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Uma lata de refrigerante pode ter o equivalente a cinco pacotes de açúcar dos que usamos no café. A DECO PROTESTE analisou 110 alimentos e concluiu que os fabricantes abusam dos açúcares e, em muitos casos, não indicam a respectiva quantidade nos rótulos, até porque a lei nem sempre o exige.
Segundo a TESTE SAÚDE, a revista de consumidores dedicada a temas de saúde, os produtos que nos chegam a casa já preparados são responsáveis por grande parte do açúcar que consumimos e não é pouco. A maioria é adicionado aos alimentos, embora, nalguns casos, como os iogurtes de pedaços e as sobremesas lácteas, também possa provir da fruta e do leite.
Se comer cereais de chocolate ao pequeno-almoço, e, ao longo do dia, ingerir algumas bolachas, um refrigerante, um leite achocolatado e uma fatia de gelado atinge quase 90 gramas de açúcares simples adicionados.
Além dos alimentos que, por norma, contêm muitos açúcares simples, como rebuçados, gomas e chocolates, a associação de consumidores chama a atenção para a quantidade presente, por exemplo, nas bebidas espirituosas de baixo teor alcoólico, molhos, como ketchup , ou mesmo no pão de forma.
Quando ingeridos em excesso, os açúcares favorecem a obesidade, que está a aumentar entre os portugueses, sobretudo, no caso das crianças. Podem também contribuir para o aparecimento de cáries dentárias, se não houver uma boa higiene oral.
A Organização Mundial de Saúde recomenda que os açúcares simples adicionados aos alimentos não forneçam mais de 10% da energia diária necessária. Esta depende, entre outros factores, da idade e da actividade física da pessoa, mas, em geral, os valores-limite variam entre cerca de 50 e 75 gramas. O primeiro refere-se a crianças e idosos e o segundo, a adolescentes. As mulheres adultas deverão consumir menos de 60, e os homens, menos de 70 gramas.
Os consumidores dificilmente podem saber a quantidade de açúcares que ingerem. A lei só obriga a sua indicação no rótulo quando há uma declaração nutricional, como, por exemplo, a referência “sem açúcar”. Muitos produtos analisados pela DECO PROTESTE, como as bebidas alcoólicas, não continham esta informação.
Dado que a ingestão excessiva de açúcar pode contribuir para vários problemas de saúde, é indispensável reduzir o seu consumo. Face aos resultados deste estudo, a DECO considera que esta tarefa não depende apenas dos consumidores. Por isso, reivindica:
- campanhas de informação para os consumidores, que esclareçam sobre os malefícios do consumo excessivo de açúcares simples e ensinem a diminui-lo;
- a inclusão de rotulagem nutricional em todos os alimentos. Nesta, o teor em açúcares e dos restantes nutrientes, deverá ser indicado sempre da mesma forma. Por exemplo: a quantidade por 100 gramas e por dose de alimento a consumir
- lei e fiscalização para garantir que os produtos que se dizem “sem açúcar” não contêm nenhum adicionado (não apenas sacarose);
- a redução da quantidade de açúcares simples por parte da indústria alimentar. Não se compreende, por exemplo, porque os juntam à comida para bebé. Ao fazê-lo estão a educar mal o paladar dos mais pequenos, comprometendo a saúde das novas gerações.
Aos consumidores, a TESTE SAÚDE aconselha a que diminuam, também, o açúcar que adicionam aos alimentos, em casa. No caso dos produtos pré-preparados, convém verificar a quantidade de açúcares, quando esta lá se encontra.
| TESTE SAÚDE n.º 59 - Fevereiro/Março de 2006 - páginas 9 a 13 |
25.01.2006
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