Substitutos de refeições: açúcar contra os quilos a mais
Desequilibrados ao nível nutricional, os produtos para emagrecer que testámos promovem ainda uma redução drástica das calorias.
A luta contra os quilos a mais deixou de ser apenas uma preocupação feminina, agravada com a aproximação do Verão e os dias de praia. Homens e crianças juntaram-se entretanto ao grupo. Barras, batidos, cremes e sopas com os mais variados sabores garantem sucesso nesta dura frente de batalha. Mas emagrecer não se resume a perder peso. O objectivo é eliminar gordura em excesso e não massa muscular e água.
A restrição energética deve ser gradual e distribuída pelas várias refeições, para não haver fome nem dificuldade em seguir o plano. Quando é sujeito a uma redução, o organismo adapta-se de forma rápida e cumpre as mesmas funções com menor dispêndio de energia. Se o corte for drástico, pode haver perda de peso numa fase inicial, mas com facilidade se chega a um patamar de onde é difícil escapar. Além disso, ao voltar ao regime alimentar normal, ocorre um aumento de peso significativo. Os substitutos de refeições aconselham reduções calóricas elevadas, são ricos em açúcar e podem ser perigosos se consumidos por longos períodos. Alguns dizem substituir, pelo menos, uma refeição. Outros reclamam-se alternativa a todas. Mas não são a forma ideal de emagrecer.
Desequilíbrio nutricional
Muitos produtos fornecem 200 kcal por dose. Como um adulto precisa, em média, de 600 kcal por refeição, o corte proposto é de 400, valor excessivo, sobretudo se forem substituídas duas refeições principais.
O teor em proteínas é elevado e muitos produtos contêm também grande quantidade de gorduras saturadas, com impacto negativo na saúde. Outros abusam das vitaminas A, D e E. Por serem lipossolúveis, são armazenadas no organismo e, em grandes quantidades, podem ser prejudiciais.
No geral, os substitutos não são ricos em fibra. Alguns contêm mais de 45% da dose diária recomendada de sódio e cálcio.
Os hidratos de carbono devem ser a principal fonte de energia numa dieta (mínimo de 50%), incluindo de emagrecimento. Prefira os de absorção lenta, como o amido, e não rápida, como o açúcar. Este não deve representar mais de 30 g diários. Os teores em hidratos de carbono não satisfazem as necessidades diárias. Já os açúcares, muito elevados, variam entre 50 e 99% do total de hidratos de carbono.
Aposta na variedade
Para uma dieta de emagrecimento bem sucedida, invista no equilíbrio e variedade. As interacções entre os alimentos asseguram os nutrientes para manter-se saudável. As dietas que propõem baixos valores energéticos, sobretudo se forem prolongadas, podem ser perigosas. Ao diminuirem de forma drástica o consumo calórico, dificultam a passagem a um regime alimentar diversificado sem um aumento significativo de peso.
Os substitutos de, pelo menos, uma refeição fornecem, no geral, poucas calorias. Para limitar os riscos, não devem ser a alternativa a mais do que uma refeição. Mesmo assim, use por períodos curtos (no máximo, 2 a 4 semanas). Os integrais também propõem grandes reduções calóricas e são desequilibrados. Tome apenas sob orientação médica.
As dietas devem promover a mudança de hábitos. Ao tomar um batido ou comer uma barra, perde uma oportunidade de ouro para aprender a combinar os alimentos. Alem disso, só numa refeição, pode gastar mais de 3 euros. Existem soluções mais saudáveis e baratas.
Emagreça sem riscos
Para perder alguns quilos de forma equilibrada, siga os nossos conselhos. Casos mais complicados devem ser analisados pelo médico. Corte apenas 500 kcal nas calorias de um dia e perca 500 gramas por semana. A dieta deve durar, pelo menos, 3 semanas.
Faça 5 ou 6 refeições diárias: 3 principais e 2 ou 3 merendas. Nestas, dê destaque à fruta, sopa, legumes crus e iogurtes.
Prefira os legumes. Em grandes quantidades, fornecem apenas algumas calorias e dão maior sensação de saciedade. Escolha alimentos sem gordura: peixe, aves, fiambre magro ou legumes.
Evite doces e alimentos ricos em gorduras, muito calóricos, mas com baixo valor nutricional. Ingira, pelo menos, 1,5 litros de água por dia e rejeite bebidas açucaradas e alcoólicas.