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Depósitos não mexem

As taxas dos depósitos a prazo permanecem inalteradas há vários meses, com excepção de algumas contas indexadas à Euribor. O rendimento médio de um depósito a doze meses mantém-se em apenas 1%! Nos mercados accionistas, o mês de Outubro foi claramente positivo. Muitas empresas apresentaram resultados trimestrais acima das expectativas do mercado, embora ainda se mostrem prudentes face ao futuro.

Rendimento Garantido:

Taxa dos Certificados mantém-se em 1,6%. Apesar da subida das taxas de juro no mercado, a remuneração dos tradicionais depósitos a prazo já não sofre alterações desde Julho passado. Os bancos apostam em produtos estruturados ou depósitos indexados. Em Novembro, os Certificados de Aforro mantêm a taxa base líquida de 1,6%.

Taxas de câmbio:

Dólar relativamente estável. O crescimento americano no terceiro trimestre foi excelente mas não constituiu uma surpresa para os mercados. O dólar americano praticamente também não reagiu.

Mercados bolsistas:

Outubro em alta. A época de divulgação de resultados tem decorrido de forma positiva e as Bolsas registaram ganhos em Outubro. Todavia, as empresas continuam a revelar-se cautelosas nas suas expectativas para os próximos trimestres.

 

Rendimento Garantido

A maioria das taxas de juro dos depósitos a prazo mantêm-se baixas e inalteradas desde Julho passado. Segundo a Poupança Quinze , apenas os depósitos indexados à Euribor estão em alta, beneficiando da ligeira subida desta taxa e apresentam agora algumas das melhores remunerações. Em termos médios, a taxa líquida oferecida para um depósito de € 5.000 a um ano é de 1%, muito abaixo da taxa de inflação estimada pela Comissão Europeia (2,6% para 2004). Em alternativa, muitos bancos procuram seduzir os clientes com produtos estruturados dependentes de taxas de referência do mercado (a Euribor é a mais comum). Contudo, é preciso cuidado com estes produtos, pois, em alguns deles o rendimento desce à medida que a Euribor sobe. E é provável que, no próximo ano, se assista a uma subida sustentada das taxas de curto prazo.

No quadro em baixo constam as melhores taxas para depósitos até um ano, na banca tradicional e online. Actualmente, para qualquer prazo até um ano, nenhum banco propõe uma remuneração superior à taxa de inflação, à excepção da Bigonline (SuperDepósito, a três meses). Contudo, a taxa de 3% proposta por esta conta é apenas para os primeiros três meses da aplicação e para saldos até € 5.000. As renovações seguintes são remuneradas à taxa Euribor em vigor na data da renovação.

Os Certificados de Aforro mantêm a taxa base líquida de 1,6% para novas subscrições ou renovações durante o mês de Novembro. Após os primeiros seis meses têm um prémio de permanência semestral de 0,2% líquidos até ao limite de 1,6%, atingido a partir do quinto ano.

Certificados de Aforro

Banca tradicional

Banca online

Instituição
Mont.
mínimo €
TANL %
Instituição
Mont.
mínimo €
TANL %
1 mês
Montepio Geral (Conta MG 24)
125
1,6
Banco Best
1.000
1,7
Bigonline (1)
200 (2)
1,7
Banif
500
1,5
BNC (NetPrazo) (1)
500
1,7
3 meses
Montepio Geral (Conta MG 24)
125
1,6
Bigonline (SuperDepósito)
(2) (3)
3,0
Banco Best
1.000
1,9
BNC (Imoprazo)
5.000
1,6
Bigonline (1)
200 (2)
1,8
6 meses
Montepio Geral (Conta MG 24)
125
1,6
BPN (DP Interactivo)
500
2,2
Banco Best
1.000
1,8
12 meses
BNC (Imoprazo) (4)
5.000
1,9
Bigonline (1)
200 (2)
1,9
CaixaGalicia (Euribor)
2.500
1,9
Banco Best
1.000
1,7

Fonte: Poupança Quinze
TANL: taxa anual nominal líquida. (1) A remuneração é igual à taxa Euribor para o respectivo prazo na data de constituição. Valor à data de 30 de Outubro de 2003. (2) O montante mínimo para abrir conta na Bigonline é de 500 euros. (3) Apenas para os primeiros três meses e para saldo até 5.000 euros. O remanescente é remunerado à Euribor a três meses. (4) Já inclui o prémio de permanência de 0,25% brutos.

 

Câmbios, Inflação e Taxas de Juro

Nem o dólar nem os mercados accionistas reagiram com entusiasmo à divulgação do crescimento de 7,2% da economia americana no terceiro trimestre. Um bom resultado, mas já era esperado pelos agentes económicos. O enfraquecimento do dólar provocou o estagnamento das importações e aumentou as exportações, reduzindo um pouco o défice comercial. A evolução do consumo manteve-se forte, graças aos cortes de impostos, mas é, sobretudo, o regresso em força do investimento privado que dá um carácter mais sustentável à recuperação da economia americana. Ao nível do emprego subsiste a maior fraqueza. Apesar do elevado crescimento económico, o terceiro trimestre acabou por registar uma diminuição do número de postos de trabalho.

A Europa espera agora sair do marasmo, empurrada pelos ventos vindos do outro lado do Atlântico. Em teoria, a recuperação americana deveria dar um novo alento ao sector exportador do Velho Continente, que depois se repercutiria pelo resto da economia. Contudo, esse cenário parece-nos demasiado optimista. Os consumidores europeus continuam pessimistas e relutantes em aumentar os seus gastos. Um sentimento para o qual a deterioração do mercado trabalho também continua a contribuir. E novos estímulos à economia parecem improváveis. Muitos governos europeus enfrentam já elevados défices e possuem pouca margem de manobra. Por seu turno, o Banco Central Europeu continua a afastar a hipótese de uma nova redução das taxas directoras, apesar da inflação estar claramente sob controlo.

 Câmbios em 31/10/03

Cód. ISO

Moeda

Câmbio
em euros

Variação face ao euro
(em %)
Flutuações
Perspectivas (1)

1 mês

1 ano

1 ano

Longo prazo

GBP

Libra esterlina

1.4597

2.3

-7.6

Moderadas

-

-

CHF

Franco suíço

0.6442

-0.9

-5.8

Reduzidas

-

+

DKK

Coroa dinamarquesa

0.1345

-0.1

0.0

Reduzidas

=

=

SEK

Coroa sueca

0.1103

-0.7

0.1

Moderadas

+

++

NOK

Coroa norueguesa

0.1216

-0.1

-10.4

Moderadas

=

=

USD

Dólar americano

0.8602

0.2

-14.8

Elevadas

-

=
CAD

Dólar canadiano

0.6526

2.6

1.2

Elevadas

+

++

AUD

Dólar australiano

0.6104

5.0

8.9

Elevadas

+

=

JPY

Iene japonês (100)

0.7825

1.8

-5.1

Elevadas

-

=

Fonte: Poupança Quinze
(1) -- forte depreciação; - ligeira depreciação; = estável; + ligeira apreciação; ++ forte apreciação.

 Taxas em 31/10/03

 

Cód. ISO

Inflação (1)

Taxas de juro a 3 meses

Taxas de juro a 10 anos

(%)

Mês

Valor em (%)

Tendência (2)

Valor em (%)

Tendência (2)

EUR

2.1

Out

2.16

=

4.21

=

GBP

2.8

Set

3.91

+

5.01

+

CHF

0.5

Set

0.20

=

2.58

=

USD

2.3

Set

1.13

=

4.14

+

CAD

1.7

Set

2.70

=

4.72

=

AUD

2.6

Set

5.18

+

5.75

+

JPY

-0.2

Set

-0.06

=

1.23

=

Fonte: Poupança Quinze
(1) Variação dos preços face ao mesmo mês do ano anterior. (2) - diminuição; = estável; + subida.

 

Mercados bolsistas

Em Outubro, as bolsas registaram ganhos avultados. Frankfurt subiu 10,2% suportada pelas acções do sector financeiro, Paris progrediu 7,6%, enquanto Londres subiu 7,7%. Do outro lado do Atlântico, Nova Iorque valorizou 6,0%. A dominar as atenções esteve o arranque da época de divulgação dos resultados referentes ao terceiro trimestre. No plano internacional, houve de tudo um pouco com a Microsoft, a Royal Dutch e a Pfizer a divulgarem resultados aquém do esperado, enquanto a Intel, a Texas Instruments e a GlaxoSmithKline superaram as expectativas de mercado. Quanto aos próximos trimestres, a maior parte das empresas prefere continuar a jogar pelo seguro, limitando-se a apontar metas somente até ao final do ano.

Por cá, a Euronext Lisboa voltou a apresentar um mês positivo, com o PSI-20 a subir 2,3%. Entre os principais componentes do índice, o BCP foi o título com pior comportamento ao recuar 7,3%, depois dos resultados do terceiro trimestre terem ficado abaixo das expectativas. A EDP, por sua vez, terminou ligeiramente negativa, com os lucros trimestrais também a ficarem um pouco aquém do esperado.

Do lado oposto, e em grande evidência, esteve a Sonae que progrediu 25,5%, suportada pela especulação em torno do processo de privatização da Portucel e, sobretudo, pelo efeito positivo das alterações efectuadas na área do imobiliário no final de Setembro. A Poupança Quinze recomenda a compra desta acção para o longo prazo. A Portugal Telecom foi outra das empresas que fechou em alta este mês, valorizando-se 6,5%. Para além de beneficiar do programa de compra de 10% de acções próprias até ao final de 2004 e da melhoria de remuneração aos accionistas, os resultados trimestrais divulgados recentemente surpreenderam pela positiva. O grupo deu boas indicações no plano operacional e continua a reduzir a sua dívida. A Poupança Quinze está mais optimista quanto ao futuro da operadora de telecomunicações, e como tal, passou a recomendar a compra desta acção.

 Bolsas em 31/10/03

Bolsa (1)

Evolução no último mês (2)

Evolução nos últimos doze meses (2)

Índice de sobre/sub valorização (3)

Price/Earnings médio do último exercício (4)

Price/Earnings médio do exercício em curso (4)

Euronext Lisboa

2.3%

15.8%

-0.4

17.2

17.7

Eurnonext Amesterdão

6.0%

40.0%

0.1

16.8

13.6

Euronext Bruxelas

5.2%

14.5%

-0.4

21.1

13.1

Euronext Paris

7.6%

15.0%

0.7

107.3

19.8

Frankfurt

10.2%

18.3%

1.0

31.5

23.2

Londres

7.7%

5.4%

-0.5

52.6

21.5

Madrid

5.9%

18.9%

-0.1

18.4

15.4

Milão

4.9%

14.0%

0.1

31.2

18.5

Nova Iorque

6.0%

4.1%

0.4

49.3

19.6

Sidney

8.8%

22.0%

-0.4

--

--

Tóquio

4.7%

16.7%

1.7

--

--

Zurique

3.1%

3.3%

0.1

58.2

19.8

Fonte: Poupança Acções
(1) Índices Datastream, excepto Lisboa (PSI 20). (2) Em euros. (3) Um valor do índice inferior a -0,5% indica que a bolsa está subvalorizada, entre -0,5 e 0,5 que está a um nível correcto e mais de 0,5 que está sobrevalorizada. Este índice considera as taxas de juro de longo prazo, a taxa de câmbio e o risco associado a cada Bolsa. (4) Cotação/Lucros correntes (sem elementos excepcionais).

07.11.2003

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