Nas últimas décadas,
temos assistido ao aumento do número de casos de asma e
alergias, sobretudo nas
crianças e jovens. Os poluentes podem ser uma das principais
causas. Arejar a
casa ajuda a reduzir a contaminação do ar.
Fontes de poluentes
O ar que habita as
nossas casas encerra muitos poluentes. Entre os mais nocivos,
estão os
compostos orgânicos voláteis (COV),
substâncias químicas que se dispersam
rapidamente pelo ar à temperatura ambiente. A lista de
produtos e materiais
susceptíveis de libertar COV é quase
interminável, pelo que estamos rodeados de
substâncias invisíveis e inodoras,
tóxicas. Por exemplo, o radão, um gás
radioactivo natural, encontra-se no solo em zonas
graníticas. Pode infiltrar-se
na casa através das fissuras, das
canalizações, ou estar nos materiais de
construção.
Os materiais de
bricolagem e produtos de limpeza contêm vários
compostos orgânicos voláteis
(COV). Estas substâncias químicas irritantes,
algumas muito perigosas,
evaporam-se depressa à temperatura ambiente. As mais
frequentes são o
formaldeído, o benzeno, o tolueno, a acetona, os
éteres de glicóis, etc.
Os insecticidas
contêm substâncias químicas que libertam
COV. Os organoclorados,
organofosforados e piretrinóides, etc. são
tóxicos, pelo que deve evitar
usá-los nos quartos das crianças.
O fumo do tabaco
contém cerca de 3 mil substâncias, das quais mais
de 40 são reconhecidas como
cancerígenas. Os fumadores activos e passivos
estão expostos a elevadas
concentrações de monóxido de carbono,
óxidos de azoto, nicotina, formaldeído,
etc.
Os aparelhos de
combustão (fogão a gás, aquecedores,
esquentadores) podem libertar monóxido de
carbono e dióxidos de azoto.
Os móveis de cozinha
e casa de banho podem libertar formaldeído, devido
às colas e resinas usadas no
fabrico.
Os móveis em kit
podem libertar COV, sobretudo formaldeído.
Os cosméticos,
champôs, aerossóis podem conter COV e
alergénios. A directiva europeia obriga
os fabricantes de cosméticos a mencionar no
rótulo as 26 substâncias mais
alergénicas.
Os
ambientadores
como os difusores eléctricos, velas e incensos libertam
formaldeído e
substâncias perfumadas alergénicas irritantes ou
até tóxicas.
Efeitos nocivos
Irritações da pele,
olhos e vias respiratórias.
Distúrbios
cardíacos, digestivos, renais ou hepáticos
(dores, náuseas e vómitos).
Dores de cabeça e
mal-estar generalizado.
Distúrbios do
sistema nervoso, como perturbações da
memória, de atenção,
concentração e da
fala, stresse e ansiedade.
Perturbações do
sistema hormonal (problemas fetais e de
reprodução).
Desenvolvimento de
cancros das fossas nasais, dos seios frontais e pulmões,
quando presentes em elevadas
concentrações.
Dicas úteis
Para reduzir a
contaminação do ar em casa, areje-a diariamente,
sobretudo as áreas mais
sensíveis, como a casas de banho, a cozinha e os quartos.
Faça o mesmo no
Inverno, durante, pelo menos, 15 minutos de manhã e 15
minutos à noite.
Quando fizer
trabalhos de bricolagem com tintas, decapantes e solventes, areje bem a
casa
durante algumas semanas após terminar a obra, mesmo se vive
na cidade.
Quando pensar em
comprar mobiliário novo, pondere a possibilidade da madeira
maciça, em
detrimento dos móveis em contraplacado ou aglomerado.
Para o revestimento
do solo, prefira materiais maciços ou azulejo, em vez de parquet flutuante
com
camadas isolantes. Prefira tapetes com uma base têxtil e
não de espuma sintética.
Para o isolamento, a
cortiça, a lã, o linho e outras fibras naturais
são mais indicados do que a
fibra de vidro ou lã de rocha.
Quando instalar
mobiliário novo em casa, areje bem a divisão,
sobretudo durante o primeiro mês,
altura em que a madeira liberta mais formaldeído. No caso
das cómodas, abra as
gavetas e deixe-as arejar, antes de começar a
enchê-las.
Algumas plantas
absorvem os compostos voláteis orgânicos e ajudam
a eliminar as substâncias
químicas presentes no ar. É o caso da robusta, chlorophytum, comosum-aglaonema,
spathiphyllum,
dracaena,
aloes
ou trepadeira.