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Fazer com que um terço dos edifícios tenha classe A ou A+, em 2020, é um dos grandes objectivos da ADENE, Agência para a Energia.

Alexandre Fernandes, director-geral, e Paulo Santos, director para a certificação energética, relatam as conquistas e falhas deste processo, obrigatório desde há 1 ano para quem vende ou arrenda casa. A nossa repórter Filipa Rendo conta-lhe tudo.
Apoios e melhorias
 “Peça ao perito a impressão de teste do certificado. Pode consultar as
medidas de melhoria e executar as mais viáveis. Depois, faz-se a reavaliação
e emite-se o certificado final”
Para quem não está familiarizado com a certificação, não é fácil
comparar propostas de vários peritos. Demos algumas orientações aos
peritos sobre o que devem incluir na proposta. Se houver essa harmonização na
apresentação, é fácil comparar: alguns itens estão e outros não. É tão simples
quanto isto.
O certificado pretende fomentar melhorias. Até que ponto são
suportáveis pela maioria dos consumidores, já que é no parque habitacional
existente que há avaliações mais fracas? Temos consciência de que é
preciso criar condições para fazer as melhorias. Já apareceram, por exemplo, em
2009, ao nível do programa solar e com muito sucesso. A energia solar térmica
teve um incentivo muito forte, o que a tornou acessível a qualquer cidadão. Há
painéis solares de muito boa qualidade ao abrigo deste programa por cerca de
1000 ou 1500 euros. Como é possível deduzir no IRS quase € 800, posso ter um
painel solar térmico por menos de 500 euros. Se fizer contas à factura do gás,
recupera-se o investimento em 5 anos. É preciso direccionar os apoios para o
que tem maior impacto nos recursos energéticos da habitação: a água quente ou
recuperar a envolvente, como as paredes.
Mas isso ainda não está concretizado. Não, mas está
a ser dinamizado. A certificação pretende dar um sinal ao mercado de
que estamos a identificar os maiores problemas e é preciso criar a oportunidade
para os resolver. Uma área que faz a diferença e ainda não está no terreno em
termos de incentivos é a envolvente: os isolamentos e envidraçados. Mas, se
lermos o plano de eficiência energética, já lá está. Janelas eficientes e portas
de boa qualidade têm, muitas vezes, um peso importante na certificação, embora a
grande diferença se faça ao nível de equipamento.
Imagine uma casa avaliada com B e o certificado propõe melhorias que
permitem ser A. Para usufruir do benefício fiscal, como provo que as fiz mais
tarde? Tenho de pedir um novo certificado e voltar a pagar? Sim,
teria de pedir um novo. O nosso conselho: antes de o certificado ser registado,
o consumidor deve pedir ao perito uma impressão de teste. Aí, consulta as
medidas de melhoria sugeridas e pode executar duas ou três que sejam mais
viáveis. Depois, o perito faz uma reavaliação e emite o certificado final. A
classe energética até pode aumentar.
Peritos
 Estime a classe energética do imóvel no simulador Casa+
Como é que o consumidor sabe se o perito fez um bom
trabalho? O simulador Casa+ pode ser usado para isso. Não substitui
o trabalho do perito, mas serve como balizador. Mais: basta olhar para o
certificado. Há dois extremos a que o consumidor deve estar atento. Se o
certificado é minimalista, por exemplo, ao descrever a parede, o perito não o
faz com detalhe e de forma minimamente compreensível. O outro extremo é o perito
colocar informação tão técnica que não se percebe. Por isso, criámos uma guia de
procedimentos para o preenchimento dos certificados.
Mas ler e compreender todo o certificado não parece
fácil. Se estiver a meio da reabilitação de uma casa ou condomínio,
o consumidor pode emprestar o certificado ao empreiteiro que está a contratar ou
a pedir orçamento, e ele consegue descodificar tudo. Há sempre linguagem muito
técnica, mas, acima de tudo, tem de ser entendida pelo técnico que vai fazer a
obra.
Há peritos não qualificados a visitar imóveis. O que deve fazer o
consumidor? A certificação deve ser feita por um perito qualificado,
pois tem experiência e foi reconhecido para isso. Tem a sensibilidade necessária
para chegar ao imóvel e perceber o que pode ser feito para melhorar. Mesmo que
tenha uma equipa de assessoria a apoiá-lo, não pode ser substituído por ela. O
perito tem de visitar o local, até porque compete-lhe assinar o certificado. É
absurdo assinar um documento quando não esteve presente. Isto faz parte das
medidas em que temos de actuar. Mas o perito também tem de ter consciência de
que, no dia em que for substituído, é redundante no processo. Por isso,
recomendamos aos proprietários para, no momento da visita, pedir o cartão de
identificação ao perito.
Fiscalização
 O perito é avaliado, pelo menos, uma vez a cada 5 anos
Quando e como é fiscalizado o perito?
Até agora, desencadeámos perto de 3500 fiscalizações. Estamos a
caminhar para 6% a 8% de certificados fiscalizados, o que é muito
representativo. Há vários critérios para seleccionar os processos. Um é a
queixa. Tem de ser fundamentada e não pode ser anónima. Depois há critérios mais
específicos, como os edifícios novos que não instalaram colectores solares ou os
edifícios com classificações mais elevadas (A+ e A), aos quais são atribuídos
benefícios fiscais. Por fim, o critério aleatório, que é a grande maioria.
Como decorre a acção? É simples. Escolhe-se o processo e
informa-se o perito qualificado. Temos entidades que nos assessoram. Numa
primeira instância, fazem uma réplica do trabalho do perito com base naquilo que
são as evidências e os documentos entregues pelo perito. Depois, enviam-nos o
que detectaram, nós interagimos com o perito e ele presta um pequeno
esclarecimento. Com base nessa informação, escrevemos o relatório final. Se
houver falhas, têm 20 dias para as corrigir.
Comprar casa certificada
 Para vender ou arrendar, o proprietário tem de pedir o certificado do
imóvel
Ao comprar um imóvel, o consumidor corre o risco de só receber o
certificado na escritura, porque o proprietário vai pedi-lo apenas quando o
negócio estiver a ser finalizado. Na prática, não sabe muito bem o que vai
comprar. Como se resolve esta questão? E quando serão as imobiliárias obrigadas
a anunciar a classe energética? A revisão da directiva já levou isso
em conta e todos os anúncios a imóveis incluirão a classe energética. Isto vai
criar a pressão desejável para se divulgar a classe logo no anúncio ao
imóvel.
Mas ainda não é obrigatório? Neste momento, não. Quem vai
comprar casa, também tem de sentir que o certificado é importante para a
reabilitação da mesma. Se for visto apenas como uma burocracia, mais um papel,
perdemos uma boa oportunidade para educar o País para a eficiência
energética.
Certificação a crescer
 “Cerca de 65% dos edifícios são classe C”
Quantos certificados já foram emitidos?
Já ultrapassámos os 200 mil. O ritmo de certificações ronda as 15
mil por mês.
Pertencem sobretudo a construção nova?
Cerca de 12 mil são de edifícios existentes e 3000 a 3500 de novos.
Nos existentes, a maior procura foi no início de 2009, com um pico de 16 ou 17
mil, em Março. Agora ronda os 12 mil. O mercado está em baixa, tanto na
construção como nas transacções, e a certificação reflecte essa tendência.
Há alguma predominância geográfica e na classe
energética? Sim, nas áreas com maior densidade urbanística. Lisboa é
o concelho com mais certificados. Gaia, Porto e Faro também têm alguma
expressão. Cerca de 65% dos imóveis são C ou menos e só 4,5% são A ou A+.
É satisfatório que predomine a classe C?
A nossa ambição é fazer com que, em 2020, um terço dos edifícios
tenha muito boa performance energética: A ou A+. Se o conseguirmos,
estaremos muito bem.
É uma previsão ou ambição? Uma ambição.
A União Europeia também tem regras extremamente ambiciosas. Vem aí uma nova
directiva e, com ela, a revisão dos regulamentos nacionais. Por sermos dos
países mais avançados nesta matéria, temos de dar o exemplo. O certificado tem
duplo objectivo: primeiro, apurar o desempenho energético e, depois, mostrar ao
proprietário ou futuro proprietário o que pode fazer para o melhorar, mesmo num
novo edifício.
Qual a percentagem de edifícios novos com painéis
solares? Nos edifícios novos, praticamente todos. Entre 95 e 98%,
porque é a grande componente de valorização hoje em dia. Ao abrigo do programa
solar, contrataram-se 50 mil sistemas. Se multiplicar por 3 m2, estamos a falar
de 150 mil m2. Há 4 ou 5 anos, o mercado português tinha 10 ou 20 mil m2 por
ano. Este crescimento é notório quer na construção existente, quer na que está
em projecto.
Última atualização em março de 2010
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