|
Carne com pouca qualidade, água e gordura em excesso, aditivos desnecessários e algumas falhas na higiene e conservação foram os principais problemas que a DECO PROTESTE encontrou numa análise a 15 marcas de hambúrgueres congelados de vaca e 4 de peru.
Os problemas encontrados devem-se, em parte, a um vazio legislativo no que diz respeito ao alimento em causa. No início dos anos 90, a legislação tornava obrigatórias duas normas portuguesas (uma para hambúrgueres de vaca e outra para os de peru) que, entre vários aspectos, definem e classificam os hambúrgueres, indicam quais os ingredientes que podem ser utilizados e estipulam as suas características. Contudo, parte destas normas deixou de ser obrigatória. Se bem que, segundo a PRO TESTE, algumas exigências pecassem por serem escassas ou pouco correctas do ponto de vista técnico, aquela revista refere que “não faz sentido deixar de tornar obrigatória parte fundamental dos referidos diplomas (como as características físico-químicas) sem que novas regras tenham entrado em vigor”. Para piorar, a lei europeia não define critérios para a composição dos preparados de carne. Neste sentido, os fabricantes de alguns produtos têm total liberdade para fazer os hambúrgueres como entenderem.
“Como sem lei não há infracções, os consumidores ficam à mercê da boa vontade dos fabricantes”, denuncia aquela revista. Daí a DECO PROTESTE reivindicar que os Ministérios da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas e o da Economia, as entidades responsáveis, criem legislação exigente e adequada, que defenda os legítimos interesses dos consumidores.
Na segunda metade dos anos 90, passou a ser permitida a venda de carne previamente picada. Segundo a DECO, esta foi uma medida inadequada, dado que a carne fica muito sujeita a contaminações. Assim, aquela associação aconselha o consumidor a pedir para lhe picarem a carne na altura ou, melhor ainda, picá-la em casa, quando a for cozinhar.
A PRO TESTE também testou hambúrgueres que mandou fazer em talhos, os quais revelaram uma composição irrepreensível, mas não foram dos mais apreciados na prova de degustação. Como o preço por quilo também não é muito elevado, aquela revista de defesa do consumidor considera este tipo de hambúrguer uma boa solução, em especial os de vaca, cujo sabor agradou mais.
Para os consumidores que não têm tempo de ir ao talho mandar fazer os hambúrgueres e congelá-los em casa, os produtos já congelados são uma solução desde que sejam bem cozinhados. De facto, os problemas de higiene e conservação encontrados são superados com o calor.
Entre os hambúrgueres de vaca, o Twinner (€ 5,19), vendido no Lidl, por ter a melhor relação entre a qualidade e o preço, acumula os títulos de Melhor do Teste e de Escolha Acertada. Caso prefira os hambúrgueres de peru, os da marca Continente (€ 2,39) são os Melhores do Teste. Dado o seu preço, recebem também o título de Escolha Acertada.
Nos Açores e na Madeira, nem sempre é possível encontrar os mesmos produtos que há à venda em Portugal Continental ou os preços poderão diferir. Assim, nos Açores, o título de Escolha Acertada recai nos hambúrgueres de vaca da marca Salsiçor e nos de peru do Modelo. Na Madeira, aquele título vai para os hambúrgueres de vaca da Pescanova. A PRO TESTE não atribui título aos de peru por não ter encontrado naquela ilha as marcas melhor classificadas.
| PRO TESTE n.º 266 - Fevereiro de 2006 - páginas 17 a 20 |
27.01.2006
|