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Já disponível nas nossas lojas, é tentador, muito atractivo e versátil. Mas não substitui o computador para trabalhar no dia-a-dia.
Os tablet PC, pequenos portáteis com ecrã multi-touch, como o inovador iPad da Apple, são o resultado de evoluções nos últimos anos: ecrãs tácteis mais eficientes, sistemas operativos mais amigáveis e intuitivos, maior autonomia das baterias e da poupança de recursos do computador, tornando-o mais leve e compacto.
A conjunção destas inovações permitiu que surgisse um produto tão versátil e multimédia como o iPad da Apple. Mas não é o único. Modelos da Samsung e Toshiba já são comercializados. Outros se seguirão.
Duas versões, até 64 GB de memória
O iPad tem uma versão só com wi-fi e outra com wi-fi e 3G. Para cada, existem diferentes capacidades de memória (16, 32 e 64 GB). O preço varia entre € 499 e € 799, dependendo da versão e da capacidade da memória.
Preço da versão com wi-fi:
16 GB - 499 euros
32 GB - 599 euros
64 GB - 699 euros
Preço da versão com wi-fi e 3G:
16 GB - 599 euros
32 GB - 699 euros
64 GB - 799 euros
Os tarifários propostos pelos operadores para acesso à Internet através de tablet PC são iguais aos da banda larga móvel, embora com menos opções.
A nossa análise ao iPad
O iPad começou a ser vendido nos Estados Unidos no início de Abril. Comprámos nessa altura um aparelho americano e analisámo-lo. Testámos o modelo básico wi-fi de 16 GB.
A embalagem inclui um adaptador USB, um carregador de 10 watts e um guia de iniciação rápida.
– Dimensões
O iPad mede 190 x 243 x 14 mm e pesa 688 gramas. Com apenas 688 gramas, é um computador muito leve: menos meio quilo, em média, do que um netbook muito fino. Mas, tendo em conta que terá de o segurar com as mãos (sem uma mesa), os 700 gramas podem tornar-se desconfortáveis, ao fim de algum tempo.
– Ecrã
O iPad dispõe de um ecrã panorâmico multi-touch, com uma diagonal de 9,7 polegadas e uma resolução de 1024x768 pixels.
As dedadas no ecrã do iPad quase não se notam, quando usado no interior, com boas condições de iluminação. Mas o mesmo não se passa no exterior, não devido às impressões digitais, mas por falta de contraste e, sobretudo, por ser muito reflexivo.

A Apple afirma que o ecrã é resistente a impressões digitais. Falso, como prova a foto do teste.
– Sistema operativo e aplicações
O iPad que usámos no teste funciona com o sistema operativo iPhone OS 3.2, uma versão adaptada do iPhone (a versão 4.2, que permite multi-tarefas, já está disponível para actualização).
Traz poucas instalações de origem. Para instalar novos programas, terá de visitar a App Store, no sítio da Apple. Muitas aplicações são pagas.

O iPad funciona com o sistema operativo iPhone OS 3.2, uma versão adaptada do iPhone.
As aplicações foram o principal motivo de sucesso do iPhone. Marcaram a diferença entre o smartphone da Apple e os da concorrência. Só o futuro nos dirá se o mesmo se repetirá com o iPad.
No iPad, pode utilizar programas inicialmente concebidos para o iPhone, embora numa escala menor de 1:1. A imagem aparecerá com o tamanho do ecrã do iPhone, a não ser que opte por expandi-la, mas, neste caso, fica difusa e perde nitidez.
Na App Store, descarregue programas de escritório, jogos, enciclopédias, jornais e revistas. Muitos são pagos.
– Multitarefa limitada
Pode ligar e desligar instantaneamente o iPad, ao contrário de outros computadores, que levam algum tempo a arrancar. Além disso, reage rapidamente aos “toques” do utilizador e, quando solicitadas, as aplicações abrem quase de imediato.
A capacidade de multitarefa (multitasking) do iPad é muito limitada. É possível ouvir música enquanto consulta mails ou escreve um texto, por exemplo. Mas não permite utilizar outros programas ao mesmo tempo. No entanto, para muitos utilizadores a ausência de multitarefa não é um inconveniente: abrem várias aplicações e usam uma de cada vez, recorrendo ao botão “home”. Ao pressionar este botão, a aplicação fica “congelada”. Quando é aberta de novo, arranca exactamente no ponto em que foi deixada.
– Ligações muito básicas
O iPad dispõe de alguns botões básicos, para regular o volume, por exemplo, e de uma entrada para auriculares.
Não tem webcam nem um conector HDMI, uma porta USB ou um leitor para cartões de memória. Terá de adquirir alguns acessórios para resolver estes problemas.
– Bom som
O som é de óptima qualidade tanto com auscultadores como nos pequenos altifalantes incorporados, apesar da pequena dimensão. Não é comparável a uma aparelhagem Hi-Fi, mas é melhor do que num netbook. Traz um microfone incorporado para fazer chamadas de voz por IP ou gravar a voz.
Embora ainda não exista uma versão do Skype para iPad, pode usar a que foi concebida para o iPhone, usando o microfone e altifalantes integrados no iPad. Contudo, não é possível deixar o Skype ligado enquanto faz outra tarefa, pois o iPad não permite usar várias aplicações em simultâneo (multitarefa).
– Autonomia para um dia de trabalho
A bateria passou com distinção as provas duras a que foi submetida. Conseguimos ver vídeos do YouTube via wi-fi durante 6 horas e 45 minutos. Na reprodução de vídeos descarregados e armazenados na memória interna, aguentou-se durante 8 horas e um quarto. O teste foi realizado em condições exigentes, com a luminosidade de ecrã e volume no máximo. Destacamos a precisão elevada do indicador de carga da bateria.
– Principais tarefas
- Navegar na Internet O iPad tem um bom browser e um ecrã de boa dimensão. Contudo, não suporta a tecnologia Flash, o que impede entrar e ver alguns sites ou conteúdos.
- Escrever num iPad com o teclado integrado no ecrã não é cómodo para textos longos. Mas permite escrever com alguma rapidez. Posicionar o cursor em situações que exigem alguma precisão, por exemplo, para corrigir uma palavra, não é fácil. Mesmo assim, a experiência superou as nossas expectativas.
- Ler e-books é melhor num leitor próprio. Comparámos com um Kindle . Este último é melhor em quase todos os aspectos. Tem metade do peso e recorre à tecnologia de tinta electrónica, que torna a experiência visual muito agradável, quase como se estivesse a ler um documento de papel. Além disso, pode ser utilizado no exterior, mesmo sob luz solar intensa (foto). A autonomia da bateria é incomparável: 1 semana em vez de 10 horas.
Se, em vez de e-books, pretender edições digitais de jornais e revistas, o iPad ganha clara vantagem, pois o ecrã do Kindle não é a cores.

Num leitor de e-books, conseguimos ler perfeitamente no ecrã, mesmo sob luz solar directa.
- Os vídeos têm muito boa qualidade no iPad, quando visualizados com boa iluminação. Mas, dada a sua forma, é necessário segurar o iPad o tempo todo, a não ser que compre uma base (iPad case), para colocá-lo em posição vertical. Também existem problemas de compatibilidade de alguns formatos de vídeo, como, por exemplo, o divx ou avi.
- Pontos fortes para jogos multimédia: a interface táctil, que se adapta perfeitamente a alguns tipos de jogos, o ecrã grande e o preço. Embora o iPad seja mais caro do que uma DS ou uma PSP, os jogos são bastante mais baratos. Em contrapartida, o tamanho faz com que não seja tão transportável como uma consola portátil.
- Enviar mails e escrever pequenos documentos são tarefas que pode fazer no iPad. Mas, para trabalhar no dia-a-dia, o tablet da Apple não é ideal. Mesmo instalando aplicações de escritório, como o iWork, o iPad não pode ser encarado como computador de trabalho. O Keynote (para as apresentações), o Numbers (para tabelas), e o Pages (editor de texto) são, por enquanto, as únicas aplicações de escritório para o iPad, da Apple.
São muito simples e intuitivas e permitem ler e editar documentos do Office: Powerpoint, Excel e Word. Contudo, detectámos alguns problemas de compatibilidade com certas formatações. Servem para algumas tarefas, mas, se quer estar 100% seguro de que está a visualizar um ficheiro Office tal como foi criado, não há alternativa senão usar um PC. Com o Pages, pode exportar um ficheiro em formato Word. Pelo contrário, com o Numbers e o Keynote, não conseguirá criar um ficheiro xls e ppt, mas apenas no formato próprio ou em pdf.
Acessórios para o iPad
Entre os acessórios para o iPad, concebidos para aumentar as suas
possibilidades, analisámos 4.
– Teclado pouco útil

A base de teclado para iPad (Keyboard Dock) combina uma base para carregar o
iPad com um teclado completo. A base tem um conector para carregar e sincronizar
com um computador e uma saída áudio, para ligar colunas. Bastante mais cómodo do
que o virtual, o teclado tem aproximadamente as dimensões do da MacBook.
Contudo, é um acessório pouco útil.
- Apesar de menos confortável, o teclado virtual é suficiente para pequenos
textos. Para documentos mais extensos, consegue-se uma boa velocidade (nos
nossos testes: 5,1 caracteres por segundo, como num netbook), mas é provável
que tenha outro computador em casa mais adaptado para esse fim.
- Pode usar outro teclado e ligá-lo através de um adaptador USB (vendido
como acessório), mais útil e barato.
- A ligação do teclado ao iPad não é muito sólida. Após alguns dias de
utilização, houve falhas: o iPad não reconhecia o teclado.
- O teclado não é compatível com a bolsa protectora.
– Bolsa protectora imprescindível
Convém investir numa
bolsa (da Apple ou outra qualquer), dada a fragilidade do iPad.
A bolsa para iPad (iPad Case) custa a partir de € 29,90, consoante o modelo.
Da Apple ou outra, é imprescindível, dada a fragilidade do iPad. É prática para
transportá-lo, protege-o de eventuais pancadas e riscos. Pode dobrá-la e usá-la
como suporte do iPad, e colocá-la no ângulo certo, para escrever ou ver fotos e
vídeos, sem ter de o segurar. Mas não é compatível com o teclado.
– Kit de ligação de câmara só descarrega fotos e vídeos

O Kit de ligação de câmara para iPad (Camara connection kit) é composto por
dois pequenos adaptadores que se ligam ao conector do iPad. Um é dotado de uma
porta USB. O outro tem um leitor para cartões de memória SD. Embora a Apple
especifique que a utilização se limite a importar fotos e vídeos a partir de uma
máquina fotográfica ou de filmar, trata-se de uma entrada USB. Permite ligar,
por exemplo, um teclado ou um microfone. Contudo, lamentamos que o iPad não
reconheça um disco externo, um leitor de CDs ou uma pen-disk. Só se consegue
transferir ficheiros do dispositivo (máquina digital) para o iPad, mas não no
sentido inverso.
– Adaptador VGA desilude

Este adaptador VGA (Dock connector to CGA adaptor) é uma grande desilusão. A
Apple refere que permite visualizar apresentações ou filmes num grande ecrã,
ligando o iPad a um televisor, monitor ou projector. Mas deveria acrescentar que
só permite mesmo ver fotografias e vídeos. Não percebemos porque é que a
transposição do iPad para o ecrã é tão limitada. Seria mais lógico e prático que
permitisse ver tudo aquilo que aparece no ecrã do iPad, por exemplo, uma
aplicação a amigos. A julgar pela quantidade de comentários negativos de
utilizadores, na página da App Store americana, não fomos os únicos a
ficar desiludidos.
O iPad é bom para mim?
O iPad é um computador com design apelativo, concebido a pensar no entretenimento, para usar enquanto está sentado no sofá ou fora de casa. Permite navegar na Internet, enviar mails, redigir pequenos textos, usar redes sociais, ver e mostrar fotos e vídeos, ler um jornal ou uma revista em formato digital ou jogar. Funciona bem, é prático, facilmente transportável, e tem uma utilização intuitiva. Mas...
- O iPad dificilmente poderá ser o seu computador principal.
- Para ler e-books, é melhor optar por um leitor próprio.
- Para trabalhar, os netbooks são mais adequados.
Última atualização em novembro de 2010
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