíça é a mais interessante.
Quanto à Decathlon, o calçado desportivo fica mais barato na Bélgica e Espanha. A filial portuguesa é a mais careira. A Lacoste mais barateira situa-se na Alemanha. Já a mais careira é portuguesa e suíça. No caso da Levi's, as lojas com os preços mais vantajosos falam italiano e português. A única cadeia onde não encontrámos diferenças de preços foi a Aki. Aí Portugal e Espanha apresentam quase o mesmo nível de preços.
Se, por um lado, é economicamente vantajoso comprar câmaras de vídeo, máquinas fotográficas, etc. no estrangeiro, por outro, coloca-se o problema da garantia. Já existe uma harmonização neste domínio: os bens passaram a dispor de uma garantia de dois anos que refere a extensão geográfica abrangida. Assim, quando for às compras no estrangeiro, verifique se a garantia do bem que comprou é extensível a Portugal.
A maioria das marcas conhecidas internacionalmente permitem beneficiar da garantia dos seus produtos, sem ter de voltar à loja estrangeira onde estes foram comprados. Para tal, basta dirigir-se ao representante português da marca em questão.
Conselhos d'amigo. “O custo da deslocação propositada ao estrangeiro para fazer compras pode não compensar, mesmo que os preços aí praticados sejam mais baixos. Mas se for de férias ou em viagem de trabalho, não deixe de aproveitar”, aconselha a PRO TESTE. Espanha é um dos destinos mais procurados pelos portugueses para as compras. Tuy, Vigo e Badajoz são exemplos de cidades fronteiriças bastante visitadas. Porém, ao contrário do que muitos pensam, os preços praticados não diferem muito dos de cá. Exceptuam-se o calçado desportivo vendido em Vigo, os CD's, em Alicante e Sevilha, e os DVD's, em Madrid, ambos com índice 100.
Ao contrário do último estudo, desta vez, Portugal não conseguiu arrebatar um único índice 100. Em poucos casos apresenta preços realmente interessantes. “Os auscultadores, as aparelhagens hi-fi , os brinquedos e as consolas de jogos são dos poucos produtos que não compensa comprar lá fora. Ao nível das roupas de desporto, Portugal apresenta preços interessantes para a marca Nike e calças da Levi's. O mesmo já não se aplica no caso da Lacoste, onde o nosso país tem o índice mais elevado”, alerta aquela revista dos consumidores.
| Pro Teste n.º 245 - Março de 2004 - pág. 20 a 23 |
25.02.2004
|