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da DECO PROTESTE


Ginásios faltam aos treinos

Há ginásios em Portugal que permitem fazer exercício físico sem uma declaração médica. Nalguns casos, não há preocupação em conhecer o historial médico e desportivo do novo praticante e metade dos programas de treino aconselhados foram inadequados. Estas são as conclusões de um estudo da DECO PROTESTE a 24 ginásios, cujos resultados são publicados na edição de Abril da TESTE SAÚDE.

A associação de consumidores enviou, anonimamente, candidatos a desportistas a ginásios e health clubs de Faro, Leiria, Lisboa e Porto. A intenção era melhorar a condição física. Apenas quatro estabelecimentos obtiveram uma boa classificação final: LeiriGym e Health Club Corpo Livre, de Leiria, Club Fit, de Lisboa, e Maia Club, do Porto.

Cinco estabelecimentos atropelaram a lei ao permitir a inscrição, pagamento e frequência das aulas sem pedir ao cliente uma declaração médica com a indicação de que está apto para praticar desporto. Tal sucedeu no Gimnocentro Health Club e Ginásio Centro do Ferro, de Faro, Maxigym, de Leiria, Club House Health Club-Parque das Nações, de Lisboa e Pinhais da Foz-Premier Place, do Porto.

Os ginásios são também obrigados a ter um responsável técnico e a afixar a sua identificação em local visível. A DECO PROTESTE apenas viu esta informação afixada em quatro: AKademia e Ginásio Centro do Ferro, de Faro, Superstar, de Lisboa, e Central Health Club, do Porto.

Durante as aulas avaliadas pela DECO PROTESTE, só cinco ginásios sujeitaram o cliente a programas de treino adequados para melhorar a condição física, tendo em conta o perfil do praticante: Leirigym e Health Club Corpo Livre, de Leiria, Club Fit, de Lisboa, Maia Club e Pinhais da Foz-Premier Place, do Porto.

A este facto não será alheia a preocupação demonstrada com os clientes. Em seis estabelecimentos, os profissionais não se interessaram em conhecer os hábitos desportivos, estado de saúde, objectivos e motivações dos clientes ou fizeram-no de forma insatisfatória.

A prova de condição é fundamental para conhecer o estado físico inicial do praticante e adaptar o programa de treino. Mais de metade dos ginásios esqueceram-se deste aspecto e apenas o LeiriGym a fez de forma irrepreensível.

Quanto a preços, quase todos os ginásios cobram uma jóia, entre 5 (Ginásio Centro do Ferro, em Faro) e 54 euros (Pinhais da Foz-Premier Place, no Porto). Para três sessões semanais, a mensalidade pode variar entre 25 (Ginásio Centro do Ferro) e 88 euros (Club House-Health Club-Parque das Nações). Nalguns casos, há descontos, por exemplo, para jovens e idosos e em função do horário escolhido.

Segundo a DECO PROTESTE, as lacunas da lei e o facto de estar dispersa em nada contribuem para o bom funcionamento dos ginásios. Os consumidores exigem, por isso, ao novo Governo que suprima lacunas, como a formação dos monitores e as obrigações dos responsáveis técnicos. Um livro de reclamações e uma fiscalização eficaz pelo Instituto do Desporto de Portugal também ajudariam a melhorar o serviço.

Aos consumidores que pretendam iniciar uma actividade física, a TESTE SAÚDE recomenda a consulta prévia ao médico assistente. Antes de se inscrever num ginásio, convém obter algumas informações sobre as modalidades desportivas existentes, preço, horários das aulas, formação dos monitores, condições do seguro e documentos necessários. Peça para visitar as instalações e faça-o no horário que pretende frequentá-las. Desconfie sempre que um ginásio não lhe peça uma declaração médica. Por fim, não se esqueça de que é importante fazer exercício regularmente e, para tal, nem precisa de recorrer a um ginásio.

| TESTE SAÚDE n.º 54 – Abril/Maio de 2005 – páginas 8 a 12 |

22.03.2005

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