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Misturas de marisco congelado: pouca variedade e pouco sabor

Num teste a 15 marcas de misturas de marisco, a DECO/Pro Teste encontrou pesos incorrectos, aditivos desnecessários, higiene e conservação medianas, misturas pouco equilibradas, degustação decepcionante e rotulagem incompleta. Um produto (Frigo) foi eliminado por conter antibióticos.

Na criação de pescado em cativeiro, alguns produtores utilizam antibióticos para prevenir doenças, inclusive em animais saudáveis. Muitas vezes, o objectivo é resolver problemas laterais, como a falta de higiene das instalações. Certos antibióticos, como o cloranfenicol, podem provocar efeitos tóxicos crónicos, mesmo em pequenas quantidades. A legislação comunitária é peremptória: não é permitido nenhum resíduo deste fármaco nos alimentos. Além disso, existe o problema do aumento da resistência das bactérias aos antibióticos e a sua consequente perda de eficácia. A DECO/Pro Teste eliminou a marca Frigo, por conter resíduos de cloranfenicol.

Não existe regulamentação específica para as misturas de marisco. Logo, cada fabricante atribui as denominações de venda que entende. Além disso, a constituição dos produtos não está definida e, como tal, o conteúdo pode ser uma verdadeira caixinha de surpresas. Embora exista legislação específica para este ou aquele parâmetro (para resíduos de antibióticos ou aditivos, por exemplo), falta criar legislação para o produto propriamente dito. Só assim se poderá controlar a composição e a qualidade dos ingredientes utilizados.

Nalgumas embalagens, o peso líquido escorrido (que deve excluir o gelo) não estava correctamente indicado, pelo que o consumidor acaba por comprar água ao preço de marisco.

Quanto aos ingredientes, existiam alguns que deveriam aparecer, por estarem mencionados na embalagem, mas a DECO/Pro Teste não encontrou vestígios deles. Outros, pelo contrário, estavam presentes, apesar de não serem referidos.

Também foram encontrados fosfatos: um aditivo desnecessário cujo objectivo é reter a água no produto, de forma artificial.

Por outro lado, um painel de provadores considerou que as misturas, em geral, eram pouco homogéneas: excesso de miolo de mexilhão, de amêijoa e de berbigão (uma das marcas, por exemplo, tinha cerca de 70% destes ingredientes), de chocos ou lulas e de delícias do mar e ausência de camarão inteiro e de partes de outros crustáceos. Além disso, o sabor nem sempre era dos mais agradáveis.

Por fim, aquela revista de defesa do consumidor detectou falhas na rotulagem dos produtos. A mais grave verificou-se num produto adquirido no hipermercado Carrefour que, além de não indicar marca, não tinha uma única palavra em português. É caso para se dizer: onde pára a fiscalização?

Eis alguns conselhos da DECO/Pro Teste para quem compra alimentos congelados:

  • a embalagem deve estar hermeticamente fechada, para que não se verifiquem contaminações, deterioração ou desidratação do pescado;
  • a embalagem não deve conter gelo solto. Caso contrário, isso significa que houve variações consideráveis de temperatura, desde que o produto foi embalado até o consumidor o adquirir. Assim, o pescado pode já não estar nas melhores condições;
  • se for possível observar o interior da embalagem, tente não comprar produtos excessivamente vidrados;
  • o compartimento frigorífico onde a mistura de “marisco” está exposta para venda deve apresentar, no mínimo, uma temperatura de -18ºC. Verifique se tem um termómetro;
  • tal como qualquer congelado, estes alimentos devem ser os últimos a colocar no cesto das compras. Convém que sejam transportados num saco isotérmico e, em casa, colocá-los imediatamente no frigorífico ou no congelador (caso não os queira consumir logo).

| Pro Teste n.º 233 - Fevereiro de 2003 - Páginas 17 a 21|

30.01.2003

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