Se o seu filho anda ansioso, deprimido e não tem vontade de ir às aulas, pode estar a ser intimidado pelos colegas. Atenção aos sinais é decisiva, pois as vítimas abafam sofrimento.
É um segredo entre vítimas, agressores e, por vezes, colegas, já vivido por quase 20% dos portugueses de 13 anos, segundo a Organização Mundial de Saúde. Quando a intimidação é intencional e frequente sobre alguém que não provoca, regra geral, mais vulnerável, física ou psicologicamente, fala-se de bullying.
Dos insultos aos maus-tratos físicos, do isolamento ao mais recente ciberbullying, pelo uso do telemóvel e da Net: as várias formas saltaram os muros das escolas e atingem adultos, no trabalho ou pela Internet, por exemplo. Já não é apenas um desafio das instituições mais problemáticas, mas ocorre no ensino público, privado e nos seus diferentes graus.
Sinais de alarme
Medo ou recusa em ir à escola, náuseas ou vómitos antes de sair.
Criança angustiada, nervosa ou deprimida.
Baixa auto-estima, choro e pesadelos frequentes.
Roupa e livros estragados, “perda” de objectos e dinheiro e lesões injustificadas.
Mudanças nos hábitos alimentares.
Guia contra silêncio e vergonha
Se desconfia que o seu filho é vítima de bullying, não encoraje vinganças, denuncie aos responsáveis e articule esforços com os professores.
Para aumentar a auto-estima, incentive-o a explorar uma actividade de que goste. É melhor passar mais tempo com quem vive uma boa relação e fazer novos amigos fora do ambiente escolar.
Ensine ao seu filho como se proteger: dizer “não” ao agressor sem mostrar medo, ignorá-lo e evitar oportunidades de intimidação, como ficar sozinho nos corredores e balneários.
O agressor, com comportamento anti-social, também precisa de ajuda. Os pais não devem partir para a ameaça, mas dar orientações e limites para controlar o comportamento e expressar a insatisfação, sem magoar os outros. Encoraje-o a pedir desculpa ao colega agredido, pessoalmente ou por escrito.
Em casa, aconselhe o seu filho a agir e denunciar os casos mais graves.