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da DECO PROTESTE


Reparação de frigoríficos: serviço muito caro e sem factura!

A DECO/PRO TESTE investigou, de forma anónima, 25 reparadores de frigoríficos e descobriu muitas avarias: anunciam garantias de reparação inferiores ao que manda a lei, cobram preços exorbitantes e alguns nem sequer passam factura.

Em Outubro e Novembro de 2003, a PRO TESTE avariou uma série de frigoríficos, que mandou reparar ao domicílio. Ao telefone, os técnicos daquela revista pediram informação sobre a tabela de preços, mas, na maioria dos casos, não obtiveram informação suficiente. Houve quem não tivesse dado nenhum preço. A maioria dos reparadores respeitou a hora combinada, o que não era difícil, dada a imprecisão com que muitas marcações foram feitas. “No caso da A.A.A.Ababas, Lda. e Electro 2000, a atitude dos reparadores foi muito grave: não compareceram na casa do cliente. Se não podiam fazer o trabalho, bastava dizê-lo. Marcar uma hora e não aparecer mostra grande desrespeito pelo consumidor”, denuncia a edição de Fevereiro da PRO TESTE.

Apenas a Help-Service fez uma reparação irrepreensível: foi a única que colocou um termóstato idêntico ao original. Todos os restantes reparadores instalaram termóstatos com características diferentes. Em termos de segurança, não trazem nenhum risco, nem põem em causa o funcionamento do aparelho. Mas pelo facto da sonda ser maior pode ocorrer um aumento do consumo (pouco significativo) e a regulação do termóstato pode não corresponder à numeração inscrita no comando. “Apenas a Fri-mede foi chumbada, porque o seu técnico não colocou o dispositivo de retenção de um cabo interno. Tal revela um trabalho descuidado”, acusa aquela revista de consumidores.

Mesmo pedindo a factura, nem sempre a equipa da PRO TESTE conseguiu a tão desejada. Seis reparadores não entregaram factura, mas antes outros documentos sem validade do ponto de vista fiscal e para accionar a garantia, como “folhas de obras” ou “ordens de trabalho”. Entre aqueles que entregaram factura, também se registaram falhas graves. O reparador da Augusto Vinha Lda. não identificou o aparelho. No caso da Jomogelo, quem preencheu o documento errou na marca do frigorífico. Na factura da Electro Santos, da Amadora, o número de contribuinte e a morada originais foram riscados e escritos outros diferentes.

Nenhum reparador informou correctamente sobre o prazo de garantia da reparação. Seis técnicos deram respostas do tipo “esta peça nunca se avaria” ou fugiram à questão. A Hiper Técnica e a Urgência 24 Horas indicaram que o trabalho não tinha garantia! O prazo mais alargado (um ano) foi indicado pelos reparadores J.C. Brites da Silva e Técnica Eléctrica, mas mesmo assim não respeitou os dois anos que manda a lei.

Muitas facturas não apresentavam preços discriminados. O termóstato custou entre 19 e 77 euros. Para a mão-de-obra, o preço variou entre 24 e 36 euros. Regra geral, o trabalho foi cobrado à hora, quando, em média, as reparações demoraram 30 minutos. “Ou seja, este método de facturação é pouco transparente e nada favorável ao consumidor”, alerta a PRO TESTE. O preço total pago pelo mesmo serviço variou entre 40 e 127,33 euros.

Nestes serviços ao domicílio, o consumidor encontra-se limitado na possibilidade de escolher com base no preço, dado que o pedido do orçamento implica a deslocação do técnico para identificar a avaria. A pesquisa de preços pode, pois, ficar mais cara do que a reparação. Dada a disparidade dos valores pagos, aquela revista avaliou os preços. A maioria dos técnicos cobrou preços acima do máximo aceitável (71,40 euros), calculado com uma margem considerável para os reparadores e tendo em conta a peça, mão-de-obra e deslocação. Nove cobraram mesmo mais de 40% acima daquele preço.

Consumidores exigem
Segundo a DECO/PRO TESTE, para acabar de vez com os problemas, é preciso actuar a três níveis: empresas de reparação, Inspecção-Geral das Actividades Económicas e consumidor. No caso das empresas, é preciso apostar na formação técnica dos profissionais e melhorar a qualidade do atendimento. Poderiam começar por receber algumas lições sobre a marcação de visitas. Os consumidores não podem continuar a perder tempo à espera dos técnicos.

Outra batalha é a questão da informação sobre a tabela de preços ao telefone: actualmente, o consumidor não é bem informado e fica dependente das misteriosas contas finais dos reparadores. Por cada serviço cobrado, tem de ser passada uma factura que respeite todos os requisitos ao nível da reparação efectuada e da discriminação do preço pago. Nunca se esqueça de pedir uma factura com todas as parcelas.

A PRO TESTE já testa estes serviços há 10 anos e os problemas repetem-se. Os reparadores continuam a pecar pela falta de transparência. Aquela revista lança assim mais um apelo: “a fiscalização destes serviços não tem sido eficaz. O que anda, pois, a fazer a Inspecção-Geral das Actividades Económicas? É preciso tomar medidas enérgicas e penalizar os infractores. Até para que não continuem a fazer concorrência desleal aos profissionais honestos e competentes”.

Avaria muito fácil de reparar
Os 25 reparadores investigados fazem-se anunciar nas páginas amarelas, em autocolantes nas portas dos edifícios, locais públicos ou na Net. Todas as empresas foram seleccionadas de forma aleatória. No laboratório, foi avariado o termóstato, para que os aparelhos deixassem de produzir frio. Era uma avaria fácil de identificar e que poderia ser reparada sem levar o aparelho para a oficina. Bastava trocar o termóstato por um novo, com as mesmas características.

| Pro Teste n.º 244 - Fevereiro de 2004 - pág. 19 a 23 |

28.01.2004

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