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Muitas escolas portuguesas são frias, húmidas e apresentam ar interior de má qualidade. Os edifícios estão degradados e não têm ventilação adequada. Estas são as principais conclusões de dois estudos em 40 salas de 20 escolas, realizados em Fevereiro e agora publicados nas revistas PRO TESTE e TESTE SAÚDE.
Em 16 das 20 escolas estudadas, há excesso de humidade no ar e temperaturas baixas. Numa sala, chegaram a registar-se 130C. Escolas como a de Vila Cova (Braga) não têm aquecimento, apesar de as temperaturas médias, no Inverno, descerem a cerca de 100C. Mas os sistemas de aquecimento não garantem conforto térmico. Defeitos de construção podem estar na origem dos maus resultados.
Quarteira e Portimão obtiveram melhores "notas", devido ao clima ameno da região. A escola do Gavião (Portalegre) tem bom conforto térmico, pelo uso intensivo do aquecimento. Contudo, é das piores na qualidade do ar, por falta de ventilação.
Esta é responsável pelo excesso de humidade no ar: 80% das amostras analisadas denunciam renovação insuficiente do ar e dois terços das salas acusaram valores de humidade superiores ao aconselhável. Esta favorece o desenvolvimento de fungos e bactérias.
Apenas 4 escolas apresentavam ar com qualidade aceitável ou boa. Embora a situação varie muito, por exemplo, com as condições atmosféricas, ocupação e limpeza da sala, a maioria apresentava níveis de contaminantes acima dos valores legais de referência.
Entre estes, partículas respiráveis, dióxido de carbono, bactérias e fungos. Está em causa, por exemplo, o aumento do risco de problemas alérgicos e respiratórios e a diminuição da concentração.
A DECO PROTESTE detectou ainda problemas de construção e conservação dos edifícios. O mais grave é a presença de placas de fibrocimento com amianto em sete escolas:
- D. Francisca de Aragão (Quarteira), Diogo Bernardes (Ponte da Barca), Elias Garcia (Sobreda), D. João II (Caldas da Rainha), EB de Lousada, Roque Gameiro (Amadora) e Rainha D. Leonor de Lencastre (Cacém).
"Tudo isto, depois de a Assembleia da República ter recomendado, em 2003, o inventário dos edifícios públicos com amianto e a substituição deste material, que pode libertar fibras cancerígenas", critica a associação.
Mais aquecimento e melhor qualidade do ar
Os estudos da DECO PROTESTE provam que o aquecimento eficiente e a qualidade do ar das escolas exigem atenção urgente Governo. Em pleno séc. XXI há alunos e professores a tremer de frio nas salas. É necessário adequar os projectos arquitectónicos ao clima.
O estado de degradação dos edifícios explica também os maus resultados. Compete ao Ministério da Educação resolver o problema nas escolas do 2.º e 3.º ciclos e às câmaras municipais, nas do 1.º ciclo. Devem ainda prever sistemas de ventilação adequados.
O Governo tem de fazer o inventário dos edifícios com amianto e definir regras para substituí-lo com urgência. Quatro anos após a recomendação da Assembleia da República neste sentido, ainda há escolas de risco.
As escolas têm de verificar a iluminação das salas e arejá-las com mais frequência, para garantir o conforto visual e a renovação do ar.
Para que tomem as medidas necessárias, a DECO comunicou os resultados do estudo às escolas e aos ministérios da Educação, Obras Públicas e Saúde.
| Pro Teste n.º 284 - Outubro de 2007 - páginas 8 a 13 |
| Teste Saúde n.º 69 - Outubro/Novembro de 2007 - páginas 18 a 22 |
18.09.2007
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