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Redes sociais: como partilhar apenas o que quer
Selecionar os dados pessoais a publicar e gerir as definições do perfil reduz os riscos da utilização do Facebook, hi5 e outras redes sociais.
Partilhar estados de espírito ou as fotos mais recentes, trocar mensagens ou comentar ideias são rotinas diárias para muitos cibernautas. O número de adeptos a interagir nas redes sociais cresceu exponencialmente nos últimos anos.
Com a propagação instantânea e quase incontrolável de dados e imagens no ciberespaço, a privacidade do cidadão nem sempre está salvaguardada. Ser vítima de difamação ou encontrar uma foto pessoal adulterada e usada para fins comerciais são ameaças possíveis. O Facebook, por exemplo, é criticado pela política de privacidade. Por vezes, devido a avarias involuntárias nos servidores que alojam dados, alguma informação é acidentalmente revelada.
Colecionar amigos e estranhos
O utilizador assume um papel decisivo na sua segurança, independentemente da rede social em que está registado. Na criação do perfil, por exemplo, são pedidos elementos de caráter pessoal, como estado civil ou número de filhos, e outros mais genéricos, como gostos musicais ou literários. Existem vários campos, mas não tem de preencher a maioria. Nem deve. O mesmo se passa com os amigos: só porque recebeu um pedido para adicionar alguém (que eventualmente nem conhece), não é obrigado a aceitá-lo.
Partilhar em demasia pode ser imprudente. Ao contrário do que pode parecer, nada é gratuito nas redes sociais. Não é preciso pagar para criar um perfil, mas as informações são usadas para fins comerciais. Quanto mais completo o perfil, mais valioso é. Se anunciar que gosta de certos livros ou desportos, receberá publicidade sobre esses produtos ou passatempos. Mais: os dados podem ser usados por empresas, às quais as redes sociais cedem ou vendem a informação, para estudar padrões de gosto e consumo.
Jovens mais expostos
As novas tecnologias permitem que qualquer cibernauta publique textos, fotografias e vídeos. Podem ser captados por telemóvel e enviados de imediato para a rede de contactos e aparecer num blogue ou perfil numa rede social. Uma vez online, estes conteúdos são vistos por várias pessoas, mesmo anos após a publicação. A pesquisa é facilitada pela possibilidade de os utilizadores “marcarem” conhecidos em fotografias, ou seja, identificá-los.
Os mais jovens, utilizadores assíduos destas redes e de outros serviços online, partilham aí sentimentos, preferências e eventos. Nem sempre estão conscientes de que a informação pessoal permanece online e pode ser acedida pelos pais, professores, futuros empregadores ou até “predadores”. Estão, por isso, mais expostos a boatos e fenómenos como o bullying (agressão e coação entre jovens).
Os dados podem ser usados por cibernautas mal-intencionados: fotos inocentes, por exemplo, facilmente podem ser adulteradas e utilizadas fora de contexto. Por serem publicadas em formato digital, é fácil cortar, copiar, mudar ou distorcer.
Com esta preocupação, a Comissão Europeia desenvolveu a campanha “Pensa antes de publicar um post”, onde lembra que os conteúdos permanecem online por um período indeterminado e estão acessíveis a todos. Crianças e adolescentes devem controlar a sua identidade online. Alerta ainda os pais sobre as definições de privacidade dos perfis dos filhos: se selecionam apenas amigos em quem podem confiar ou publicam fotografias de familiares e amigos com o seu acordo.
A generalidade das redes sociais permite que jovens a partir de 13 anos criem um perfil. Porém, não há forma de impedir que mintam quanto à data de nascimento. Esta situação é difícil de controlar e cabe aos pais monitorizar a atividade dos filhos nestas redes.
5 passos para proteger o perfil
1. Privacidade personalizada
As redes sociais convidam a preencher muitos campos com dados pessoais, como idade, profissão ou gostos. Se pretende ter um perfil, incluir fotos e publicações no mural, escolha os dados a partilhar e personalize as opções de privacidade. Pode, por exemplo, permitir que estejam visíveis a todos ou decidir quem pode aceder. Selecione “Página inicial > Definições de privacidade”.

2.Perfil acessível aos amigos
Limite a “Informação básica”, considerada pública pelo Facebook sob o pretexto de ajudar os cibernautas a encontrarem-se. Em “Definições de privacidade > Como te ligas”, configure quem pode enviar-lhe mensagens e pedidos de amizade, consultar a lista de contactos e dados sobre o seu trabalho, interesses e páginas preferidas. Por exemplo, deixe as 3 primeiras opções visíveis para todos os cibernautas poderem enviar-lhe pedidos de amizade, mas só os seus amigos acederem ao perfil.

3. Gerir a lista de contactos
É possível controlar a dimensão da lista de contactos, separá-los por diferentes grupos e ignorar alguns pedidos para adicionar. Para remover da lista um “amigo” e impedir que interaja consigo, selecione a opção “Pessoas e aplicações bloqueadas” nas “Definições de Privacidade”.

4. Fotografias longe de estranhos
Pode dividir os contactos em vários grupos, como “amigos e “colegas de trabalho” e definir, para cada, a informação que pode consultar. Cada álbum de fotografias tem a sua configuração. Se quiser que só uma lista de amigos veja o álbum, defina o grupo em “Definições de Privacidade”. Não é uma garantia, mas limitar a visibilidade das fotos reduz a probabilidade de roubo de imagens, para fins comerciais ou até criar falsas identidades.

5. Associar um dispositivo ao perfil
Em “Definições de conta > Segurança”, pode associar um ou mais equipamentos à conta pessoal. Receberá um alerta, caso a ligação seja feita de um computador que não o seu, por exemplo. É possível definir ainda uma autenticação adicional pelo telemóvel, por exemplo, para aceder ao Facebook de um computador diferente do habitual. É enviada uma mensagem para validar o acesso a partir do telemóvel.
