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A DECO/PRO TESTE testou 30 produtos destinados a perfumar a casa e descobriu que são perigosos para a saúde, por conterem substâncias cancerígenas, alergénicas, tóxicas ou irritantes.
Na sua edição de Dezembro, a revista de consumidores TESTE SAÚDE revela que mais de metade dos ambientadores testados continha substâncias cancerígenas, como benzeno e formaldeído. O último foi detectado no ar após a utilização de todos os difusores eléctricos e de quase todas as velas perfumadas. Nalguns casos, a libertação de compostos orgânicos voláteis, onde se incluem estas substâncias cancerígenas, foram muito superiores à concentrações habitualmente encontradas em vias de tráfego intenso.
Quase todos os ambientadores testados incluíam substâncias que podem causar alergias de contacto (na pele), não estando excluído o risco de alergia por inalação. Metade apresentava componentes irritantes para os olhos, nariz e garganta. Estes podem desencadear problemas respiratórios, como crises de asma, em pessoas mais sensíveis.
A maioria dos difusores eléctricos e dos aerossóis continha também perturbadores endócrinos, substâncias capazes de alterar actividade das hormonas, como é o caso dos componentes suspeitos de afectar a fertilidade.
Este teste foi realizado em conjunto com associações de consumidores de Espanha, França, Bélgica e Itália e contou com o apoio do Bureau Européen des Unions des Consummateurs (BEUC), uma organização europeia que integra várias associações de consumidores. No total, foram analisados 76 produtos e nenhum pode ser considerado totalmente seguro.
Os efeitos dos perfumes na saúde e no ambiente estão pouco estudados. Os dados sobre a sua toxicidade no Homem e os efeitos a longo prazo são raros. Mas sabe-se, por exemplo, que 1 a 2% dos europeus sofre de alergias às fragrâncias usadas nos perfumes, desodorizantes e outros produtos de limpeza. Além disso, estudos em ratos têm demonstrado que as emanações de desodorizantes provocam irritação sensorial (olhos, nariz, etc.) e pulmonar, abrandamento da respiração e alterações no comportamento.
Face a estes resultados, a DECO/PRO TESTE reivindica uma maior protecção da saúde humana e do ambiente. Para tal, considera indispensável que:
- os fabricantes sejam obrigados a estudar a toxicidade de todas as substâncias químicas que entram na composição dos ambientadores, antes de colocá-los a venda;
- a União Europeia regulamente o fabrico e a rotulagem destes produtos, sobretudo no que respeita à limitação ou interdição do uso de componentes que possam prejudicar a saúde;
- os fabricantes indiquem, nos rótulos, todas as substâncias que possam provocar alergias.
- seja proibida a publicidade com mensagem falsas, como a ideia de que os ambientadores purificam o ar, e a utilização de imagem culinárias nos rótulos. As crianças podem ser tentadas a provar os produtos, por pensarem que se trata de um alimento.
Aos consumidores, a TESTE SAÚDE desaconselha o uso de ambientadores. Embora seja pouco provável que a sua utilização esporádica cause problemas, o melhor é jogar pelo seguro. “As pessoas sensíveis, como grávidas, crianças e doentes com problemas alérgicos e respiratórios, são as que mais devem resguardar-se deste género de produtos”, recomenda aquela revista. Para combater os maus odores em casa, a melhor solução é arejá-la.
| Teste Saúde n.º 52 - Dezembro de 2004/Janeiro de 2005 - pág. 9 a 12 |
22.11.2004
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