|
Destacamos algumas questões dos leitores e desfazemos os mitos. Confira ainda a nossa seleção de truques para poupar na fatura da eletricidade, água e gás.
Lavar a loiça à mão fica mais barato do que na máquina? Os redutores de caudal instalados nas torneiras ou nos chuveiros diminuem o conforto? As lâmpadas economizadoras são demasiado caras para as poupanças que proporcionam? Portugal está mesmo livre da energia nuclear? Conheça as respostas a estas e outras perguntas, num roteiro sem desvios para poupar energia e fazer render o orçamento familiar.
Água
Instalar redutores de caudal diminui o conforto
Os redutores cortam até 40% o caudal de água que passa numa torneira ou cabeça de duche. Como misturam ar no fluxo, fazem-no sem diminuir a sensação de pressão nem o conforto. Se forem instalados no chuveiro, também permitem poupar energia, no caso da água quente. A diferença está no tempo superior para encher um recipiente.
Dica de poupança Se usar um termoacumulador elétrico, escolha a tarifa bi-horária para a noite. Adquira um programador para ligar a resistência só nas horas em que a energia é mais barata.
Lavar a loiça à mão gasta menos do que na máquina
O custo da lavagem depende do consumo de água e eletricidade, quantidade de detergente e preço do equipamento. A máquina gasta, em média, 15 litros por ciclo. Lavar à mão, enxaguamento incluído, leva uma média de 60 litros. Se, à mão, usar a água a 45º C, considere 2 kWh por lavagem. Num ciclo normal, a máquina precisa de 1,3 kWh para lavar e secar. No ciclo económico, o consumo baixa para cerca de 1 kWh, ou seja, pode poupar metade da energia. À mão ou na máquina, o enxaguamento é dispensável se limpar os pratos com a ajuda dos talheres ou, melhor ainda, dos guardanapos de papel usados na refeição.
Dica de poupança No verão, abdique da fase de secagem da máquina da loiça, nos modelos que o permitem.
Eletricidade
Os gestos quotidianos pouco reduzem a fatura da eletricidade
Numa semana, se usar o forno elétrico 2 vezes, desligue-o 10 minutos antes de retirar os alimentos. No caso de lavar 4 vezes a roupa, faça-o a 40ºC e não a 60ºC. Descongele o frigorífico regularmente e, ao fazer sopa uma vez por semana, use a panela de pressão em vez da panela normal. Só com estes quatro gestos, obtém uma poupança anual próxima dos 40 euros. Para um consumo médio anual de 1750 kWh, representam uma economia de quase 14% na fatura.
Dica de poupança Limpe periodicamente os filtros e dispensadores de detergente das máquinas de lavar. Quando estão sujos, prejudicam a eficácia.
Os eletrodomésticos de cozinha consomem muito mais do que os equipamentos eletrónicos
Um frigorífico pode consumir 300 kWh por ano. Se usar uma temperatura de 60ºC e fizer 4 lavagens por semana, uma máquina de lavar a roupa consome cerca de 230 kWh. Reduzindo para 40ºC, o dispêndio desce para 125 kWh. Se reduzir para 30ºC, o consumo desce para 104 kWh.
Já um televisor LCD de 42 polegadas, que gaste 170 W e trabalhe 5 horas por dia, consome tanto como o frigorífico. No caso de uma caixa de receção de TV digital, ligada à corrente em permanência, o consumo pode ser superior a 75 kWh só nos períodos em que a televisão está desligada. Se funcionar 4 horas por dia, gasta mais de 100 kWh. Aparelhos como leitores de DVD e consolas de jogos consomem menos, mas não devem ser menosprezados, até porque estão cada vez mais presentes nas nossas casas.
Dica de poupança Ao escolher uma televisão, tenha em conta o consumo indicado na nova etiqueta energética.

Se desligar um aparelho no botão, deixa de gastar
Muitos equipamentos, sobretudo eletrónicos, possuem dois botões “off”: um na parte frontal e outro na traseira. Mas apenas o último faz o corte da corrente e reduz o consumo a zero. O botão da frente, mesmo que acionado para desligar o aparelho, deixa-o em stand-by. No caso de equipamentos recentes, a União Europeia fixou um limite para os gastos neste modo. Porém, nos mais antigos, a diferença pode ser significativa. Por exemplo, um computador de secretária de 2002, mesmo desligado, continuava a ter um consumo que podia chegar aos 50 kWh por ano.
Dica de poupança Com uma tomada múltipla dotada de corte de corrente, elimina os consumos escondidos, pelo menos, à noite e quando estiver fora de casa.
Um aquecedor portátil gasta menos do que o ar condicionado
Grandes, ruidosos e rápidos a aquecer uma divisão, os aparelhos de ar condicionado transmitem a ideia de que consomem muito. Para uma mesma divisão, um radiador elétrico pode transmitir uma potência de aquecimento de 2 kW e um equipamento de ar condicionado de 3,5 kW. Se for um modelo recente, o último pode estar a consumir menos de 1 kW, ao passo que o radiador extrai os 2 kW diretamente da tomada. Por serem muito pouco eficientes na regulação, os radiadores consomem mais do que o necessário para atingirem uma temperatura confortável. Os aparelhos de ar condicionado mais eficientes gastam 5 vezes menos.
Dica de poupança Nas épocas do ano em que o ar condicionado não trabalha dias ou semanas de seguida, desligue-o da corrente. O consumo em stand-by é elevado.
Só a etiqueta energética indica o consumo de um equipamento
Se o equipamento tiver uma placa de características ou vier com manual, é possível verificar a potência. Por exemplo, os aspiradores ainda não têm etiquetas energéticas, mas é fácil conhecer o consumo. Se indicar uma potência de 1800 W e for utilizado 1 hora, gasta 1800 Wh, ou seja, 1,8 kWh. Como cada kWh custa 17,13 cêntimos, basta fazer uma multiplicação. Assim, por cada hora em que usar o aspirador, paga cerca de 30 cêntimos.
Dica de poupança Aparelhos com resistência elétrica ou compressor consomem mais do que equipamentos com pequenos motores. Assim, um desumidificador gasta bastante mais do que um robô de cozinha.

Energia nuclear
Portugal não recorre a energia nuclear
Segundo a Entidade Reguladora da Energia, em outubro de 2011, quase metade da eletricidade consumida em Portugal foi produzida a partir da energia eólica. Cerca de 18% vieram da cogeração e microprodução, que recorrem aos combustíveis fósseis de forma indireta, e 9% tiveram diretamente origem no carvão e gás natural.
Em certos períodos, o nosso país necessita de importar. A única possibilidade é Espanha, que recorre à energia nuclear para produzir eletricidade.
Dica de poupança Se usa vários equipamentos elétricos em simultâneo e o disjuntor do quadro nunca disparou, pondere reduzir a potência contratada. Baixando apenas um nível, poupa mais de € 20 num ano.
Gestos quotidianos
O fogão é a melhor opção para ferver água
Se precisar de ferver 2 litros de água da torneira, que está mais ou menos a 15ºC, o fogão a gás tem uma eficiência muito baixa. Gasta mais de 450 Wh a fazer o trabalho, o que tem um custo de quase 8 cêntimos. Já um jarro elétrico de 2 kW aquece a água em cerca de 5 minutos. Estes equipamentos têm eficiências próximas dos 90%, consumindo apenas 210 Wh, ou seja, menos de 4 cêntimos.
Dica de poupança Se usar a panela de pressão em vez de uma normal, poupa até 30% de energia.
Os micro-ondas são os equipamentos mais eficientes para cozinhar
Depende do que preparar e, sobretudo, da quantidade que cozinhar. Para aquecer uma chávena de leite ou um prato de sopa, o micro-ondas é o equipamento mais eficiente. Mas, se precisar de cozer legumes para uma sopa destinada a 4 pessoas ou assar carne para o mesmo número de convivas, o fogão e o forno continuam a ser a melhor opção.
Dica de poupança As placas a gás são dos equipamentos menos eficientes a transmitir calor. Escolha o bico adequado ao tamanho de cada panela ou frigideira. Se a chama ultrapassar o fundo do recipiente, ainda desperdiça mais energia.
Não compensa desligar a caldeira à noite para voltar a aquecer a casa de manhã
O arranque necessita, de facto, de alguma energia, mas de forma alguma este gasto anula a poupança noturna. Apenas com a redução da temperatura de 20ºC para 16ºC entre as 22h00 e as 6h00, poupa cerca de 13% de energia. Se, além disso, limitar o período de aquecimento das 10h00 às 18h00, a economia sobe para 24 por cento.
Dica de poupança Regule o termóstato para 20ºC no inverno. Cada grau adicional reflete-se na fatura. Pondere a compra de um termóstato portátil e programe a caldeira para aquecer apenas as divisões com pessoas.
Regular o ar condicionado para o mínimo arrefece a sala mais depressa
Quando uma divisão está a 30ºC no verão ou a 15ºC no inverno, o aparelho funciona quase na potência máxima, para reduzir ou aumentar a temperatura máxima e atingir o conforto. Não é por marcar no comando a temperatura de 19ºC que o aparelho vai responder mais rapidamente, pois já está a trabalhar na capacidade máxima. Corre ainda o risco de esquecer-se de regular o aparelho outra vez para 25ºC, arrefecendo a sala sem necessidade e com desperdício de energia.
Dica de poupança Use o período da noite, quando o ar exterior está mais fresco, para arrefecer a casa sem gastos.
As ventoinhas arrefecem o ar
As ventoinhas convertem a eletricidade em movimentos rápidos por um conjunto de pás, que, pelo seu formato, impulsionam o ar numa certa direção. Não arrefecem o ar. O que acontece é que o movimento do ar na nossa pele acelera a evaporação da água. Neste processo, a água absorve calor. O nosso corpo sente esta perda de temperatura, o que lhe permite ficar mais confortável num dia de verão.
Dica de poupança Em dias de calor, evite a entrada direta da radiação solar pelas janelas. Os estores exteriores são preciosos para economizar energia.
Os painéis solares permitem a independência face à rede de energia
Os painéis solares térmicos não satisfazem as necessidades totais de energia. Um kit solar de 4 m², recomendado para uma família de 4 elementos, cobre até 70% das necessidades em cidades soalheiras, como Faro ou Lisboa. Os restantes 30% têm de ser obtidos a partir de uma fonte de energia convencional, como a eletricidade (no geral, com uma resistência no tanque) ou o gás (com a ligação a um esquentador ou caldeira). Um sistema com maior capacidade de captação ou armazenamento fica bastante mais caro e não é aproveitado durante o verão.
A produção de eletricidade é ainda mais complicada. Os sistemas à venda destinam-se, sobretudo, a produzir para vender à rede elétrica. Comprar um sistema para satisfazer as necessidades da família é mais difícil. Primeiro, o sistema de captação (painéis) teria de ser bastante superior aos 30m2 normalmente necessários para a venda de eletricidade, dado que estes só conseguem uma potência de pico de 3,68 kW. Depois, há um desfasamento entre o momento da produção (dia) e do consumo (noite). Há que garantir um vasto conjunto de baterias, o que corresponde a um investimento avultado, para conseguir eletricidade para usar à noite.
Dica de poupança Se tiver painéis solares térmicos com o depósito instalado na horizontal, instale um temporizador para impedir que a resistência fique ligada durante muito tempo. Os tanques horizontais dão primazia à resistência elétrica e não ao calor proveniente dos painéis, pelo que é necessário regular o seu funcionamento.
Os automóveis híbridos emitem menos poluentes e têm menores custos de utilização
Nos nossos testes, temos verificado os consumos e emissões de diversos tipos de automóveis, com as mais diversas fontes de energia. Comparando os custos médios por quilómetro e as emissões de dióxido de carbono dos pequenos familiares, os híbridos não são a opção mais barata. Os automóveis a diesel gastam, em média, 29 cêntimos por quilómetro, contra 30 dos híbridos. Já em termos de emissões, os modelos elétricos registam 61 gramas de dióxido de carbono por 100 km, quando os híbridos atingem os 98.
Dica de poupança Verifique a pressão dos pneus regularmente. Um valor abaixo do necessário pode aumentar o consumo de combustível em 10 por cento.
Iluminação
Compensa deixar uma lâmpada fluorescente acesa em vez de ligar e desligar várias vezes
As lâmpadas fluorescentes, sejam as compactas ou as antigas tubulares, precisam de um pico de potência para arrancarem. Mas este processo é muito rápido. Medições feitas numa lâmpada fluorescente compacta de 20 W, testada em ciclos durante os quais estava 1 minuto ligada e 3 desligada, revelaram que, quando era acesa, ocorria um consumo extra equivalente a 15 segundos de funcionamento normal. Porém, se ficasse desligada por mais de 15 segundos, a poupança era superior.
Dica de poupança Uma sala de estar tem várias necessidades de iluminação consoante a atividade: ver televisão, ler, coser, receber família ou amigos, entre outros. O ideal é dispor de múltiplas opções e acender apenas as lâmpadas necessárias.
As lâmpadas fluorescentes duram menos do que o anunciado
Temos encontrado lâmpadas fluorescentes compactas que duram menos de 6000 horas, algo permitido pela União Europeia. Mesmo com duração de apenas 3000 horas, continuam a compensar. Uma lâmpada com 11 W poupa € 23 face a uma incandescente de 60 Watts.
Dica de poupança Para comprar a lâmpada certa de acordo com as suas necessidades, consulte o rótulo. Este indica o tempo que a lâmpada demora a arrancar, permitindo, por exemplo, uma boa escolha para a casa de banho. Ao verificar a cor da luz, pode evitar uma tonalidade demasiado branca no quarto e usá-la no exterior ou numa cave fria.
As lâmpadas de halogéneo são muito mais eficientes do que as incandescentes
As lâmpadas de halogéneo anunciam poupanças de energia de 30% face às incandescentes, que pretendem substituir. Os nossos testes revelam, no entanto, poupanças menos significativas: no máximo, medimos 19%, mas a média é de 15 por cento. Já se a comparação for feita com uma lâmpada fluorescente compacta, a poupança média é superior a 370%, pelo que os modelos de halogéneo acabam por não ser a melhor opção.
Dica de poupança Use lâmpadas de halogéneo apenas em locais onde precisa de ver as cores com maior precisão, como a bancada da cozinha ou uma secretária de trabalho.
Última atualização em janeiro de 2012
|
|
Sumário
|
|