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Água da torneira de 50 concelhos: pequenas localidades mais problemáticas

As Câmaras Municipais de Elvas, Mogadouro, Sabugal, Murça e Valença do Minho forneciam, no final do ano passado, água imprópria às suas populações. Nos três primeiros casos, verificou-se excesso de alumínio e, nos restantes, problemas de higiene. Em 16 localidades, a água estava apta para consumo, mas não respeitava os critérios previstos na lei para ser classificada como boa. Estas são as principais conclusões de um estudo realizado pela Pro Teste sobre a qualidade da água de 50 concelhos e divulgado hoje, antecipando o Dia Mundial da Água.

A revista do consumidor detectou casos de incumprimento da lei na divulgação dos resultados das análises à água levadas a cabo pelas câmaras. O preço é outro aspecto a clarificar. Dado que não há uma uniformização do cálculo da factura da água, “as câmaras cobram o valor que bem entendem”. Registaram-se, ainda, “algumas situações anómalas” na aplicação de taxas.

Não é a primeira vez que a DECO/Pro Teste analisa a água da rede pública. Apesar de a qualidade da água fornecida pela maioria dos sistemas de distribuição ter melhorado, ainda se registam excepções preocupantes. O presente estudo demonstra que as pequenas localidades são as que apresentam mais problemas.

A água de Murça e de Valença do Minho estava imprópria para consumo, devido à presença de microrganismos indicadores de contaminação fecal. Estes microrganismos podem provocar infecções, sobretudo em pessoas cujas defesas do organismo se encontrem debilitadas (crianças, grávidas, idosos ou doentes crónicos, por exemplo). Face à gravidade dos resultados, a Pro Teste recolheu uma segunda amostra nestas localidades. Mesmo assim, a água apresentava um teor de germes superior ao valor máximo recomendado pela legislação.

A água fornecida pela Câmaras Municipais de Elvas, Mogadouro e Sabugal ultrapassava o teor de alumínio aceite pela legislação nacional, pela europeia e a Organização Mundial de Saúde. Segundo a Pro Teste, tal poderá dever-se a deficiências ao nível do funcionamento das Estações de Tratamento de Água, pois aquela substância é utilizada para facilitar a remoção de partículas mais pequenas.

Alguns estudos têm dado conta da possível relação entre o alumínio e o aparecimento de doenças neurodegenerativas.

Será que temos portugueses de primeira e de segunda?”. É desta forma que a revista dos consumidores critica a legislação por permitir que nas pequenas localidades a água seja submetida a um controlo menos frequente do que nas zonas com mais habitantes. Para eliminar os problemas, as câmaras e as empresas abastecedoras devem reforçar o número de análises.

É, igualmente, necessário garantir a ligação das habitações a sistemas de drenagem e tratamento das águas residuais. Segundo dados oficiais de 2001, o tratamento das águas residuais apenas abrange metade da população nacional, o que dista Portugal dos 90% estabelecidos pela União Europeia para 2006. Enquanto estas metas não forem cumpridas, a qualidade da água estará sempre comprometida.

Além da recolha das amostras de água, entre Setembro e Dezembro de 2002, a Pro Teste enviou um questionário às câmaras municipais para averiguar o tipo de controlo realizado, a forma de divulgação dos resultados, a percentagem estimada de fugas e o preço (para um consumo mensal de 10 m3, representativo do consumo médio das famílias portuguesas, com um contador de 15 mm).

Aquela revista refere que, além dos editais, o ideal seria divulgar os resultados das análises aos cidadãos através do recibo da água e pela Internet. No entanto, as câmaras municipais de Alijó, Aljustrel, Elvas, Lamego, Penela, Reguengos de Monsaraz, Valença do Minho e Vila do Bispo violam a lei por apenas facultarem os resultados das análises quando solicitados pelo munícipe.

Quanto à gestão de recursos, 21 câmaras afirmaram não contabilizar a percentagem de fugas na rede pública de abastecimento. As Câmaras Municipais de Beja, Funchal, Guarda, Pombal e Vila do Bispo perdem uma quantidade significativa da água potável que fornecem (mais precisamente 40%). Os dados do Relatório do Ambiente 2001 atestam que Portugal registou uma média de 35% de perdas, tendo vindo a aumentar na última década.

A Pro Teste relembra Isaltino Morais, Ministro do Ambiente, de que o “muito prometido regulamento de tarifário” permitiria definir critérios adequados para calcular o preço da água de cada concelho, assim como as eventuais taxas as cobrar.

| Pro Teste n.º 235 – Abril de 2003 – páginas 8 a 12 |

21.03.2003

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