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da DECO PROTESTE


Crédito ao consumo: publicidade camuflada

A publicidade do crédito ao consumo procura camuflar os verdadeiros custos do empréstimo, destacando a facilidade da contratação. Já os portugueses estão cada vez mais endividados.

São as conclusões do estudo da DINHEIRO & DIREITOS sobre a taxa anual de encargos efectiva global (TAEG) em propostas de crédito e publicidade de seis bancos e seis lojas. Em paralelo, analisou sete banners na Internet e anúncios na rádio e televisão.

Algumas instituições de crédito não se preocupam em cumprir a lei e não indicam a TAEG, que permite comparar propostas de crédito.
Na maioria dos casos, quando vem mencionada, é a informação com a letra mais pequena dos cartazes ou folhetos. Na rádio e TV, passa tão depressa que se torna imperceptível. À excepção dos bancos, poucas instituições fornecem voluntariamente informações detalhadas sobre o crédito antes da contratação.

A rápida evolução do mercado, com uma linguagem cada vez mais técnica, resultou numa situação de iliteracia financeira. A publicidade transmite a ideia de que o crédito não é caro, podendo contribuir para o sobreendividamento galopante dos portugueses.

Cabe ao Governo criar regras objectivas, exige a DECO. A associação de consumidores defende critérios únicos para a publicidade, onde sejam perceptíveis os elementos importantes do crédito. Na publicidade visual, a TAEG deveria ter, por exemplo, o tamanho da mensagem principal.
Na audiovisual, é importante que, no mínimo, um quarto do tempo seja dedicado a esta taxa.
Para evitar cenários pouco realistas, que diluam os custos, os bancos deveriam indicar a TAEG para € 5000 e € 25 000, a pagar em 24 e 60 meses, respectivamente. Para outras instituições de financiamento, a DECO sugere € 1000 e € 5000, em 12 e 48 meses.

A atracção pelo crédito é forte e a falta de informação fatal. A DECO exige educação financeira nos currículos escolares desde cedo.
A educação das crianças só pode originar adultos bem informados, com capacidade para fazerem escolhas conscientes.

 

| Dinheiro & Direitos.º 088 - Julho/Agosto de 2008 |

25.06.2008

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